| Tôp de M'Randa visto de Tômbor (Pinhão) |
26 dezembro 2012
Nhe Rbêra na Tela
09 novembro 2012
CORVO E O ENCANTO DE UM RECANTO ISOLADO
Sempre que estou de
ferias na minha ilha não resisto em dar uma passadinha no Corvo, o tal lugarejo
que me encantou e pelo qual me apaixonei desde a primeira vez que visitei o
local, em 2001, levado por uma colega de turma do liceu, que me integrou numa
comitiva de jovens da igreja católica em trabalho social naquela comunidade.
Aquela antiga colega do Liceu Suzete Delgado hoje é minha mulher.
Confesso que sou um
apaixonado por lugares recônditos, onde não vão os carros. Não sei de onde veio
esta paixão meio invulgar, mas certo é que recantos desse tipo me fascinam. É
sempre uma delícia para os meus olhos verem a água cristalina a fluir
barulhenta por entre os inhames, poder ver os patos que fazem dos pequenos
lagos seus mundos, ouvir à noite o barulho dos sapos, e dos grilos, porque
ainda os há no corvo. As gentes do Corvo são muito acolhedoras, gente bonita e
alegre, de fino trato.
Corvo é um retiro....
Estar no corvo é poder ter um reencontro com aquele mundo que recordamos com saudades
e que costumamos dizer que já não existe. Aquele mundo da simplicidades e da
pureza, aquele mundo onde ainda se deita com as portas e janela abertas para se
poder desfrutar da brisa fresca que vem do mar ali bem pertinho. Corvo é
encravado, mas tirando a falta de estrada que acho que ninguém dá por isso, há
energia electrica 24 horas por dia, há telefone... Há muita água, doce e
salgada. De um lado retira-se da terra toda a casta de verdura e do lado de lá,
o peixe para completar a panela sempre ao lume. Corvo é um retiro, corvo é um
encanto. Sempre que lá vou e passo dois ou três dias, sei que no regresso à
azáfam do meu quotidiano conto com a garantia de mais uns aninhos de vida. Mas
não posso deixar de fazer referência ao caminho que nos leva até corvo. De ponta do sol, passando por fontainhas (até posso ir de carro mas a
"manha" de fotografar sempre me faz despensar as 4 rodas); depois de
fontainhas até corvo, obrigatoriamente à pé, é um fascínio indescritível. Amo a
minha ilha, caramba!
16 agosto 2012
Kérrin de Lata
Esta imagem fez-me recordar a minha infância em Santo Antão. Tempos de kérrin de lata, eram as nossas preciosidades, que não danificávamos por nada deste mundo. E até eram submetidos à rigorosos planos de manutenção, qualquer roda frôxe, qualuer orça duro, tud era cuidód ao mínimo pormenor, nós tínhamos os nossos próprios ITAC's, hhehehe.. Havia muito tempo que não via uma imagem como esta, deparei-me com este cenário algures na Cidade de Nova Sintra, na Brava e não resisti! Hoje, as lojas chinesas acabaram com tudo e as nossas crianças já não desenvolvem essa criatividade, são muito mais passivas. Na nossa infância lá na ILHA, todos nós tentávamos ter a nossa criação própria. Mas verdade seja dita, havia os gurus na materia, que aranjavam cada preciosismo!!! Lembro-me do Idelson que, por exemplo, colocava luz electrica nos carrinhos, com um sistema alimentado por caixas de pilha. Nhe irmon Rui também era um escrét n'assunt0, e era versátil: fazia além de carros, barquinhos, estatuetas de barro, tubarões de chifres, enfim
11 maio 2012
Péd K'Sórola
Ao encontrar no Facebook esta foto, publicada pelo Rui Neves, nhe broda, fui aos arquivos do Sinta10 resgatar um dos artigos dedicados às figuras da ILHA. Uma das edições era dedicada à Péd K'Sorola. Eis um update do post, agora com direito à foto do Péd.
Ribeirinha de Jorge, uma das zonas do
vale da Ribeira da Torre, é um lugarejo fértil em pirraças. Arrisco-me
até a dizer que deve ser das zonas da ilha com mais "figuras" por metro
quadrado. Péd K'sórola é um deles. Amante do seu kékin e do cancân, chegou a dizer um dia que iria dixar de beber ponche porque essa bebida tava estód te feze'l kustipód, (não é assim, Rui?)
Mas, não é disso que vou falar,
até porque cedo Péd pôde se aperceber de que não era esse derivado de
"água de cana" que lhe causava constipação, mas sim o uso excessivo.
Pois bem, Péd gosta das
telenovelas, mas como é muito crítico, vê cada episódio sempre a
comentar, o que as vezes irrita aqueles que estão por perto e que
normalmente tendem a ficar hipnotizados ao passar de cada cena. Certo
dia, Péd K'Sorola ouve o anúncio de que a próxima telenovela da noite na
Televisão Nacional passaria a ser "Anjo Mau". Na sua qualidade de
crítico, Péd ficou muito desiludido e, com cara de poucos amigos,
barafustou:
- "Anjo Mau?
Aaaanjo mau? Am porrra om, Bsot é mut palhaço, condê q'ónje foi móu??? Mi'n séb ukiê
que bsot tem ne kébeça! Antes era "Suave Veneno" (condê que veneno foi
suave??), agora é "Anjo Mau". Ammm, bsot é mut palhaço!!! mim kólker dia um te dtchá d'oiá exe perkéria, es ti te vrá mut levióne, te trocá rielidéd de cosa."
Bem, mim, nhó boca e'n esteprei, se bsot oiá algum ponto acrescentód, e'n nê mim! Nem sempre quem te contá um conto te acrescentá um ponto. kkkkk
04 maio 2012
Sodéd
| fotos: BCN |
As vezes dá-me vontade de deixar a cidade e ir morar numa casinha assim, lá na ilha. Sentir o cheiro da terra, o murmúrio das árvores a cantar ao sabor do vento, juntamente com os passarinhos... enfim, seguir uma vida de um simples lavrador.
Como diz aquela música popular brasileira "um caipira na cidade, se do sertão sentir saudade, perde o gosto de viver". Ainda hei-de voltar ás origens.
24 abril 2012
Encontro de Estudantes de Santo Antão, em Portugal
Adorei a iniciativa que alguns jovens da ILHA tiveram em Portugal. Promoveram no último fim-de-semana o "Primeiro Encontro de Estudantes de Santo Antão". É este tipo de pro-actividade que precisamos qpara que as nossas ilhas, regiões, comunidades... possam desenvolver-se.
Segue um olhar detalhado das incidências do Encontro, pela Articulista do A Semana, em Portugal, Otília Leitão. Confira aqui
Segue um olhar detalhado das incidências do Encontro, pela Articulista do A Semana, em Portugal, Otília Leitão. Confira aqui
27 março 2012
NHA ZIDORA
| Nha Zidora (Foto: BCN) |
Neste dia em que muito se fala da mulher cabo-verdiana, lembrei-me desta grande senhora, que muito fez para ajudar a minha mãe a criar uma caterva de filhos, hoje todos homens e mulheres feitos.
O peso da idade e das agruras por que passou nesta vida vai carcomendo-a pouco a pouco. Dela ouvi relatos da viagem e dos contratempos que ela e muitos outros conterrâneos passaram em São Tomé; dela ouvi contar episódios que muitos santantonenses, em plena década de fome, passaram, e da afronta que experimentou para chegar à Praia Formosa, à cata de alguns grãos de milho do barco que por lá encalhara.
Muito obrigado, Nha Zidora. És o retrato fiel da tenacidade da mulher cabo-verdiana, da mulher da ILHA.
15 março 2012
Sinais
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| Ponta do Sol com calçada antiga (Foto BCN) |
Estive a pensar, das cidades-vilas ou vilas-cidade que conheço neste país, (só não conheço Nova Sintra e Santa Maria), Ponta do Sol deve ser daquelas que menos sinais de trânsito tem. E não é, de certeza, daquelas com menos transito!
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| Foto (BCN) |
| Foto BCN |
13 março 2012
Adeus, Calú
| Varzinha (Foto BCN) |
A comunidade de Varzinha e Lombo de Pedrene, a Ribeira da Torre no geral, está triste com a morte precoce de Calú de Jorgina. Um jovem que perdeu a vida exactamente na estrada que há duas semanas era inaugurada, para o contentamento dos habitantes do vale, que agora se gabam de ter a primeira estrada asfaltada do concelho.
Sei que, quando alguém morre, o discurso tende a ser sempre o mesmo, mas certo é que guardo boas recordações do jovem. Não consigo deixar de pensar numas gargalhadas impressionantes que o Calú um dia dava insistentemente la ne club d'Montanha, perante algumas cenas de teatro dançante do meu irmão Jair. Ele era muito amigo da malta de Ribeirinha de Jorge e chegou mesmo a integrar a equipa da zona, Montanha. Estamos muito tristes. Vou lembrar sempre daquelas gargalhadas, soltas, despreocupadas, e infinitas naquela noitinha lá ne Fundo de Morés, Calú.02 março 2012
D'pôs d'Carnaval
Não sou propriamente um grande apreciador do Carnaval, mas confesso que fico maravilhado com os andores que se apresentam nos desfiles, nalguns lugares mais elaborados que outros, é certo, mas sempre reveladores de muito talento. Desde diazá que oiço falar na necessidade de se criar museus ou coisa parecida para preservar parte dos trabalhos (autênticas obras de arte) que se produzem por ocasião da festa do entrudo. Ouvi este ano o Ministro da Cultura a dizer, em São Nicolau, que talvez a melhor opção seja conservar alguns trabalhos em miniatura e guardar parte das peças (trajes, por exemplo).
Adorei aquilo que fizeram na Ponta do Sol, há poucos anos atrás. Recuperaram este andor, deram-no um tratamento especial e com muita imaginação colocara-no por cima da ilhota la na Prainha. O mergulhador deu uma grande style à Prainha, sim senhor, pa!
23 janeiro 2012
A Outra Face da Lei em imagens... e 2 plévrinha
| Cenas d'A Outra Face da Lei (Fotos: BCN) |
Não cheguei a encontrar os célebres tribunais populares, ou de zona, mas cresci a ouvir falar deles, e as vezes quando se referem à esses tribunais até fico com a sensação de ter convivido com eles. Histórias famosas ficaram associadas aos tribunais de zona, muitas com uma boa dose de anedotas, é certo. Desde aquele burro que, por devorar as plantações de uma horta de um fulano, foi condenado à prisão (quer dizer à estábulo) perpétua; passando por aquele cão que por ter mijado numa rua "proíbida" foi-lhe dado a sentença de não passar naquelas redondezas durante uns três meses. (aliás o juiz do tribunal popular da peça A Outra Face da Lei vangloria-se disso mesmo como tendo sido um dos seus feitos que mostram que ele não atura desaforos).
A Outra Face da Lei fez-me viajar pela minha ilha adentro (é impossível não fazer este exercício, inconsciente até, sempre que assisto á uma peça do Juventude em Marcha). Com o julgamento de Aníbal, por exemplo, lembrei-me daquele fulano lá de Lugar de Guene (contemporâneo dos meus irmãos mais velhos) que foi condenado lá no tribunal de nho Iszê M'guêl a uns dezenas de palmatórias por ter tród Nhô Móne um vento méf que ninguém tava podê suportá. (um buf, entende-se).
A peça apresentada este sábado (21 Janeiro) na Assembleia Nacional revela mais um trabalho de intensa pesquisa por parte do Juventude Em Marcha De todo o modo, penso que na parte final, os largos minutos de "terror" poderiam ser amainados. É certo que a intenção é boa, castigar duro para que depois haja redenção, mas para quem tem medo de gongon...
... ainda por cima agora que se volta a falar dos outrora famosos e temíveis "Monçongos"! Afinal, os "Monçongos", que já estavam em vias de extinção, parece que ressuscitaram (é, pelo menos, o que tem sugerido alguns jornais ca do burgo)
... ainda por cima agora que se volta a falar dos outrora famosos e temíveis "Monçongos"! Afinal, os "Monçongos", que já estavam em vias de extinção, parece que ressuscitaram (é, pelo menos, o que tem sugerido alguns jornais ca do burgo)
OBS: Há dias, numa entrevista à RCV Jorge Martins disse que o Juventude em Marcha deve ser chamado de Juventude em Marcha de Cabo Verde e não apenas de Santo Antão porque, segundo o actor, lá onde estiver, o grupo representa o país inteiro. Já bsót séb!
10 janeiro 2012
Mais tela para Juventude em Marcha
| Cena da peça "Chuva Braba" Foto: BCN |
De acordo com Jorge Martins, Órfãos do Penedo e À Deus o que é de Deus, ao Diabo o que é Diabo são as duas obras que vão ser adaptadas ao pequeno ecrã, tendo garantido que já estão sendo ultimados os preparativos com vista à realização das filmagens, que terão a coordenação do realizador cabo-verdiano, Carlos Freitas.
19 dezembro 2011
... e morreu a esperança de ver Cise na Ribeira da Torre
Com a morte de Cesária Évora desvaneceu-se, para sempre, o sonho de ver a diva a actual no vale da Ribeira da Torre, em meio a luxuriante vegetação. Uma ideia que partiu do Paulino Dias e que, depressa, ganhou forma. Aliás, o mega-evento só não chegou a acontecer no passado dia 03 de Dezembro porque, entretanto, dois meses antes Cise retirara-se dos palcos, por aconselhamento médico.
Todos os filhos do vale já estavam entusiasmadíssimos e não viam a hora de chegar o 03 de Dezembro.
O anúncio da sua retirada dos palcos baralhou tudo, mas ainda mantinha acesa a nossa esperança de ver esse concerto de sonho realizar-se. A morte matou a esperança... Até sempre, Cise!
14 dezembro 2011
Concêi dód desprezód...
Os problemas enfrentados no início das obras da estrada de penetração do vale da Ribeira da Torre deveram-se à "falta de conhecimento mais profundo da realidade concreta da Ribeira da Torre, da história das suas cheias e a ausência de diálogo com os antigos construtores das obras de correcção torrencial no Vale, na altura da elaboração do projecto"
João Ferreira, representante do Ministério das Infra-estruturas, em Santo Antão, dixit!!!
Na minha infância, e até hoje na Ilha, ouve-se os mais velhos dizerem que "concêi dód desprêzód ê meldçôn de Kéin". Ou seja, o ditado refere-se a uma passagem na Bíblia segundo a qual Caim teria assassinado o seu irmão Abel, naquilo que a crença cristã reza como sendo o primeiro homicídio da história da Humanidade. A moral do ditado é que um conselho desprezado pode redundar-se numa tragédia.
| Cheias de Setembro deste ano na Ribeira da Torre (Foto: BCN) |
Pois bem, quem nasce e cresce nos meios rurais muito cedo aprende a "ler" os sinais da Natureza, os caminhos que as cheias trilham ou podem trilhar, o que é mais ou menos seguro e imune às enxurradas, enfim, um abecedário que se aprende sem ser preciso ir parar aos bancos da escola.
Tudo isso para manifestar a minha estranheza em relação àquilo que acabamos por ficar a saber através do representante do Ministério das Infra-estruturas em Santo Antão, citado pelo Asemana on line aqui. O senhor João Ferreira confessa que "a falta de conhecimento mais profundo da realidade concreta da Ribeira da Torre, da história das suas cheias e a ausência de diálogo com os antigos construtores das obras de correcção torrencial no Vale, na altura da elaboração do projecto" estiveram na origem dos problemas enfrentados no início das obras.
INACREDITÁVEL e INACEITÁVEL! Como é possível?!! Perguntei assim que li a afirmação. Então, para se avançar com obras do género não é preciso antes elaborar estudos? Acho que é assim que se recomenda, quanto mais não seja, no caso em apreço, para se saber qual é a realidade do vale, bem como da história das suas cheias.
Logo que as obras começaram a ganhar forma, com a construção dos muros e dos aquedutos, muitos eram os comentários que se ouvia entre os habitantes da Ribeira da Torre, sobretudo os mais velhos que, sem hesitar, vaticinavam que algumas partes da estrada estariam condenadas ao fracasso. Houve quem tivesse dito: "amox, kel êlgar lacin, ne 1960 e tal, aga levél tudo om; kel ot rócónt lá, escôrroço lêmbê'l tud ne 1984... ógora oiá kmênera jas passá um estrédinha lá, es n séb ukiê kes te nê el ma Neturéza en de brincá!!".
O Sinta10, atento à a essas conversas de Nhu Naxu, ia captando o sentimento dos "visionários" da minha ribeira e de quanto em vez postava uma coisinha por cá. Por exemplo, já ainda em 2008, em pleno mês de Setembro começaram as obras das duas pontes da Ribeira Grande. Naturalmente, vieram as cheias de Outubro e levaram o que já tinha sido feito. Na altura num artigo publicado neste blogue escrevemos: "muitos, sobretudo aqueles sem estudo nem canudo, mas com experiência adquirida na escola da vida, já tinham previsto esta situação."
O mau prenúncio estava então lançado. O que aconteceu exactamente 2 anos depois, em Outubro de 2010, veio mostrar que os mestres e doutorados da Escola da Vida, muitos dos quais nem sabem assinar o nome, devem ser sempre tidos em conta, senão a tal máxima do Caim (kéim) encontra razões para se gabar da sua infalibilidade. Servirá isso de lição?
Tudo isso para manifestar a minha estranheza em relação àquilo que acabamos por ficar a saber através do representante do Ministério das Infra-estruturas em Santo Antão, citado pelo Asemana on line aqui. O senhor João Ferreira confessa que "a falta de conhecimento mais profundo da realidade concreta da Ribeira da Torre, da história das suas cheias e a ausência de diálogo com os antigos construtores das obras de correcção torrencial no Vale, na altura da elaboração do projecto" estiveram na origem dos problemas enfrentados no início das obras.
INACREDITÁVEL e INACEITÁVEL! Como é possível?!! Perguntei assim que li a afirmação. Então, para se avançar com obras do género não é preciso antes elaborar estudos? Acho que é assim que se recomenda, quanto mais não seja, no caso em apreço, para se saber qual é a realidade do vale, bem como da história das suas cheias.
Logo que as obras começaram a ganhar forma, com a construção dos muros e dos aquedutos, muitos eram os comentários que se ouvia entre os habitantes da Ribeira da Torre, sobretudo os mais velhos que, sem hesitar, vaticinavam que algumas partes da estrada estariam condenadas ao fracasso. Houve quem tivesse dito: "amox, kel êlgar lacin, ne 1960 e tal, aga levél tudo om; kel ot rócónt lá, escôrroço lêmbê'l tud ne 1984... ógora oiá kmênera jas passá um estrédinha lá, es n séb ukiê kes te nê el ma Neturéza en de brincá!!".
O Sinta10, atento à a essas conversas de Nhu Naxu, ia captando o sentimento dos "visionários" da minha ribeira e de quanto em vez postava uma coisinha por cá. Por exemplo, já ainda em 2008, em pleno mês de Setembro começaram as obras das duas pontes da Ribeira Grande. Naturalmente, vieram as cheias de Outubro e levaram o que já tinha sido feito. Na altura num artigo publicado neste blogue escrevemos: "muitos, sobretudo aqueles sem estudo nem canudo, mas com experiência adquirida na escola da vida, já tinham previsto esta situação."
O mau prenúncio estava então lançado. O que aconteceu exactamente 2 anos depois, em Outubro de 2010, veio mostrar que os mestres e doutorados da Escola da Vida, muitos dos quais nem sabem assinar o nome, devem ser sempre tidos em conta, senão a tal máxima do Caim (kéim) encontra razões para se gabar da sua infalibilidade. Servirá isso de lição?
25 novembro 2011
Frékéza!!! O outro lado do país real
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| Foto: BCN |
Em Porto Novo, na Ribeira das Patas, fica a única escola secundária do interior do concelho. Alberga perto de quinhentos alunos, quase todos, cerca de 98 porcento, pertencentes a famílias muito carenciadas que vivem espalhadas pelas diversas comunidades do disperso concelho do Porto Novo, um dos mais pobres de Cabo Verde.
A larga maioria dos estudantes do liceu da Ribeira das Patas enfrenta sérias dificuldades para assistir todos os dias às aulas. Dificuldades que muitas vezes são tão básicas como chegar à escola e começar as aulas sem terem feito qualquer refeição.
Ora, é esta difícil situação que a direcção da escola quer agora inverter, através de um projecto inovador… mas também ousado. O Liceu da Ribeira das Patas está a procura de parceiros para garantir, pelo menos, uma refeição diária a cerca de duzentos e vinte e dois alunos (os mais carenciados do 7º e 8º anos). Quem está a frente desse projecto é Alciolinda Baptista, Sub-directora Pedagógica para os Assuntos Comunitários e Sociais da Escola. A responsável disse-nos estar já há 3 anos a trabalhar naquele estabelecimento escolar e diz ter presenciado casos de alunos que, durante as aulas, não conseguem concentrar-se por estarem sem comer. No entanto, esclarece Baptista, esta ideia surgiu com o antigo director, Rufino Évora, e agora a nova direcção do liceu pretende avançar com a iniciativa.
O projecto estava previsto arrancar neste mês de Novembro, mas, por falta de financiamento, não foi possível. Por enquanto sé a FICASE já se comprometeu em dar algum apoio ao nível dos géneros alimentícios. O liceu está a espera ainda do feed-back de outras instituições que foram contactadas. Caso houver respostas positivas, os alunos carenciados do liceu da Ribeira das Patas poderão começar a ter uma refeição quente a partir de Janeiro, disse Alciolinda Baptista.
O projecto estava previsto arrancar neste mês de Novembro, mas, por falta de financiamento, não foi possível. Por enquanto sé a FICASE já se comprometeu em dar algum apoio ao nível dos géneros alimentícios. O liceu está a espera ainda do feed-back de outras instituições que foram contactadas. Caso houver respostas positivas, os alunos carenciados do liceu da Ribeira das Patas poderão começar a ter uma refeição quente a partir de Janeiro, disse Alciolinda Baptista.
Para os mais de duzentos e vinte alunos carenciados a serem contemplados nesta 1ª fase com uma refeição quente, um simples gesto seu pode significar muito para eles. A subdirectora pedagógica para os Assuntos comunitários e Sociais da Escola Secundária da Ribeira das Patas deixa um apelo a quem quiser ajudar esses alunos, que o faça, nem que seja com géneros alimentícios.
É o outro lado do país real. Será que no liceu há alunos desta zona????
É o outro lado do país real. Será que no liceu há alunos desta zona????
04 novembro 2011
Elefantes e... moscas
O Jornal A Nação traz na edição desta semana uma matéria sobre o Centro de Expurgo de Santo Antão. O"Elefante Branco" conforme o jornal chama a infra-estrutura, completou no mês passado um ano inaugurado e até agora está lá às moscas. No mestê sotá kes mosca pá, aliás, no mestê sotá mil pés também... tónt bitxe, porra!!!
A propósito, em que pé está o projecto da Universidade Agrícola para Santo Antão?
12 outubro 2011
04 outubro 2011
A Pareidolia na minha ILHA
A minha ILHA, a chamada Ilha das Montanhas, tem rochas de todos os feitios. Por estes dias andei a fotografar aquelas que fazem lebrar figuras outras como pessoas ou animais. Estive dois dias "escondido" na encravada localidade de Corvo. Aproveitei e fui redescobrir Formiguinhas, uma década depois de lá ter ido pela primeira vez. Visitei a escola local, um pólo que também recebe os alunos do Corvo. Para este ano lectivo são, ao todo, 23 alunos do 1º ao 6º ano. O contacto com as crianças foi fascinante (o olhar delas cativa o visitante e grande parte tem olhos verdes e cabelos louros).
O percurso, à pé, Fontainhas-Corvo-Formiginhas é fascinate, embora algo cansativo para aqueles que não estão muito habituados a grandes caminhadas. Descobri muitas figuras. Um caso extraordinário de Pareidolia, ... e fiz fotografias:
| Fotos: BCN |
Nota: Durante as férias na ILHa fiz filmagens e entrevistas na região Corvo e Fromiguinhas. As duas localidades vão ser tema de uma das edições do programa televisivo Regiões, a ser emitido oportunamente na TCV.
29 setembro 2011
16 agosto 2011
O desportivismo "sueco": Viva Santo Antão!!!!!!!
A selecção de Santo Antão chega pela terceira vez consecutiva à final da Taça Independêcia (torneio Inter-ilhas). Apesar de não ter conseguido, em nenhuma das ocasiões, conquistar o troféu, não deixa de ser assinalável esse feito. Primeiro, porque é a única ilha a conseguir atingir essa marca (alcançar a final por 3 vezes seguidas). Segundo, porque no xadrez das nove selecções, Santo Antão até 2007 nunca era tida, à partida, como uma candidata ao título, num cenário onde sempre o triângulo Santiago, São Vicente e Sal afiguraram-se como as "eternas favoritas".
Na projecção do jogo da última final, mais uma com Santiago, um dos responsáveis da caravana santantonense, José Candeias, afirmava categoricamente que à comunicação social que "à terceira vai ser de vez!", já que marcaria "o fim de um ciclo". Bem, não concretizou o "profecia" do Candeias, esse antigo guarda-redes da selecção verde, mas ficou demonstrado, mais uma vez, que há muita qualidade no desporto que se pratica na ilha.
E por falar em qualidade do desporto santantonense, que dizer dos resultados alcançados no ténis? Ora, no mesmo fim-de-semana em que Santo Antão carimbava o passaporte para mais uma final do Inter-Ilhas, acontecia na mesma cidade, Praia, o Campeonato Nacional de Ténis, com os atletas Samuel Lopes e Nélida Miranda, ambos da localidade Afonso Martinho a conqusitarem o título nacional em masculino e feminino, respectivamente. São sinais claros de que o desporto em Santo Santão está a atravessar um momento muito interessante, pelo que é preciso apostar muito mais nessa área, pois está provado que há todo um potencial que vale a pena ser explorado de forma metódica e sistematizada.
Foi maravilhoso ver a forma humilde como os tenistas vencedores expressaram o seu contentamento, sem qualquer tipo de sobranceria ou desprezo pelos adversários. Não menos "deliciosa" foi a forma como os finalistas derrotados da Taça Independência encararam e digeriram a derrota, colaborando, inclusive, com os santiaguenses na festa. Um show que já tinha sido visto há dois anos em Porto Novo, quando os adeptos, mesmo depois da expressiva vitória de Santiago por 4-0, continuaram a festa com um Colá Sonjôn efusivo nas bancadas. Que lição de desportivismo!
Nos tempos em que o fair-play tem sido recorrentemente atropelado, com cenas, as vezes, lamentáveis nos palcos desportivos, precisamos todos ir à grande ILHA aprender um bocado do modus operandi dos Santantonenes nesta matéria. Que a moda permaneça e se expanda.
21 julho 2011
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