O burro sempre fez parte do quotidiano do camponês caboverdiano. De uma utilidade extrema, este animal revelou ser, ao longo dos tempos, um grande aliado dos habitantes das ilhas mais rurais de Cabo Verde, sobretudo como meio de trasnporte (de cargas como pasto, géneros alimentícios, cimento, areia, água, pessoas etc.)19 julho 2008
Burro na grelha
O burro sempre fez parte do quotidiano do camponês caboverdiano. De uma utilidade extrema, este animal revelou ser, ao longo dos tempos, um grande aliado dos habitantes das ilhas mais rurais de Cabo Verde, sobretudo como meio de trasnporte (de cargas como pasto, géneros alimentícios, cimento, areia, água, pessoas etc.)18 julho 2008
Vultos da ilha
Luis Romano(Luis Romano, Clima, 1963)
04 julho 2008
Queijo
Ao referir, no post anterior, à "casca" de queijo lembrei-me das farras que fazíamos na ilha: queijo com pão, comprado lá na casa de Nha Guida. As quartas-feiras aguardávamos ansiosos a chegada da senhora que ia à Lagoa abastecer de queijo fresquinho para depois comprarmos a 120 escudos unidade.03 julho 2008
VIVA QUEL VIM (Memórias de escola primária)
No dia do exame: cólê texto que bo dá? mim e'm escolhê "A chuva amiga" e bo? Mim foi professora que escolhe'm nhe texto, e'm dá "Maravilhas do Mar. E bô? mim e'm escolhê "O cabritinho Obediente". Uahh, quel texto lá é sébim, mim e'm te elel etê de cor: (...) conta-se que um dia a mamâ cabra antes de sair da casa disse ao cabritinho: - fecha a porta com a tranca e não abra a ninguém!
Ninguém queria ter, em Julho, um desfecho tão trágico. Por isso, a preparação começava desde Outubro do ano anterior e todos os detalhes eram levados em conta. Outros, desconfiados e supersticiosos, apostavam em plantinhas com tendências visionárias: pegavam nas folhinhas de uma planta, que agora me escapa o nome, e colocavam no meio do caderno. Se esta murchasse, hum, mau sinal! Mas, se ao contrário, permanecesse viva, hey... bons ventos.!!
30 junho 2008
Vultos da Ilha
Sinta10 começa hoje uma nova rubrica que pretende (apenas) lembrar os grandes homens que se brotaram da ilha. Este primeiro post é dedicado ao poeta Januário Leite (este nome foi muito evocado nas últimas semanas por causa do caso que se estoirou no liceu que tem seu nome). Mas aqui a nossa música é outra. E a escola também... já agora! Os óculos no nariz, bem cimentado
antigo professor está sentado
A lição é de história. Já casmurro,
A tosca mesa abala!...o aluno em pé
16 junho 2008
PAXANHA
Ai-ai! De momento, não é este o meu propósito, estar a enumerar um ror das boas coisas que me faz saudoso da ilha, do meu berço Ribeira da Torre, mas sabe é impossível não sentir saudades. O meu objectivo, por ora, é compartilhar contigo, amigo leitor, as estórias divertidas - “as boas alegrias merecem partilha”, não é?
No descanso das horas vagas, geralmente depois do almoço, recordo-me das estórias e das invenções das gentes bem-humoradas da ilha. Hoje, as peripécias e as invenções de Paxanha resolveram invadir o meu pensamento. Esta personagem é apenas uma das muitas figuras notáveis no engenho de pirraças, gaiato, com um senso de humor deveras fora do comum.
Paxanha, homenzarrão de lá de Cabouco de Peregrinas, alto claro com uns bons 90/100kg - um texugo, bebedor do seu grogue como um bom santantonense, bom garfo - ainda bem, porque se não os muitos copos já o tinham mirrado o corpanzil que ostenta – pois é, Paxanha é um exímio voraz. Certo dia, na altura das sementeiras, fomos ao Lombo de Santa cumprir a missão de todos os anos - enterrar o milho, ainda que na terra ressequida, e esperar pela graça de Deus. Levamos da fértil Ribeira da Torre, mandioca, banana verde, fruta-pão, feijão ervilha seco, toucinho e demais ingredientes necessários à uma feijoada que faz delícias ao estômago. Uma senhora de lá de Lombo de Santa, muito meiga e amiga do meu pai era a encarregada de nos preparar aquele banquete – almoço feito para nove enxadeiros, mas que sobrava para alimentar Lombo de Santa inteiro, se não fosse o ímpeto destruidor deste homem - Paxanha COOOOOMEEEEEU, até que não conseguiu levantar, ficou prostrado debaixo da afável mangueira que nos serviu de sombra, não mais conseguir dar um kova de milho - um trabalhador perdido pelo resto do dia. Era um gozo, em uníssono nos tud tava dzé – "kmida kmê Paxanha", este nem nos dava ouvidos.
Como um notável comedor, ele também é um devorador de grogue. Um dia, ele panhá um fuska lá no Stakay que ficou completamente bragundo, pior que Frénk du Pi depois daquela krascada em o Rabo da Bruxa, lembra? No regresso à casa, a meio caminho, entrou num curral onde criava umas cabeças de cabras. A julgar ser este a sua casa, entrou sorrateiramente, ainda que aos tombos e deitou junto à uma cabra. Após algum tempo, a carente cabrinha enrosca no nosso perdido, este crendo ser a sua verdadeira companheira do lar, sussurra – "Méria txgá pralá, bô ti te ingôtxém!!"
Paxanha é deveras uma personagem versátil. É capaz de tudo um pouco. Este facto que te vou contar é assunto sério, por favor não gracejas, o meu pai merece todo o respeito, homem honesto e trabalhador de lá de Ribeirinha de Jorge, respeitador e respeitado por todos, palavra de honra! Só Paxanha, para brincar com coisas sérias. Não enfadonhas, amigo leitor, conto já a brincadeira de mau gosto, tramado pelo nosso gordo insolente PAXANHA. Num dia infeliz, meu pai teve a má sorte de cair de um pé de fruta-pão duma altura de pelo menos cinco metros, (os ramos desta árvore não são muito fortes, quanto menos, quando estão prenhes de frutas, o ramo desprendeu e pumba), como deves calcular meu mestre não ficou com o corpo sadio, apanhou muitas pancadas, sobretudo nas costas, quem o melhorou foi um daqueles curadores natos de lá da ilha do Chiquinho, já não me lembro o nome deste bendito homem, alto, magro, meio desengonçado, cabelos ruivos – um sueco. Através de um método incrível, ele conseguiu tirar ao meu pai vários hematomas – sangue pisado nas suas costas que o atormentava.
Passado algum tempo do incidente, o maldito Paxanha inventou e perguntou o seguinte ao meu pai – "ó Maika, bô fi David dzé kma bô kei dun asa dun avião?" Brincadeira de mau gosto, papá optou pelo silêncio a pensar como é que um filho foi capaz de dizer tamanha asneira. Quando chegou em casa confessou isto à minha mãe – esta que conhece muito bem os filhos que educou e também as diabruras de Paxanha, de pronta negou que o bom David fosse capaz de dizer tal disparate, categoricamente afirmou ser invenção de Paxanha. Meu pai não se convenceu e ficou mesmo com raiva do inocente filho. Certo dia, minha mãe, a zelar para o bem-estar do lar, encontrou o nosso visado e teve que lhe perguntar se deveras David lho disse que Martim tinha caído de uma asa de avião. Paxanha com ar de sonso respondeu – "amoje kondera, foi binkedera minha ôme, kome, Maika kerditá?" Minha mãe pediu-lhe então que fosse desenganá-lo porque anda convencido que foi da boca do coitado David que saiu a maldita frase e por isso anda descontente com ele, muito descontente.
Paxanha felizmente aceitou o pedido e numa ocasião convenceu o meu mestre que tal brincadeira foi invento seu. Paxaaaanha! E agora papá que lição? Confie sempre na sua família, porque ela é guardiã, está bem?
13 junho 2008
Santo António
27 maio 2008
Memórias de Puvoçon
21 maio 2008
PIRRAÇAS ... made in Sinta10
Ribeirinha de Jorge, particularmente, tem recebido algumas dessas pessoas, lembro-me do Fabal, do Pé de Rót, do Pé de Aranha, (estes numinhos são-lhes postos pelos rapazes buzód da zona), do Nelson e do Meteje de Deolinda, do Péd Cabeça, entre outras figuras que de certo modo alegravam e alegrem a zona com as suas peripécias, cada um a sua maneira.
Merci, Djédjin
06 maio 2008
Esgrovét
Na sua missão de tentá esgrovetá Sintédez de lés a lés, hoje Sinta10 desenterra (literalmente) um leão que jaze algures na Vila das Pombas, Paul. Esta imagem que conta já décadas de existência, foi resgatada da saudosa Ekhos do Paul, revista trimestral editada em Santo Antão nos inícios dos anos 90.Eis o texto que acompanha a fotografia:
"A natureza tem coisas curiosas. Pena é que nem sempre se lhes da o devido valor. Este leão (ver foto), petrificado, em posição de guarda e de vigilia perene do ancoradouro do Paço e que sobreviveu a séculos de fustigante mar bravio e do vento de nordeste, foi soterrado, em 1990, com os trabalhos de terraplanagem do novo campo de futebol na zona de -Antonio Soare, no Paul. Fica, no entanto, a
imagem para a posteridade. Ou será que ainda é possivel a sua recuperação? E se os jovens fossem lá tirar a prova, com o apoio, é claro, do Município?"
In Revista Ekhos do Paul, nº 2, Abr/Mai/Jun 1992, pág 46
Foto: Rosendo Pires Ferreira (RPF)
29 abril 2008
150 anos da Praia com olhar sampadjud
Hoje, Sinta10 contorna um pouco a sua linha editorial, assente em esgrovetá Santo Antão de lés a lés, para escrever duas linhas sobre a Cidade da Praia, que completa 150 anos. 22 abril 2008
Contos e factos
A Sova (contingências de um castigo precoce, entretanto, não consumado)
João Bento, 13 de Dezembro 1945
“Estou indo para a Ribeira, para não ter filho de Antonin, nem de casado, nem de solteiro, para não 'danar' a minha família”
Ouvida a explicação, Nhô João Martinho calou-se. Por longos minutos pai e filha permaneceram em silêncio, sem se olharem um para o outro. O olhar de João Martinho continuava fito na parede, enquanto Mariana não se levantava a cara do chão.
De repente o pai quebra o silêncio e com uma voz forte e acusadora disse: - sai da minha presença… afinal não é o que queres?
Mariana saiu pé ante pé, tão devagar que parecia recear uma investida do próprio solo que pisava, contra ela. A partida para a Ribeira devia acontecer dentro de três dias, num sábado. Por isso, até a largada, Mariana não queria que houvesse mais motivos para alimentar a ira do pai.
Como que a querer aliviar um pouco o peso da consciência, Mariana pegou num balaio e caminhou em direcção à Merada de Ladeirinha, à cata de feijão.
Estava-se no mês de Dezembro, ainda não havia muita produção, e a apanha de feijão era um processo demorado, já que se ia apalpando e escolhendo as vagens cheias das que ainda deviam permanecer na mãe.
A Mariana tinha deixado em casa o filho de 1 ano e 11 meses. Já passava do meio-dia e ainda não tinha regressado à casa. O pequeno Joãozinho não parava de chorar. A dona Gertrudes, mãe da Mariana, acalentava-o mas sem efeito. Cada vez o petiz chorava com maior intensidade e não dava sinais de querer interromper essa sua tarefa.
Há três metros de distância Nhô João Martinho encontrava-se sentado na soleira de uma portinha que dava para uma despensa contígua à uma cozinha em estilo funco, onde se preparava os matares-de-injú. De pernas esticadas, preparava algumas gavelas de cordas de carrapato para uma amarração de palha de milho que tinha agendado para o dia seguinte com alguns trabalhadores em Fajânzinha de Trás, uma merada algures em Ribeira dos Bodes. Concentrado no seu afazer, João Martinho parecia não estar a ouvir aquele choramingar do neto. Ou então, se ouvia, não esboçava nenhum sinal que denotasse alguma perturbação causada pelo nhéc nhéc nhéc ininterrupto do pequeno. Enquanto permanecia pachorrento na sua tarefa, a esposa, com uma calma impressionante, ia fazendo de tudo para que o netinho parasse de chorar, sem entretanto conseguir os seus intentos.
De repente, o estado das coisas muda. Nho João Martinho, que até então tinha se mantido no seu canto, levanta-se com fúria e dá duas voltas pelo corredor. Pela forma como o fez, adivinhava-se que algo pouco simpático estaria prestes a sair das entranhas do velho. E depressa se confirmou a suspeição. Ao fim da terceira volta pelo corredor, o homem lançou um forte suspiro, que as suas narinas pareceram soltar fumo qual turbinas de um trem movido à carvão. Dona Gertrudes, que bem conhecia os sinais do seu marido, começou a ficar tensa: - “Meu Deus, este homem já não está bem, o que é que ele estará a pensar, hein?” – suspirou Gertrudes.
E mal a mulher formulou o seu raciocínio, nho João Martinho sentenciou: “Dá-me cá esta merdinha, vou ver se comigo ele não pára com esta berraria”. E sem coragem de se opôr à ordem do marido, Gertrudes entregou-lhe o neto e correu para dentro da casa para fazer orações. Mas de nada iria valer as preces da mulher. João Martinho pega no pequeno chorão, leva-o para o cume de uma parede, ata-o as perninhas com uma das mãos e dependura-o de cabeça para baixo. Xpundród qual cabrito prestes a ser pêrrnód, o menino intensifica a berraria, fazendo lembrar os últimos instantes da vida de um pequeno capóde quando solta os apertados berros por entre a corda de piadura e a faca do matador. Entretanto, no exacto momento em que João Martinho se prepara para aplicar a primeira chicotada ao menino, Mariana surge em frente ao corredor com o seu saco de feijão à cabeça. Desesperada, larga a carga e grita em alvoroço: - “se o senhor vai fazer aquilo ao meu filho, é melhor que o deixe e faça comigo tudo o que quer fazer com ele.” À súplica da mãe, o velho ripostou: - “na verdade, é contigo que eu faço isso”. Mas a aflição de Mariana deve ter trazido à lembrança do velho a história da legítima mãe no Julgamento de Salomão. Sem soltar mais qualquer palavra, João Martinho largou o chicote e entregou o filho à progenitora, retomando, de seguida, a tarefa que havia interrompido.
Enquanto isso, Mariana, sentindo-se ameaçada com a ira do pai, arrumou de pronto os seus parcos pertences, meteu-nos numa pequena maleta que a sua madrinha lhe tinha oferecido e abandonou a casa dos pais. Foi então morar numa pequena casinha da sua prima, a três quilómetros de distância, numa zona chamada Chã Vermelho. E ali permaneceu com o filhinho até ao momento da sua largada para Ribeira, o que viria a acontecer três dias depois.
Mariana acabaria então por deixar o Cómp de Porto com uma justificação mais forte do que aquela que sustentara quando fora instada pelo pai a justificar a sua decisão de mudar de região. O “partir para Ribeira para não ter filho de Antonin”, de quem se dizia ser bruxo, dava lugar à uma espécie de obrigação em se retirar por ver a integridade física dela e do seu bebé ameaçadas após a atitude do pai.
19 abril 2008
Dia dos monumentos e sítios - um olhar diferente
Ontem era dia dos monumentos e sítios. Há dois anos, por esta ocasião, lançava um olhar sobre Alcatraz. Este ano fui até o meu sinta10 escolher a estrada Porto Novo-Ribeira Grande. Para mim a obra é um autêntico monumento edificado por dezenas de herois anónimos que, de cordas amarradas à cintura iam escrepando rochas, pondo a vida em risco. Até ainda custa-me entender como esses herois, que não tiveram direito à bustos, conseguiram abrir o Delguédin12 abril 2008
Bananas (de borla)
A desventura do Paulino em ter pago em Assomada 700 paus para meia dúzia de bananas dá que pensar. Tentando compreender como foi possível chegar à simpática soma, fiz muitos cálculos mas fiquei QO. Então, dei duas voltas à cabeça e fui vasculhar as minhas vivências em Santo Antão, marcadas por uma relação muito próxima com a banana, desde o plantio, a rega, a limpeza, o corte (colheita), o transporte e, claro a devoração do fruto.Lembrei-me daquelas "impolas" na palma das mãos quando perfurava-mos os buracos para meter as "herdeiras"; dos fusos insuportáveis que vinham dos nabos (caule apodrecido da bananeira) que cortávamos para tapar buzil e interrnôdor no momento da rega (nota-se que horas depois éramos nós a gerar esses fusos - meu irmão David tornou-se especialista nesta "arte"); das picadas insuportáveis das centopeias que quase sempre se encontravam no meio desses nabos; daquela chatice em carregar os cachos, com o receio de ficarmos com a nossa vestimenta pintada de nódoas; dos concursos a ver quem conseguia comer mais bananas em menos tempo...

02 abril 2008
FIGURAS DA ILHA - Ménél Brôco
Os textos do Boltchôr aqui no seu blog me têm feito lembrar algumas peripécias de personagens castiças da ilha. Hoje, lembrei-me do Ménel Bróc, lá de Selada de Ribeirinha de Jorge. Cuitód, el e'mrrê vítima de atropelamento, em circunstâncias muito estranhas e nunca clarificadas (Déus te dél um descónse ne sê alma) 31 março 2008
Saúde p'Antónia d'Aninha
Nha Antónia d'Aninha acaba de dar à estampa o Cd "Boxon", um trabalho que vem resgatar uma das tradições da ilha, infelizmente em queda livre: o "b'tá saude", outrora indispensável em algumas cerimónias, sobretudo casamentos. Com 76 anos, esta mulher é ainda das poucas que existem na ilha e que mantém acesa esta tradição. Nha Da Cruz Naça, lá da Ribeirinha de Jorge, era outro vulto nesta prática, mas infelizmente faleceu há dois anos. Para a posteridade apenas ficaram memórias. Felizmente, no caso de Nha Antónia, há agora este registo para as gerações vindouras! Ó saúd pe Déninha.. oooolélélélééé
27 março 2008
Blog daquel bom
Também estou com aqueles que reconhecem muita dificuldade em fazer a escolha de 2 blogs daquel bom made in CV. Em cada blog CV encontro posts que me interessam bastante, sendo que alguns me prendem.Entretanto, como forma de fintar a dificuldade, nesta minha escolha guio-me apenas pelo critério da afinidade e parentesco
1 - blog do Paulino - por o considerar uma espécie de prolongamento (mais erudito) do meu sinta10
19 março 2008
Coisas boas da vida


Na madrugada do passado dia 21 de Fevereiro registei estas imagens do eclipse da lua. Era por volta da 01: 45 quando, com três colegas, estava eu deitado no terraço da casa, de olhos para o ceu a captar estas imagens. No meio de um silêncio profundo, só se se ouvia de quanto em vez o latir de um cão que soava fundo. Foi uma experiência indescritível, assistir a uma das maravilhas da Natureza. Enfim, uma das coisas boas da vida, aprentemente insignificante que, só assistindo se poderá sentir quão impressionante é este mundo!!!
18 março 2008
Um vôo para Santo Antão
O incidente que envolveu Jorge Santos e José Maria Neves, por altura da inauguração do Santantão Art Resort terá surgido tendo como pano de fundo a questão do possível novo aeroporto para Santo Antão. A ilha, que já não se recorda da forma de um aviunzin como certo dia escrevemos aqui, em materia de aeroportos por enquanto apenas serve de palco para incidente. Agora, não seria bonito que esse quiproquo fosse ultrapassado no dia da inauguração de um aeroporto em Santo Antão? Estou a imaginar o JMN e o JS no vôo inaugural sentados lado a lado em amena cavaqueira, momentos antes da aterragem do avião:JMN - "Anton, Tchoriss, bu ta lembra di quel dia qui bu tchoma'n 'mentiroso' li na Porto Novo, precisamenti por causa di aeroporto?
JS - Adé Zemas, inda bo ti te lembrá dess cosa? Aquilo já é passód, moss!! Gora ê so voá...
JMN - bu ten razon! E ..hoji cuzê qui ta sai?
JS - Um groguin lá de Coculi, queijo de Lagoa, pontche de Paúl... ó zemas bo tinha dzid que, pa nôs, Aeroporto não era prioridade, mas hoje e'm te dzê que prioridade é festa, heheheh
12 março 2008
07 março 2008
24 anos de Marcha
Em 1984 nascia em Porto Novo o grupo teatral "Juventude em Marcha". O agrupamento depressa se tornou popular devido à qualidade das suas peças, prenhes de humor, criatividade e muito trabalho de campo.Mas o grande bastião do grupo tem sido São Vicente. Não é por acaso que a grande maioria das suas actuações a nível nacional acontecem nessa ilha. O grupo tem sabido retribuir esse carinho e é de se notar que muitas das suas estreias acontecem em Mindelo.
Em comemoração aos 24 anos (as bodas já estão prateadas) o grupo tem agendado para este fim-de-semana duas actuações em Mindelo, com a mais recente peça "Jazigos da Boca de Pistola". Mais uma oportunidade pra malta de Soncent vendê télisca à vontade.
22 fevereiro 2008
Passagem com outra pinta
20 fevereiro 2008
18 fevereiro 2008
Uma semana de Santo Antão na Praia (eco de um post no Djaroz)
Há dias o Djoy Amado surgiu com uma ideia interessante, tendo-a expressado aqui no seu blog. Gostei da ideia e pus-me a pensar.
Desde que estou na Praia conheci muita gente, vinda de todos os cantos, descobri outros costumes, outras realidades, mas, acima de tudo, comecei a conviver com pessoas de todas as ilhas. É aqui que reside o meu maior encanto por esta cidade.
Na Praia, pude conviver (e convivo) com pessoas oriundas de todas as ilhas de Cabo Verde, algo muito difícil de conseguir se se estiver numa outra ilha.
Uma cidade tão cosmopolita como a Praia deveria aproveitar muito mais desta condição e ser uma autêntica caldeira a efervescer manifestações culturais de todos os gostos, com criatividade a emanar dos poros de cada residente.
A ideia lançada pelo Djoy de ter um mês de cada ilha, nesta cidade é de facto muito bem vinda. Por mim, já bastava uma semana.
O Sinta10, de antena virada para Santo Antão, propõe aqui a semana da sua ilha na Praia:
Musica, dança, gastronomia, récitas, teatro, exposições, enfim um pouco de tudo made in Santo Antão, para não só dar a conhecer um pouco mais da ilha, como também proporcionar aos filhos e aos demais residente uma oportunidade de se sentirem dentro da ilha.
Imagino o Auditório Nacional lotado para assistir ao Juventude em Marcha; uma noite suave no Quintal da Música com os sons do Mix Cutura; o Centro cultural Francês a expôr a arte de Bento d’Oliveira, ou dos irmãos Levi; os Cordas do Sol a cantar linga de Sintonton numa rua do Plateau; um grupo qualquer das Fontainhas ou Figueiras ta ratchá uma contradança ou uma masurca; Leão Lopes a liderar uma conferência tipo “pensar Santo Antão; Paulino dias no Palácio da Cultura a contar as estórias de Fajâ Domingas Bentas; uma exposição/venda de doces, licores, pontche, queijos e outros produtos da ilha na Biblioteca Nacional, enfim…
Como seria bonito uma semana de cada ilha na Praia.
Sinta10 já fazê sê proposta, que venham mais 10!
11 fevereiro 2008
Carnaval da Ponta do Sol
Em Santo Antão também há carnaval. A vila da Ponta do Sol ê bom nel, e já houve dias melhores, quando o carnaval da vila competia com o da Penha de França, vila da Ribeira Grande. Era sempre renhida a disputa entre Maravilhas do Oceano e Sol Real.10 fevereiro 2008
Flagelados do Vento Norte (ou será ventos do carnaval solpontense?)
Ao deparar com os factos(?)pensei para comigo: isto é verdade, ou será uma piada de carnaval, já que a época é propícia para certas pirraças? Sim, porque, ao menos, se fosse greve de fome, teria dito que de certa forma já estamos acostumados com presos a injutir pitéu para reivindicar isto ou aquilo. Agora,faltar comida nas cadeias!!!, ainda por cima numa cadeia regional,com as dimensões da de Ponta do Sol?
Nisto, lembrei-me de um amigo busód da Ponta do Sol que há dias me contava, meio a sério, meio a brincar, que os presos dessa cadeia vivem sab pa fronta; que saem de manhã para ganharem o seu dia e voltam à tardinha; que organizam jogatinas com os habitantes da vila, etc., etc.
Hoje, ao comentar a notícia com um colega, este rematou: "talvez esses presos comam em casa pelo que a cadeia não deve estar preocupada em providenciar alimentação aos seus inquilinos"
Bem, brincadeiras à parte, a acreditar no Expresso da ilhas, a coisa é grave, grave mesmo! Créd n'emstêr!
28 janeiro 2008
27 janeiro 2008
MEMÓRIAS (histórias de Praia Formosa)
Cresci ouvindo hitórias sobre o naufrágio do "John", um navio americano que na década de 40 naufragara nas costas da ilha de Santo Antão, carregado de milho. O tempo era de crise, a fome grassava a ilha e a população morria a míngua. O naufrágio terá sido então um mal que veio por bem, porquanto a população, de todos os cantos da ilha, forjou uma famigerada romaria ao local, em busca de gãos de milho para "encher o papo"19 janeiro 2008
O drama da chuva e a ilusão de óptica
Mas, esta contou-me o meu irmão e não me contive em risos:
Dizia-me que há alguns anos um jovem das Figueiras – uma das localidades mais encravadas do concelho da Ribeira Grande - lhe contara das dificuldades que ele e sua família tiveram que enfrentar em mais um ano de seca na ilha. A chuva não veio, os campos permaneciam ressequidos e o pouco pasto que ainda se podia encontrar estava tão tostado que as cabras negavam a comê-lo. Por mais que as alimárias tivessem fome não se mostravam dispostas a meter a focinheira no pasto, isto num claro desafio à máxima local segundo a qual “burro que tem fome ta cmê até córd”
Todo aquele que, na localidade, tivesse uma cabrinha estava desanimado porque nenhuma das criaturas dava sinais de querer suspender a “greve de fome”. Nem um pingo de leite para enganar o café preto as famílias conseguiam, já que as cabras, outrora leiteiras, estavam moribundas. Então, desesperado, que resolve fazer um dos moradores?
Arranja um punhado de garrafas verdes (daquelas que trazem vinho Tinto), corta-as em forma circular e com ares de arame fabrica alguns pares de óculos, bem especiais. Colocou um par nos olhos de cada cabra e não é que os bichos começam a devorar o pasto? Pois é, as cabras, coitadas, levadas pela ilusão de óptica, pensavam que a palha estava verde e devoravam tudo que lhes aparecessem pela frente. A partir daí começaram a restabelecer as parcas forças e até ressurgiu aquele pinguinho de leite para enganar o café.
Afinal, as cabras não só nos ensinaram a comer pedras como também nos obrigaram a fabricar óculos… especiais.
Pois, é o hábito tipicamente crioulo de brincar com a própria desgraça.
12 janeiro 2008
As "alminhas de porra"
São, seguramente, a espécie de ave mais pequena que existe em Cabo Verde. Acarinhado por uns, amaldiçoado por outros, os pardais (alminhas de porra como lhes chamaram os Cordas do sol) sempre fizeram parte da vivência do homem rural cabo-verdiano. Dzusperóds que nem “menino nascido na fraqueza de lua” como dizia Baltasar Lopes em Chiquinho, os pardais formam bandos e ficam a esvoaçar de propriedade em propriedade a cata de alimentos. Frutos, legumes, ervas, larvas, pequenos insectos, flores... tudo lhes serve de petisco.E é precisamente por causa da sua manhenteza que as vezes são uma autêntica dor de cabeça para os camponeses. Que o diga os agricultores do interior do Porto Novo que, neste momento, conforme o A Semana, estão a travar uma luta contra estas criaturas. É que os pardais estão a dizimar as colheitas de tomate e cenoura, deixando os agricultores de cabelos em pé.
Lembro-me de quando erámos obrigado a levantar bem cedo e ir às meradas guardar os pardais para que não destruíssem as plantações de milho, no momento em que estivessem a despontar do solo os primeiros raminhos. Era uma tarefa muito chata, primeiro porque tínhamos que antecipar o amanhecer, depois porque tínhamos que ser bem ágeis com as nossas fundas para poder acompanhar as constantes inversões de marcha dos bichinhos. Mas isso era apenas uma vez por ano, quando as sementes de milho estivessem a germinar, entre Julho e Agosto. O que acontecia o tempo todo era as assadas de pardais,
que montávamos depois de os caçar nas sorças feitas com latas de atum e laçadas de linha de nervo.Era um prazer dar nos dentes as canelinhas de kitch dos bichinhos e depois exclamar: “bsot ê dzesperod ma nos é que te cme bsot".
10 janeiro 2008
O combate à PDM
Aleluia, aleluia! O suspiro deve ter saído em uníssono e ecoado por todas as ribeiras, ladeiras seladas e cabeços da ilha. Os agricultores de Santo Antão vão poder, finalmente, comercializar seus produtos nas ilhas do Sal e Boa Vista, pondo fim a mais de vinte anos de quarentena por causa dos malditinhos milpés. Ahh, malditinhos não, são malditões! Imaginem, então, um bicho que resistiu mais de duas décadas à tudo e todos! Nem governos, nem governantes, nem presidentes, enfim nenhuma autoridade pôde, ao longo de todo esse tempo, arranjar forma de dominar o pirralho para assim poder levantar o embargo. Nem as antigas Milícias, nem as FARP, nem a POP e nem a PN conseguiu, ao longo de todos esses anos, barrar a passagem desses bichinhos na fronteira? Que força, hein!Agora que somos PDM vamos, finalmente, conseguir criar um centro de expurgo para a PDM. Não se assuste, este 2º PDM refere-se à Praga Dos Milpés.
05 janeiro 2008
Mar de canal
Terminou as curtas férias de Natal e fim-de-ano na ilha. Como é doloroso o momento em que se entra no hiace para galgar as colinas rumo a Porto Novo - a agora única porta da ilha (porta por onde diariamente saem e entram centenas de pessoas)!No dia 2 de Janeiro, ao ver as três embarcações que todos os dias fazem a ligação Santo Antão - São Vicente a se aproximarem, como que em fila indiana, do cais do Porto Novo, pus-me a pensar: - e se houvesse uma ponte a ligar as duas ilhas? Afinal, alguns dos desejos do António Ludjero Correia para Cabo Verde não são tão utópicos quanto
possam parecer.06 dezembro 2007
Paul, Casa do Escritor e... Oriente
Paúl esconde encantos, belezas, um potencial turístico enorme. Paul tem história, tem (agri)cultura...Paul encanta, por isso muitos que por lá passam, cantam-no.
E não será, certamente, por acaso que o "berço de Januário" poderá vir a albergar a Casa do Escritor. A ideia já foi lançada e, aos seus promotores - Vera Duarte, e AMIPAUL - Sinta10 levanta um aplauso e aproveita para propor uma viagem diferente ao concelho.
O Oriente no Paul
Ao reparar nesta foto me veio à memória a Grande Muralha da China. É certo que por esse caminho não chego a nenhuma muralha. Antes, esta vereda, que até parece transportar-nos para o além, leva-nos até algures em Santa Isabel, no concelho do Paul.
Não sei porquê, mas não consigo deixar de associar esta imagem à majestosa Grande Muralha. Salvaguardando, claro, as proporções.
E, já agora...
que dizer deste exemplo de interculturalidade?
O autor da 1ª fotografia é a personagem que agora aparece nesta 2ª. De nacionalidade chinesa, Kayo esteve em missão no Paul durante cerca de 5 meses, ao serviço do Corpo da Paz. Mas não vou falar dela. Falo da foto, da riqueza expressiva que a mesma encerra.
A cobertura da casa, as paredes em pedra seca, a porta e a sua fechadura, a escada de pau e o sôrron faz-nos mergulhar num Santo Antão profundo. Ainda, num primeiro olhar este mergulho no profundo poderá ser bruscamente interrompido pelo “elemento estranho” – o chinês. Mas, um olhar mais demorado desvenda, em vez de um “ruído”, um exemplo de perfeita comunhão de povos, de integração onde eu te dou e tu me dás. Os chinelos que aparecem em cima da escada são um produto chinês, trazido pelos comerciantes. O nativo comprou-os usa-os no dia-a-dia. De tanto utilizá-los, teve que aplicá-los alguns pontos para aumentar a sua durabilidade. E é provável que tenha usado linha de cisal preparada a partir da planta que cresce nos cumes das montanhas da ilha.
Já, o sorron nas costas da chinesa é bem nosso. Só não sei se nessas costas o mesmo terá seguido viagem até ao oriente. Quem sabe!?
14 novembro 2007
PASSAGEM: SOS na primeira pessoa
Mas estou revoltado: é que já estive bem melhor. A minha piscina, meu ex libris, está feinha, meus canteiros já não têm ervas verdejantes. Porque será que estão e destratar-me desta forma, eu que já servi tanta gente, sem olhar a quem!!!" Don't forget me, please! I'm (was) so nice!
04 novembro 2007
A Ordem do Dragoiro (coisas escondidas de Santo Antão II)
Continuo a reivindicar o direito de Santo Antão ser (também) considerada a ilha do dragoeiro. Quero ver os folhetos turísticos sobre a ilha dizendo que é (também) ilha que alberga essa planta milenar e endémica de Cabo Verde
Ainda espero ver na capa de uma revista tipo FRAGATA, numa edição sobre Santo Antão, uma grande fotografia do dragoeiro santantonese, essa planta tão simbólica... que, inclusive, dá nome a um tipo de condecoração, das mais prestigiantes de Cabo Verde.
Dragoeiros no Vale do Paul03 novembro 2007
À propósito de caminhada... (à ti, Paulino)
A descida prossegue, estamos a atravessar a Passagem – um dos cartões de visita do Vale de Paúl, ou mesmo da ilha. Primeira desolação da caminhada: este outrora joia da ilha está em decadência, está abandonado… incompreensivelmente! A piscina está estorricada, parece que há muito tempo não viu água (entretanto um forte caudal passa na ribeira ao lado). Os canteiros onde antigamente havia ervas verdejantes estão desertos, só se vê terra, no entanto as flores selvagens das buganvilhas, estas persistem, talvez por não dependerem tanto do cuidado dos humanos. Bem, prosseguimos a caminhada pois Passagem não está tão atraente como antigamente. O próximo ponte de passagem é a cachoeira.
Deixamos a cachoeira rumo à vila das Pombas, que é onde teríamos que apanhar o carro rumo ao ponto de partida – Ribeira Grande. Pelo caminho, muita vegetação, muita admiração, e ainda muita estrada por andar. Pudemos desfrutar da beleza de um dos recantos mais lindos do país; ver uma riqueza paissagística onde abunda cana de açúcar, bananeira, mangueira, papaeira, inhame, e até dragoeiro (essa tal planta endémica de Cabo Verde, que só existe em São Nicolau (?)) Mas também vimos mulheres a lavarem roupa nas águas que correm pelas ribeiras (imagem hoje em dia pouco comum); vimos meninos a saltarem, de cabeça, de grandes altitudes para depois murgulharem como peixe no fundo dos tanques (como o Groguinha lá no tanque de Marrador, Paulino; ouvimos o chirlear de pardais, sentimos o cheiro da terra fertil, enfim…
27 outubro 2007
Sete maravilhas de Sintadez
1 - Vale do Paúl
2 - Cova
3 - Topo de Coroa
4 - Fontaínhas (incluindo sua via de acesso)
5 - Estrada Porto Novo - Ribeira Grande (com a floresta de Água ds Caldeiras e o Delgadinho)
6 - Ponto de canal
7 - Os montes de Ribeira da Torre (Topo de Miranda e Lombo de Pico)
Outras sugestões? Novo sete?
11 outubro 2007
Coisas escondidas de Santo Antão (I)
Á semelhança da ilha do Fogo, Santo Antão produz o seu quinhão de café. Embora sem a expressividade da ilha do vulcão, Santo Antão pode gabar-se de poder beber café produzido no seu próprio torrão; gabar-se de também poder cultivar um dos produtos mais apetecidos em todo o mundo. As regiões altas de Lombo Branco, Pinhão, Monte Joana, Matinho de Leste (concelho da Ribeira Grande) e outras tantas no concelho do Paúl foram outrora locais de grande produção do café, sendo que ainda hoje se cultiva este produto, embora de forma menos intensa. Quem caminhar pelas entranhas de Monte Joana, Ribeirão
Grande, Cidereira e outros locais do Planalto Leste encontrará ainda os famosos lédris (grandes espaços cercados por altos muros de pedra seca, onde se fazia a secagem do café). Hoje, muitos desses espaços encontram-se abandonados em ruínas ou então são usados como estábulos para animais. Mas quem ainda hoje quiser conhecer uma extensa plantação de café na ilha, aconselho-o a caminhar até Róiód, um pequeno vale, muito interessante, situado na parte mais alta de Pinhão (no cabeço). Com uma orografia que faz lembrar a famosa Cova, Róiód ainda conserva milhares de pés de café, e alguns casebres em ruinas. Vale a pena visitar o lugarejo, sobretudo se for na época das chuvas. Mas atenção, a que ter canela pa escanelá à pé. 
"Crú doce, czid morgozo" (adivinha popular alusiva ao café)
Cafeeiros em Santo Antão
Cabo de Ribeira, Paúl
Fotos: BCN (Set. 2007)




