31 julho 2007

Top de M'randa

Topo de Miranda (ou Top de M'randa num bom vernáculo) é a designação desta emblemática torre. A elevação, que originou o nome do vale da Ribeira da Torre, inspirou também um grupo de jovens das comunidades de Longueira a Chã de Arroz, que há pouco mais de um ano fundaram uma associação - a Associação "Top d'Miranda" - para encontrar parcerias para intervir em diferentes áreas como educação, cultura, desporto, saúde, habitação social e ambiente... e assim promoverem o desenvolvimento do vale.
Na semana passada ouvi, através da RCV, que a Associação estava a promover uma campanha de limpeza ao longo da ribeira. Boa!

Inspirando numa canção que não sei quem é o autor, digo:
"Ó Top de M'Randa (torre) bo quê mas grandi, bo pidi pa Deus, pa thcuva bem, pa que nos vale fica sempre verde...
Mas também para que os dirigentes deste país olhem mais para aquele que é um dos principais celeiros da ilha, e não só. Nem que for só um estradinha, pa ca pesá na.... (Lura ta completá)
Fotos: 1ª - NATO /2ª - BCN
Nota de rodapé: Na recente visita do grupo parlamentar do PAICV a Santo Antão, Kaká Barbosa e seus pares afirmaram/escreveram que Santo Antão é "Santanháco ilha". Bem, não sei se visitaram Ribeira da Torre, mas se por lá tiverem passado, certamente que terão dito que o vale é ... santanhaquinho!!! Só falta santanhacar a sua estrada de penetração.
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09 julho 2007

Linga de Sintonton

Linga de Sintonton ê um sóbura, flód na moda de nh’ovô, e’m te uvil n’uvid el te zni’m séb” - Quem o diz é o agrupamento musical Cordas do Sol, no seu primeiro CD "Linga de Sintonton".
Mas este
post não pretende falar deste grupo que tanto tem divulgado, através da música, os costumes de SINTA10. Este post é dedicado à sua língua, ou melhor, linga.

De vez em quando dou uma passadinha ao
Dôs Dede de Conversa para ratchá um bocód de Sintonton (na sua forma mais pura). Confesso a minha dificuldade em, de vez em quando, ler sem desembaraço algumas passagens dos textos (logo eu, nicid, criód e feito moço na ilha).
A minha dificuldade não está na falta de conhecimento de determinadas expressões ali empregues mas sim na capacidade de ler com desenvoltura esta ou aquela cadeia de letras que dão forma às palavras (não estamos acostumados com essa escrita)

Durante muito tempo permanceu entre os habitantes da ilha um certo “complexo” que os impedia de ratchá sês linga onde quer que estivessem. Hoje creio que a realidade é bem diferente. Passo numa rua qualquer desta cidade oiço linga de sintonton, vejo alguém a falar para a TV, no Sal, em São Vicente, oiço linga de sintonton, enfim a variante da ilha agora não se confina a 779 km2. Será a globalização? Eu diria glocaboverdianização.
Creio que esta afirmação da linga de Sintonton entre seus pares muito se deve ao teâtro (Juventude em Marcha) e à música (Grupo Porto Grande) que entre os meados dos anos 80 e inícios de 90 tiveram a coragem (?) de a trazer à ribalta (sem complexos)

Abro aqui um parêntesis para falar um pouco desse grupo que era formado por santantonenses a residir em Mindelo, que fez bastante furor nestas ilhas com as suas canções 100% Sintonton e imbuídas de humor. Quem não se lembra por exemplo do Méria czê q bo tem, do "Tchuva de 84" e outras tantas composições a retratarem o quotidiano do Santo Antão profundo? Infelizmente o grupo entrou numa hibernação profunda sem antes ter gravado qualquer disco, que pena! Mais tarde surgiram outros grupos musicais que apostaram na linga de Sintonton: Cordas do Sol, Irmãos Unidos, Mix Cultura… todos já com CDs gravados
(Para fechar o parêntesis prometo futuramente um
post mais detalhado sobre o saudoso grupo Porto Grande)

Voltanto ao Dós Déd de Conversa, é deveras interessante ter um espaço onde apenas se escreve na Linga de SINTA10. Infelizmente, há muito que o Boltchôr Pólina não publica nada por lá (uquiê quê fet de bo, répés???)

22 junho 2007

Festival Nacional de Violino

O festival Nacional de Violino voltou à ilha. Tal como haviam anunciado os organizadores, o evento não ficou pela primeira edição que aconteceu no ano passado. A segunda concretizou-se no passado fim de semana. Ocasião para se reunir violinistas de todas as ilhas e da diáspora (Foram 25) numa confraternização excepcional, porém rara nestas ilhas onde "em cada 10 habitantes 11 toca um instrumento" (alguém escreveu isso algures, já não me lembro onde o li)
Para quem, como eu, fica rendido aos acordes de um violino a ecoarem a partir de um bar qualquer nesta cidade onde isso é coisa rara, assistir em dois dias as "serradas" de uma tropa de 25 viloinistas é verdadeiramente encantador. Infelizmente, por inerência desta minha condição de migrante, nunca pude desfrutar in loco desse encanto.

Defronte o emblemático edifício da Câmara Municipal da Ribeira Grande os homens de Rebeca arancam das cordas melodias muitas vezes nostálgicas capazes de evocar mil sentimentos nos presentes (e de repente me vem à cabeça a imagem, que vi na TCV, de duas senhoras de pés descalços na calçada, a deliciarem lapadas uma na outra, as sonoridades de uma melodia. A ternura com que as duas idosas davam os passos me fez pensar que no momento lhes passavam pela cabeça recordações de tempos outros, de serenata debaixo de janela, certamente)

Este ano o festival homenageou Nhô Joãozinho Alves, pai de uma turma de músicos. No Ano passado foi Nhô Kzick, que é aliás o patrono do festival. Com este evento que parece querer mesmo perpetuar, o falecido violinista das Fontainhas será sempre recordado. Mas também outros que já não estão entre nós serão sempre evocados, casos do Travadinha (também da ilha), Nho Raul de Pina, etc, etc.

Aos vivos o mister é PROSSEGUIR. Aos da ilha, que sejam os principais a divulgarem o certame:
Nhô Kzick (grupo), Lela de Teodoro, Ney Évora... este último na diáspora. Não pude assistir ao teu concerto na Praia mas ouvi dizer que foi um sucesso. Adelante!


07 maio 2007

Imaginação versus realidade

Desde criancinha (!) ouvia falar numa tal estrada Porto Novo-Janela. E morria de curiosidade, de vontade de conhecer esta tal estrada. "Ai, como deve ser interessante esse lugar/estrada, tanto se fala nela!" - exclamava o meu imaginário de menino sonhador que idealizava cada lugar, consoante o nome soasse nos ouvidos.
À medida que ia ganhando um pouco de juízo o cenário cor de rosa típico das criações fantásticas da infância dava lugar à uma "frustração" provocada pela realidade nua e crua (afinal Tarrafal de Monte Trigo não tem aquela paisagem bucólica que via nos meus sonhos acordados; e Topo de Corôa não parece com um rei" - eram frases como estas que expressavam a minha desilusão) Não é que esses e outros tantos locais não sejam paradisíacos, o menino sonhador é que elevava a fasquia das suas imaginações, criando cenários só possíveis em sonhos (agora tenho outros olhos)
E são estes (outros) olhos que agora me fazem delirar com um Tarrafal de Monte Trigo, um Topo de Coroa, um Vale do Paúl ou, claro, uma Ribeira da Torre.
Voltando à minha estrada Porto Novo-Janela: Um dia, já com mais juízo, dei conta de que as criações do meu imaginário baseavam-se, afinal, em projectos, em miragens. E foi assim durante muito tempo. Mas a esperança, que é sempre a última a morrer, veio dizer que não chegou a sucumbir-se. E lá vai a estrada, sobre rodas, desbravando montanhas, encostas e falésias. Ahh, passando até por túneis! Ê Dvera sim! desta vez ê dvera, a estrada Porto Novo-Janela vai ter 3 túneis, uma das quais chega a atingir os 300 metros.
Queria agora ser menino para saber que fantasias iria nascer na minha cabecinha ao ouvir falar nos túneis da estrada Porto Novo-Janela

fotos: Helder Medina

30 março 2007

A porta que um dia se fechou (à tranca)

A imagem mostra o extremo mais à Norte de Santo Antão. É nesta pontinha que se situa a vila da Ponta do Sol (antiga Maria Pia). Vila piscatória, muito limpa, conhecida pelos seus edifícios históricos, dentre os quais sobressai a magestosa Câmara Municipal da Ribeira Grande.

Mas, a importância desta urbe não se esbate nas questões estéticas. A vila encerra história, história de um povo trabalhador, humilde e acolhedor. Antigo "Quartel-general" dos governadores da ilha, foi também o "gózói" de Agostinho Neto, quando este foi deportado para Cabo Verde. E mais, foi das primeiras portas de entrada e saída de Santo Antão, com o seu porto da Boca de Pistola, por isso, considerado um símbolo: um símbolo da dor do "querer ficar e ter que partir" (foi dali que muitos dos nossos avós partiram rumo às roças de São Tomé); da fartura, pois era para lá que se rumava à espera dos barcos de milho, arroz... (lembre-se dos armazéns da Empa?); da penitência (alberga a Cadeia da ilha) enfim...

Ahhh, o papel da Ponta do Sol como porta de entrada de Santo Antão não fica por aqui. É(ra) lá que se situa(va) o aeródromo, uma pequena pista exclusiva para as avionetas tipo Twin Otter.

Com o trágico acontecimento dos finais dos anos 90, a pista deixou de receber aviões e a ilha ficou (apenas) a ver navios.
Mas a pista, coitada, está lá degradada, a ser cada dia engolida pelo mar bravio. Se acontecer uma catástrofe na ilha (Deus defendê) e hover necessidade de uma evacuação de emergência, pode ser que o pequeno Aeródromo Agostinho Neto não sirva para nenhuma operação. E não sei se os helicópteros da Nato irão estar prontos para socorrer.

De todo o modo, não acredito na sua reabilitação (nem exijo isso). Bem, ao menos, se houvesse um ilhéu, tipo Rombo, por aquelas bandas, eu iria ser o primeiro a gritar: - Aaaeeroporto!

Em tempo de Aeroportos Internacionais Sinta10 já não recorda a foma de um aviunzin!!!! Casta de destin ê êss!!?

10 março 2007

Infância na Ilha

Alegria de menino
Água na ribeira
Pirilau na mon
Trepadeira na rotcha,
Arranhos nos braços
Concursos de "fuga"
Ténquin de bórr
Tubos de papaeira
e... rostos alegres

26 fevereiro 2007

Roberto Duarte Silva em dinheiro

Uma homenagem merecida à uma figura que se germinou na ILHA

Assim como outras figuras incontornáveis da nossa história (casos de Amílcar Cabral, Baltasar Lopes da Silva, Eugénio Tavares, entre outros) chegou a vez de Roberto Duarte Silva emprestar o seu rosto à uma das notas em circulação no nosso sistema monetário.
O notável químico cabo-verdiano, que agora vai poder estar mais perto de nós (nos nossos bolsos, nas nossas carteiras, nas caixas dos supermercados, enfim em toda a parte) nasceu em Santo Antão nos idos anos de 1837. Aliás foi precisamente por isso que o BCV escolheu SINTA10 (a ilha e não o meu blog) para proceder ao lançamento oficial da nova nota, que ainda traz no reverso um trapiche, engenho típico da Ilha.
O BCV foi, quanto a mim, bastante feliz na escolha desta personalidade. É que, pese embora os seus grandes contributos para o avanço da ciência, sobretudo no ramo da Química orgânica, Silva permanece um tanto quanto desconhecido entre nós, habitantes desta tirrinha.
Ouvi falar pela primeira vez de Roberto Duarte Silva, tinha eu uns 10 ou 11 anos. Na atura prestou-se-lhe uma grande homenagem na vila da Ribeira Grande e a escola onde eu então estudava – a velhinha Escola Central – foi rebaptizada com o nome “Escola Central Roberto Duarte Silva”. E todos nós, putos ainda na escola primária, fomos “obrigados” a ficar a saber que no século XIX nasceu em Santo Antão um Senhor de nome Roberto Duarte Silva, que após a morte do pai foi admitido como aprendiz num boticário, e que mais tarde emigrou-se para Lisboa, onde estudou na Escola de Farmácia local; que partiu depois para a Ásia (Macau e Hong Kong) e viveu por lá alguns anos, até descobrir a França; que foi então na capital francesa que viria a desenvolver toda a sua actividade que o notabilizou como cientista, tendo recebido muitos prémios, até falecer no dia 8 de Fevereiro de 1889, com escassos 52 anos.
Duarte Silva nasceu numa casa lá na Rua de São Francisco, em Povoação. Também isso fiquei a saber na altura da homenagem, pois, assim como colocaram a placa na Escola Central, também na casa onde nasceu foi posto um letreiro que diz:

Aqui nasceu Roberto Duarte Silva
Notável Químico cabo-verdiano
1837-1889

Lembro-me de, ao intervalo, ir comprar bolinhos de 10 tostões nessa casa, na mercearia do Sr. Cipriano. A loja já lá não está, mas o letreiro sim! Só que… o edifício, uma construção de inegável valor patrimonial, está a cair aos pedaços. Uups!

23 fevereiro 2007

Turismo e ... exotiiismo (porque não!!!??)




À propósito da "Cidade Velha sob gestão privada"

foto BCN

04 janeiro 2007

Quónd musquinha te'mjá...

Um comentário de um leitor sobre a situação actual da mandioca em Santo Antão fez-me viajar no tempo e recordar os tempos em que este produto abundava por todas as ribeiras, encostas e cabeços da ilha. Hoje, apenas sobrevive alguns pezinhos que vão travando uma luta impossível com a tão famigerada mosquinha branca. O mesmo caminho parece estar a seguir o coqueiro que vai caindo todas as folhas, ficando apenas o tronco erecto fitando os céus como que a praguejar.
À nostalgia desse leitor junto um prolongado suspiro : - Triste Sina!

09 dezembro 2006

Coragem na Vertigem

A que realidade esta foto se refere? Quem se atreve a avançar com uma hipótese? Está sendo difícil? Uma dica: é no nosso país, é na ilha de Santiago, é no concelho da Praia, aliás é na "barba-cara" da Cidade da Praia. Bem, é no Monte Vermelho!
Retrato do dia-a-dia de muitos imigrantes africanos a extrairem jorra no Monte Vermelho. "Quando o sacrifício sobe... (alguém para completar a frase?)
(foto BCN)

04 dezembro 2006

Socorro!


Este é o farol Fontes Pereira de Mello, ou popularmente Farol de Boi. Esta magestosa obra foi edificada no sec. XIX. Está lá (ainda), ali na Pontinha de Janela, suplicando aos deuses que lhe estendem uma mãozinha, que cuidem dele porque nos homens já não acredita. Está lá, perscrutando o Atlântico, esse oceano que tanto iluminou para que os navios não conhecessem contratempos enquanto sulcavam os mares rumo às sete partidas. Está lá, degradado, a cair de podre, porque... já passou a história.

(foto BCN - feito em 2002, por isso já lá vão mais 4 anos de degradação) _______________________________________

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Ilhéu dos Bois

Mesmo abaixo do Farol de Boi está este pequeno ilhéu, que também é de Boi. São dois símbolos da ilha que, bem pertinho um do outro, partilham de tudo: testemunham histórias de uma comunidade sofrida (Janela), as lendas, a maresia, enfim partilham até o Boi que lhes serve de alcunha. Companheiro inseparável do farol, o Ilhéu dos Bois confere outra beleza à vista que, à partir do farol, se tem da costa norte da ilha.

19 novembro 2006

Pegá-saia

Quando nas ilhas ainda não havia as lojas chinesas, televisores, Internet, Play-stations, Tarzans e Floribelas a audácia e a criatividade enganavam a necessidade. E fazia-se quase tudo com quase nada, até cestos de Pega-saia (quando viesse a chuva, claro)
(foto BCN)

Tradição e modernidade

Acontece, como é o caso, no espaço rural, pois caso esta foto fosse o retracto de uma situação no meio citadino seria um oasis "urbano". Cá está a prova de que o rudimentar e o moderno se pode conviver, numa concorrência leal. Por mais tecnologia que o carro dispõe, não pode neste caso concreto superar a competência do animal que, ainda, vai lá onde as rodas e os cartões de crédito não chegam.

Foto: BCN

03 novembro 2006

Fruta-pão


Este é um dos produtos que a ilha exibe toda vaidosa. Trata-se da Fruta-pão e, ao que parece, em Cabo Verde a árvore que a produz só existe em Santo Antão. Nesta ilha a árvore abunda e só no vale da Ribeira da Torre deve haver milhares.
A fruta-pão desempenha um papel importantíssimo na dieta do homem da ilha (e não só). Assada, frita ou cozida, ela é ingrediente indispensável para um guisado ou caldo de peixe, pratos típicos da ilha.
Mas como se explica que esta árvore tão vulgar em Santo Antão, não exista nas demais ilhas. Segundo relatos dos
mais velhos, a árvore foi trazida de Las Palmas por um proprietário da ilha que passara por aquelas paragens. Começou-se a plantá-la primeiramente em Ribeira da Torre e depois foi-se espalhando um pouco por toda a ilha. Mas também há quem defenda que foi trazida de São Tomé, país onde abunda a fruta-pão

16 outubro 2006

Santo Antão de outrora

As ribeiras e o camarão

Aqueles que, como eu, nasceram gósterdia, não conhecem o camarão "d'terra". Mas oiço frequentemente os mais velhos, inclusive meu pai, falar deste crustáceo aquático, muito apetecido em todo o mundo. Não que o meu pai e outros habitantes da ilha de Santo Antão estejam a falar de pratos caríssimos em restaurantes ou coisa parecida. Não, ao falarem de camarão referem-se, melancólicos, aos áureos tempos em que nas ribeiras da ilha se apanhava este bichinho aos montes. Os abundantes e permanentes caudais de água doce que outrora corriam por toda a ilha constituíam paraísos para os camarões que se reproduziam à-vontade. Então, a sua presença na ementa do santantonese era constante. Para os apanhar, de entre outras técnicas, colocava-se à tardinha balaios nas pequenas quedas de água para, no dia seguinte, recolherem-nos cheios de camarão, que vinham ao sabor das correntes.
Esta apanha desenfreada fez extinguir da nossa realidade este crutáceo de água doce e salgada, tão caro quanto apetecido. Assim, aqueles que nasceram a partir dos finais da década de 70/inícios de 80 para cá, de camarão conhecem só estórias (como eu).
Se as autoridades tivessem despertado mais cedo para a necessidade de conservação de espécies em vias de extinção...
Na minha recente passagem pela ilha ouvi dizer que foram encontrados alguns camarões algures na Ribeira de Janela. Houve quem dissesse inclusive que chegavam aos 15 centímetros. Não pude confirmar a veracidade destas notícias. E se for verdade, que fazer com tais criaturas!!!!??? (se é que ficaram vivos)

03 outubro 2006

Dragoeiro santantonense

A ilha que é das montanhas também é do dragoeiro!
Quando se olha para uma revista nacional ou então um folheto turístico e se dá de caras com esta árvore, normalmente não se hesita em dizer " é Sao Nicolau"! Pois bem, a ilha de Chiquinho é que tem dragoeiro (pelo menos julga-se que é a única em Cabo Verde). Mas não, na ilha de Santo Antão há dezenas desta árvore endémica. Podem ser encontradas sobretudo nos vales subjacentes ao Planalto Leste e no concelho do Paúl.
Um dos recantos da ilha que mais esconde esta árvore histórica é Ribeirão Grande (foto). Pese embora o nome, este sítio é um pequenino vale muito escondido, situado no Planalto Leste, entre Pinhão e Monte Joana (concelho da Ribeira Grande). Para se chegar ali é preciso desvendar alguns montes por entre caminhos vicinais e atingir uma altitude de quase mil metros.
Uma sugestão para melhor conhecer as belezas escondidas deste país.

17 setembro 2006

Maria de Barros em Santo Antão

Chama-se Maria Conceição Fontes da Graça de Barros. Filha de pais descendentes da ilha Brava, esta crioula nasceu no Senegal, cresceu na Mauritânia e vive actualmente nos EUA - mim nascê na bo berço ó Senegal, um brincá na bos areia ó Mauritânia, ma nha coraçon ta na bo ó Cabo Verde - revela a cantora numa das faixas do seu primeiro álbum "Nha Mundo".
Maria de Barros "é mais um caso de filhos de imigrantes cabo-verdianos nascidos no estrangeiro mas que, contagiados pela música, tornam ferverosos militantes da cultura cabo-verdiana" - escreveu um dia o jornalista Santos Spencer.
Já com dois álbuns editados, a cantora está agora em Cabo Verde em contacto directo com as suas raizes. Começou por actuar no festival da Baía das Gatas, depois subiu aos palcos da Praia de Cruz na Boa Vista, passou por Santiago, Fogo, Brava e agora parte à descoberta de Santo Antão.
Os santantonenses podem agora desfrutar das melodias desta alma crioula, que também canta no dialecto da ilha (quem nunca ouviu o tema "riberonzinha" ou mesmo "ó ménel"?)

28 julho 2006

Quando a falta de uma letra faz toda a diferença...

Atenção: e-mail pode matar
Decidi ligar a rádio. Já passava das 8h da manhã e sintonizei a RDP- África. Como de costume lá estava o jornalista David Borges com as suas crónicas e demais novidades, de resto sempre interessantes. Nesse dia, após a habitual crónica diária, contou esta:
"Atenção, e-mail pode matar! Um casal algures nos Estados Unidos planeava umas merecidas férias num lugar bem afastado da sua residência. O marido, um banqueiro de meia idade, havia entrado de férias com uns dias de antecedência em relação à esposa, esta uma professora universitária. Então decidiu que seria melhor ir desde logo até ao local para assim providênciar um canto bem aconchegante para os dois se relaxarem. Chegou num hotel, gostou das ofertas e decidiu comunicar à esposa. Mas apercebeu-se de que não tinha registado o endereço electrónico dela. Porém, desconfiava que o sabia de coro e tentou. Por azar enganou-se numa letra e a mensagem foi parar à caixa de entrada de uma mulher cujo marido tinha morrido no dia anterior. A mulher, ao abrir a sua caixa soltou um grito ensurdecedor que os vizinhos acharam estranho e foram acudí-la. Ao chegarem encontraram-na estatelada no chão, já sem vida. Um dos vizinhos vê para o ecrã do computador que estava mesmo junto da senhora e depara com a seguinte mensagem na sua caixa de entrada:
Querida esposa, acabei de chegar agora mesmo. A viagem foi boa e as pessoas são maravilhosas. Já que estou a gostar mandei o pessoal preparar tudo para a tua vinda amanhã. Estou ansioso pela tua chegada.

Obs: a temperatura é insuportável

Um beijo do teu amor

Então já sabe, tenha cuidado com os e-mails que escreve. Como disse o David Borges, se esta história não for verdadeira é, pelo menos, bem inventada

Momentos

Há momentos inesquecíveis e certamente que este burrinho, natural e residente no Berço da cabo-verdianidade (cancarã da cabo-verdianidade como diria Nedil Rosa) jamais esquecerá este instante da sua vida. Estava-se numa manhã do mês de Abril quando este famoso jumento teve o privilegio de levar um beijinho da Sua Magestade rainha Sofia de Espanha. Este ilustre filho da novel Cidade de Santiago de Cabo Verde bem se pode gabar de ter conseguido algo que muitos por este mundo sonham um dia conseguir.

18 julho 2006

RIBEIRA DA TORRE - o vale, o verde e a (falta de) estrada

Quem chega à Santo Antão e precisa viajar até ao norte da ilha não deixará certamente de contemplar uma das paisagens mais belas de Cabo Verde. Sai do Porto Novo e ao chegar ao cume da montanha, na localidade de Água da Caldeiras, a paisagem fa-lo-á interrogar se se está realmente em Cabo Verde. É que o verde dos pinheiros e cedros, juntamente com a neblina e consequente clima frio, fazem-no acreditar na justeza do nome deste país.
Passados breves minutos, e ainda sem concluir o seu primeiro momento de espanto, o visitante é obrigado a confrontar-se com nova maravilha: dois vales profundos lhe circundam a estrada. À sua esquerda o vale da Ribeira Grande e do lado direito o da Ribeira da Torre. É deste que vou falar agora.
Estando à muitos metros de altitude, o visitante penetra o olhar nas entranhas do vale e já não quer desviar esse olhar. O alcance da vista é impressionte. Quintais de bananeiras, canas de açucar (donde sai boa parte do grogue produzido na ilha), árvores diversas, sobressaindo as famosas árvores de fruta-pão raras em Cabo Verde mas abundantes no vale, são algumas das atracções que o nosso visitante vê e que lhe desperta a vontade de meter-se vale adentro. Mas não se pode falar da Ribeira da Torre sem se aludir ao magestoso Topo de Miranda, um monte que se ergue mesmo no meio do vale e que dá nome à ribeira (foto). Este acaba por consolidar a vontade do visitante que fica ansioso por aventura-se pelas entranhas do vale.
A sua beleza foi contemplada de longe, do alto da estrada. Ao chegar à vila da Ribeira Grande, o viajante vai querer conhecer agora de perto aquele vale que tantas sensações lhe causara ao transpor a estrada Porto Novo- Ribeira Grande.
Já in loco as descobertas sucedem-se, agora ao pormenor. Vai ver água a correr as ribeiras e tanques de águas cristalinas, inhames verdejantes que vão dançando ao sabor da água que lhes toca o caule, gente acolhedora que o convida para deliciar uma banana ou uma manga, enfim...
No final da sua aventura pelo vale, que muitos já classificaram como dos mais belos de Cabo Verde, a satisfação é plena e o orgulho de ser-se cabo-verdiano é, de certeza, reforçado. Apenas uma tristeza ficará – e esta não é por culpa ou falta de vontade da sua gente: a estrada para o vale (ou a falta dela)
De facto as gentes do vale clamam por uma estrada decente, uma rodovia que resista às cheias, porque aquela que há não passa de uma abertura feita pelos caterpilares. Esta é levada ao mar cada vez que corre as cheias. Mas a penúria não reside apenas no facto de esta “estrada” ser anti-chuvas/cheias. Ela é o itinerário de centenas de estudantes que sob o sol ardente demandam diariamente os bancos da escola na vila da Ribeira Grande. São obrigados a suportarem a fumaça deixada pelas viaturas que vão passando e do vento que não tem piedade de ninguém.
Costuma o povo dizer que uma estrada é o principal motor de desenvolvimento de qualquer zona. Ora, se se levar em conta a importância desempenhada pelo vale da Ribeira da Torre na economia de Santo Antão (e não só) visto ser um dos celeiros da ilha, então é facil perceber a ansiedade dos seus filhos em ter uma estrada condigna que lhes possa facilitar a vida à todos os niveis.
Não é facil aceitar que, por época das chuvas, haja produtos a perderem-se porque as cheias levaram a única via de escoamento dos mesmos. Por exemplo, constantes são as ocasiões em que dezenas de cachos de banana ficam amontoados nas margens da ribeira, e não há forma de os tirar dali porque a estrada desapareceu com um simples ribeiro provocado por uma chuvada. Também, frequente é um agricultor ter que pagar a alguns trabalhadores para que, com enxadas e pás, abram um pequeno traçado suficiente para uma viatura chegar até ao ponto onde estão os produtos, impacientes a aguardarem a sua viagem até ao ponto de venda (Porto Novo e São Vicente, principalmente)
Enfim, são várias as dificuldades por que passam os muitos habitantes do vale, causadas pela falta de uma estrada em condições. Tais dificuldades poderão ser debeladas com a construção de uma ESTRADA de penetração que, ao contrário daquela via que temos, resista às cheias e poupe os torreenses de esforços suplementares.
Com esta infraestrutura nós, os filhos do vale, vamos poder ver a nossa ribeira caminhar sob a estrada segura do desenvolvimento. E o nosso visitante já não terá motivos para torcer o nariz. E quererá voltar, sempre.

02 julho 2006

SINTA10

Sabedor, simples, afável e bonita é a tua gente
Agradável clima, sempre fresquinha e temperada
Narcotiza qualquer visitante
Transporta a vida para o Éden
Opulento em belezas naturais
.
Alteroso em manifestações culturais
Nô bé colá Son Jôn, Son Jôn reveltiód
Terra de mil maravilhas, mil esperanças
Aventura-se pela ilha
Onde dirás - Ó que terra sabe nha gente
Djédjim Neves

Nôs MariJoana

28 junho 2006

Saudosismo

Quando os carrapatos e a palha tinguinha ainda eram uma riqueza
Quando as ladeiras sem dono e sem cmida eram geometricamente demarcadas para recolha de matéria prima (tijolo vegetal)
Quando se antecipava a vinda da chuva (mais ou menos por esta altura) e se guindava nos cumes da casa
Quando ainda se preparava a cachupa e peixe seco para os heróis que montavam os cumes das casas, muitas vezes quase a desmoronarem e enfiavam palha e corda de pernas esticadas uma de cada lado qual cavaleiro em tourada
Saudades de um tempo passado ou um olhar encantado sobre uma obra que ainda persiste em tempos de TECNICIls e IÉFAGÁS?

21 junho 2006

A ilha em livro

Gentes das Ilhas - 61 histórias enquanto o sono não vinha
Peripécias, quase todas brotadas lá da ilha e que deixa um filho ausente sem sono.
Histórias que nos obrigam, enquanto o sono não vem, a viajar pelas entranhas da ilha, revivendo a infância, megulhando no quotidiano das comunidades que só(?) podiam dar a cara num livro de um filho desses cantos escondidos.
Histórias de gente anónima e conhecida, famosa e ignorada, sábia e analfabeta.
Histórias de figuras castiças que nunca, certamente, ter-se-ão sonhado com o seu rosto num livro, mas que agora percorrem o livro de folha à folha, ainda que não conheçam o B-A-BA
A ilha te agradece, Paulino, por teres tazido à ribalta esta nossa gente, estes nossos heróis sem nome, estas simples localidades, este dialecto, esta sabura...

12 junho 2006

A (marav)ILHA

"A mim cordód e'm sonhá
Cabo Verde era um paraíso
cheio de jardin florido...
(...) era riqueza na tchon,
era riacho ta corrê
era um beleza oiá
minis ta brinca na tchon..."
Quando o poeta sonhou e Bana interpretou, certamente não lembraram que em Santo Antão tudo isso é realidade.
Pois é, não se trata de Iguaçu Falls, nem dos Andes... é Delguédin

07 junho 2006

A (DES)ESPERANÇA DA VIDA

foto:Vá Ramos Enquanto nesta vida uns e outros desanimam-se, desligando-se de tudo, outros vão dizendo que a esperança é a última coisa a morrer, conservando sempre a fé de que um dia a vida lhes possa sorrir. Outros mais afortunados, vão gozando a vida proclamando a máxima tipicamente crioula "depôs de sabe morrê ca nada", ainda que esta sabura possa ser à custa do sofrimento de outrem.
Mas, não importa o sofrimento quando o que está em jogo é a obediência à lei do Senhor que manda "crescei-vos e multiplicai-vos!"

06 junho 2006

666 - diabo? besta?

6 de Junho de 2006. Por causa da data 6 de junho de 2006 poder ser abreviada com 06/06/06, isso atrai a atenção como um dia que deve ter alguma conexão com a Marca da Besta. Pode-se dizer que regressa neste dia o fantasma do 666.
O número 666 retém um significdo peculiar na cultura e psicologia das sociedades ocidentais. Como muitas pessoas tentaram evitar o número de "azar" 13 (a fobia desse número é chamado de "triskaidekafobia"), muitas pessoas procuraram um caminho para evitar o "Número do Diabo". O medo do número 666 é chamado de "Hexakosioihexekontahexaphobia".
Por exemplo, quando a gigantesca fábrica de CPU Intel introduziu o Pentium III 666 MHz em 1999, eles escolheram para o mercado o Pentium III 667 com o pretexto que, a velocidade 666,666 MHz não era mais específica que 667 MHz.
Enfim, anticristo, diabo, besta são alguns dos fantasmas que rodeiam este número. Coisa dos supersticiosos?


04 junho 2006

A MIM Ê DI LI

CASA DA CULTURA - seu nome é sugestivo e o spot que o anuncia (va) foi bem conseguido, pelo menos a julgar pelo impacto que teve na sociedade. É que a moda pegou e agora todos são di lí, todos mora li. Se virou moda é porque o povo acatou, e se o povo acAtou é porque gostou.
Mas... e as espectativas em torno do programa? É provavel que o spot di lí, onde até o Ministro da Cultura é di lá, tenha contribuído para colocar e rol de espectativas num nível muito alto. E agora todos criticam o programa, apelidando-o de fatela. É o apresentador que "não passa de uma grande fraude"; é ele que mexe muito com a cabeça; são os conteúdos que não espelham a cultura nacional; é o programa que destila uma pseudocultura; são as filmagens mal feitas, enfim... Ah, aqui eu também concordo. Com tantas falhas, até o cego vê! Por exemplo, quantas panorâmicas sem parar e em todas as direcções, eh Abrão? Isso maltrata o telespectador que fica a navegar ao sabor de tantos trambolhões que parecem vir de uma câmara operada por alguém que sofre de tendinite.
Dias há em que estava a ler o blog da Margarida Fontes*, onde foi publicado um texto que aborda o lado artístico do apresentador da Casa da Cultura. Nos comentários os crioulos aproveitaram para criticar o programa e seu apresentador. O Abrão, que não se fez de rogado, responde aos comentários, dizendo que tudo não passa de inveja e que o que querem é "atacar alguém que neste momento é uma figura pública (doa a quem doer)".
Ulalá, criol te gostá de mandá boca fedi, mas também criol te gostá de angaba e inganá sê cabeça.
Pronto, eu não tenho nada a ver com estas trocas de galhardetes. Só sei que, mesmo que "fatela", vou continuar a ver a Casa da Cultura, sempre que posso. Porque... afinal mim também a mim ê di li (já agora doa a quem doer)

26 maio 2006

Este poema que vos deixo...

A torpe sociedade onde eu nasci
Ser doido, que maior ventura!
Morrer vivendo p’ra além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Que nem na morte crê, que felicidade

Encara, rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola a falsa caridade,
Que bem no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.

Já que não tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem
De ver no purgatório o paraíso...

Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai, quem me dera ser doido também
P’ra suportar melhor quem tem juizo

António Aleixo - in Este livro que vos deixo

O snobismo da sociedade actual

Domingo é dia da gente
Por isso quero ficar na cama
Dormir, dormir, dormir
E quando acordar quero ver Domingo da Gente porque todos o vêem e também sou gente!
Ontem era sábado. A minha amiga foi àquela festa com um vestido que deixou-me a pensar a noite toda.
Perguntei onde é que ela o comprou. Não ficou lá muito contente por ter feito tal pergunta mas acabou por me dizer onde comprou e quanto custou.
A minha mesada não dá para comprá-lo mas já comecei a fazer uma poupança para ver se ainda este mês consiga tê-lo. Mas tem que ser já! Se demoro, ou sai de moda ou torna vulgar. Por isso, agora sequer estou a comprar aquele chocolate que adoro, pa-m pode popa
Por causa daquela telenovela que está a passar agora na tv, toda a gente la na escola veste como ela que é toda poderosa. Hum, eu não gosto da maneira de vestir dela, mas as minhas amigas todas gostam, logo, não vou ficar de fora, né?

Ontem usei aquela expressão que agora está na moda e um meu colega perguntou-me aonde fui arranjar aquilo. Toda a turma riu-se do coitado. Realmente o palerma não está neste mundo. Já aconselhámo-lo a fazer uma reciclagem.

Pooooxa, quel carrão lá, pá. Quel e nha sonho!!! Nha pai, quel antiquado comprá um cosa d’one 60, já’m dzel que el tem que sintonizá. Ma el ê teimoso. Bo sabê manera que ques gente lá ê, nem?

Filho, não deves fazer isso! Ah, mãe, deixa-me em paz, todos fazem e eu é que não vou fazer??? esta na moda, mum!
Filha, porque não usas aquelas calças que te comprei no ano passado? Nãao, são bonitas, gostava delas, mas já não estão na moda
Mas, filha agora já não há outra palavra que não seja moda? Ah, mãe, moda está na moda, e o que ta na moda não se incomoda. E moda Djony que comprá quel skoda. Tud gente dez’l que el era fei ma el dez que skoda te na moda.
Agora la na quel salão es te estód te feze quel pentear de quel mnina daquel publicidade, poxa agora, pe consegui um vaga bo tem que marca’l que antecedência.

Pooxa, e-m escreve descuidod, gora que ja-m repara! Ah, nao faz mal ta na moda

12 maio 2006

(CLAN)DESTINO - casta de destino ê ess?

Faz agora um ano que as autoridades marítimas cabo-verdianas surpreendiam uma embarcação que tentava sair de forma clandestina do país com mais de sete dezenas de cidadãos à bordo. O Jon Cabafumo, o maldito barquinho, foi interceptado na zona de São Tomé, Praia rural. Tudo apontava que o destino era a Europa, servindo as Canárias como trampolin.
Uma vez interceptada, a embarcação foi encaminhada para o Porto da Praia. Sob escolta policial, os ocupantes foram desembarcados e encaminhados para a Esquadra Policial da Achada Santo António. Permaneceram dias no país, tendo alguns activistas dos direitos humanos levantado algumas questões sobre a forma como estariam a ser tratados. Depois o governo encarregou-se de devolver os emigrantes aos seus países de orígem, tendo para isso, alugado um navio.

Já este ano, no mês de Janeiro um barco de pesca com 237 passageiros clandestinos oeste-africanos que pretendiam viajar para a Europa foi interceptado pela Polícia cabo-verdiana nas imediações do Porto da Palmeira, na ilha do Sal. A embarcação, baptizada com o nome "Florence" matriculado no Senegal, esteve ancorado durante algum tempo do Porto de São Vicente para reparações. Depois de deixar aquela ilha, o barco passou pelo Sal, onde teria recolhido grande parte dos candidatos à emigração ilegal. Segundo relatos dos clandestinos às autoridades cabo-verdianas, cada um dos passageiros pagou entre mil e mil e 500 euros para serem transportados inicialmente para as ilhas Canárias, de onde seguiriam posteriormente para um país europeu. O desfecho foi trágico, já que um bote que transportava os passageiros da terra para o bordo do "Florence" ter-se-ia afundado com várias pessoas a bordo. Mais tarde alguns corpos viriam dar à costa.
Há cerca de dois meses, as autoridades marítimas nacionais recebem um alerta de que estaria uma embarcação à deriva nas águas de Cabo Verde. O N/M Matiota partiu da Boa vista em direcção à mesma e ao aproximar-se o cenário não poderia ser mais macabro: 12 cadáveres, já em estado de decomposição, jaziam numa pequena canoa. Entre dificuldades e impasses em torno do destino a darem aos achados, a canoa acabaria por desaparecer no imenso horizonte do Oceano Atlântico.

Na semana passada, mais um caso: desta vez, vindo do largo da ilha Brava, as autoridades marítimas recebem um SOS de um barco que estaria com uma avaria. Partem em direcção ao barco, regatem-no e mais tarde descobrem que, para além da tripulação, havia mais de cinco dezenas de emigrantes clandestinos fechados no porão do pesqueiro.
Agora, lá estão os pobres desgraçados atracados no porto da Praia, à bordo do navio, a espera de um repatriamento. A Cruz Vermelha de Cabo Verde vai assegurando-lhes uma refeição por dia, até o momento de zarparem as águas rumo aos seus destinos, de onde querem a todo custo fugir.
Ainda nessa semana, agora na ilha do sal, cidadãos da nossa costa africana roubam um barco de recreio na Baía de Santa Maria, após terem forçado o único ocupante a lançar-se ao mar mediante ameaça com arma branca. (In)felizmente os desafortunados encalham na zona de Ponta Preta e a polícia consegue capturar alguns desses "raptores marinhos". O barco em questão pertence ao Oscar Duarte, antigo selecçionador nacional de futebol, que veio dizer que há muito que vinha sendo abordado por um cidadão que queria comprar o barco. Duarte assegura que não o fez por desconfiar que o comprador poderia estar elvolvido em tráfico humano.
Lia este fim de semana no "Olhares" de Marilene Pereira, a questão da emigração clandestina que, no olhar da jornalista, poderá intensificar em direcção à Cabo Verde em virtude das políticas cada vez mais cerradas na Europa, com vista a combater este flagelo. Estaremos preparados?
Ahh, ontem ouvi pla radio que um semanário sueco anunciou que a tal canoa que desapareceu das águas de Cabo Verde, após ter aparecido vindo não se sabe de onde, teria dado à costa nos Barbados.

25 abril 2006

Soft News semanal

Greve de fome
Dois empresários da Cidade da Praia estão em greve de fome desde a passada sexta-feira, 21 de abril. Os grevistas reclamam a propriedade de um estaleiro na zona de Achada Grande, que dizem ter comprado em 1998 e que foi agora vendido pela Camara Municipal à CVC. Lourenço e Carlos de Pina mostram-se dispostos a ir até ao fim com a sua forma de luta. Esta terça-feira os dois empresários receberam a visita de elementos da bancada parlamentar do MPD, e em declarações à imprensa disseram que se não forem atendidas as suas reivindicações o fim último é morrer.

Colocar a vida em risco para defender uma propriedade, eis o método.
T
hug's
A thugomania que invadiu a capital do país ultimamente continua a fazer das suas. Este jovem da Achada Grande-Trás foi vítima, na semanaa passada, dos desaforos dos chamados thug e quase que sucumbiu por entre golpe de facas e machins (cerca de 8 golpes por todo o corpo). Tudo terá acontecido nas imediações da discoteca Zero Hora.
Para onde caminhas, ó Cabo Verde querida?
Nha Terra nha Cretcheu
Alveno Figeuiredo e companhia devem estar a beira de um ataque de nervos. O principal partido da oposição denuncia, na voz do deputado António Pascoal Santos, alegados movimentos ilícitos em torrno da produção do programa das Terças e e Domingos na TCV. É que a empresa responsável pela sua produção - a Textimedia - é que esteve por detrás das campanhas do PAICV e de Pedro Pires nas últimas eleições, pelo que o MPD crê que haja um tipo de contrapartida ilegal entre esta e o estado.
Esta Terça-feira o PCA da RTC, Marcos de Oliveira, deu uma conferência de imprensa, explicando os meandros do contrato, que considera normal e recorrente entre os media e outras empresas. Ah, nha terra, bo ê nha cretcheu.
Casamento... para durar
Um homem residente na localidade de Salineiro (Santiago) completou este fim de semana 100 anos de idade e resolveu dar o nó. Feliz da vida, o aniversariante casou com a mulher de 78 anos, com a qual viveu a vida inteira. A festa foi bedju, com convidados especiais (Presidente República, elementos do governo etc, etc.) e câmras de TV.
Aos pombinhos todos desejamos que o casamento perdure para que possam celebrar, senão as bodas de ouro, pelo menos as de prata.

24 abril 2006

Rumores

Pegando no célebre poema de Jorge Barbosa - Rumores - que exalta a caboverdianidade através das coisas simples da terra, faço um "Rumores das coisas simples de Santo Antão" (desculpa Nhô Jorge por esta adulteração, mas não há má intenção nisso)
Rumores das coisas simples da minha ilha
de sê linga que te escoá n'uvid el te zni séb (moda te dze Cordas do Sol)
de ses rotcha que te po um vsitante que frio ne bérriga
d'um enxada de um camponês te escrepá tchon ne mei de pedra

Rumores das coisas simples da minha ilha
de se grog
de se gruguim outrora famoso ma que gora ti te estragá
de ses rbera chei d'aga
de um mulher ne mei de rbera te lavá ropa cum cónhot tervessod nó boca
de um Maria Joana te rbá meradé-riba de avental, lenço ne cabeça e pe nô tchôn

Rumores das coisas simples da minha ilha
de um contra-dança ne Figueiras
de um Valsa cherriada de tempe de nh'avó
de um Colá Son Jon moda Nhe Lolita
de um btá saúde moda Nhe Da Cruz, cónd um fi de tal flón te caçá no sorça ma filha de quel ot moer

Rumores das coisas simples da minha ilha
de um Juventude em Marcha te fzê conjada ma ses consoada
de um Cordas de Sol mas ses Viva Quel Bol te sbi Selada e dtchê Covada
de um Mikinha ma Kel Tempe
de um Naiss ma se Antoninha que bé estragá ne Soncent...

Rumores das coisas simples da minha ilha
de Bulimundo ma codizina de senhor Rei

de ques estória de cpotona ma ctcorrona
de ques artigo de Paulino n'asemanaonline te fze'm sinti sodéd de nhé ilha
enfim, de ses gent, uns amor de gent, sem veidéd nem meldéd



20 abril 2006

Monumentos e sitios

18 de Abril é consagrado como sendo dia dos monumentos e sítios. Instituído em 1972 pelo ICOMOS, organismo da Unesco, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios celebra a diversidade patrimonial.
Em Cabo Verde temos uma diversidade patrimonial que considero inversamente proporcional às ínfimas dimensões geográficas do nosso país, composto por pedacinhos de terra. No entanto, este espólio de monumentos e sítios ainda carece de uma atenção especial, salvo algumas iniciativas como é o caso do programa que a Margarida Fontes nos vem brindando ultimamente. Mas isso é apenas um cheirinho do muito que poderá ser feito em diferentes latitudes.
Tirando a nossa Cidade Velha, agora rebatizada de Cidade de Santiago de Cabo Verde, as iniciativas em prol da divulgação/ preservação dos nossos sítios históricos são muito tímidas. O geógrafo José Maria Semedo falava disso há dias no Jornal da Noite da TCV e tocou num ponto que me fez soltar um berro: "Aaaleluia, alguém já se lembrou de que existe uma tal Alcatraz".
Pois é, J.M.Semedo, homem atento e de faro apontado para todas as direcções, disse que "todos falam da Cidade Velha e ninguém se lembra de Alcatraz", sítio onde ficava a outra Capitania criada na altura do povoamento em que a ilha de Santiago fora dividida nas capitanias do Sul, com sede na Ribeira Grande e a do Norte, com sede em Alcatraz.
O reparo do geógrafo veio mesmo a calhar. Tive o privilégio de visitar o sítio há bem poucos dias e pude constatar a beleza e o aconchego da baía ( foto em cima), o que certamente terá despertad
o o interesse dos portugueses na altura. Os vestígios da presença dos colonos, as marcas da sua passagem são evidentes e não se compreende a razão do total esquecimento deste sítio, um património nacional.
Bem, há dias uma equipa de arqueólogos do Reino Unido, que esteve em escavações no outro lado da ilha, Cidade Velha, visitou o sítio e... talvez se vierem a manifestar interesse em efectuar trabalhos no local, quem sabe o nosso pobre Alcatraz venha a ser relembrado. Assim até poderá bradar: "Cidade Velha, ainda te lembras de que também eu tinha um capitão donatário?"
Mas a nossa diversidade patimonial é espantosa e não se resume àquilo que nos foi legado pela história feita de senhores brancos, escravos, povoamentos, enfim.... Na nossa diversidade patriminial temos montanhas, ribeiras e vales profundos, edifícios, ilhéus, vulcões (muitos extintos), construções heróicas (um Delguédim,
por exemplo), mas também um Pedra Scribida (este abandonado ao Deus dará), enfim ...
Há dias ouvia um dirigente nacional a dizer que "tudo aquilo que as Canárias oferece como potencial turístico nós também temos". Em muitos casos em maior escala!

08 abril 2006

Entardecer na cidade


À tardinha na praça do Palmarejo todos se juntam para relaxar do stress de mais um dia de trabalho.
Todos são bem-vindos, todos fazem seu grog descontraídamente. Ninguém incomoda ninguém, o que importa é que ali tud criston, tud zimbron tem direito ne sê gota d'agua.
Praia Maria, Menina do mar, Pérola do Atlântico, como é fixe vivê na bô, porque afinal um mundo para todos é o que todos nós queremos

07 abril 2006

Omnis perit labor

Era um tal 1 de Março de 2006 (por sinal dia de cinzas que é uma ocasião para muita festa na ilha de Santiago). O dia sugeria festa, alegria, mas é neste dia que sou envolvido por uma onda fria que atravessa meu corpo de fio à pavio. A razão para este sentimento chama "Tenda do El Shadai"
Se fores à Pedra Badejo, quer seja em dia de sol, chuva, bruma seca (sero) ou seja lá como estiver o tempo, dê uma passadinha à Tenda do El Shadai. E não importa se és jovem, se és bêdjo, se é governante, se és um simples cidadão, ou um reles cidadão como diria um Pinto(n) da Costa. A tenda não dista muito da capital de Santa Cruz, se está no centro da vila, tome a direcção da Achada Fátima e em 15 minutos à pé já estás lá. Se está do lado de cá, à entrada da vila, suba a Ponta Achada e, dobrando uma colina em 10 minutos estás lá. Bem, não importa o caminho a tomar, o qu'importa é que chegues ao destino.
Quando estiveres já no perímetro onde se ergue a "colónia", abrande os passos e fite os olhos nas tendas, nas suas redondezas, nas tarefas dos seus inquilinos, no aspecto da "aldeia". Por momentos és "obrigado" a chamar à mente drogas, alcool, alcool, droga... poxa, tinha que ser esses palavrões?!!
Se puderes roubar um instante do teu pensamento e puseres a pensar em como deve ser a vida num local desses, tendo em conta as impressões visuais que te chegam nesse momento, certamente que vais lembrar de refugiados, de Somálias e Eritreias, de Cuítos... porque o cenário, à primeira vista te leva a essas realidades que nos chegam aos olhos através dos telejornais. (Apenas associações de ideias, claro, porque violência ali inexiste)
Chegámos ao pé da tenda principal, uma espécie de sala de visita ou de espera. No exacto momento o som de um sino ecoava mediante o bater energético de um jovem corpolento. Após cumprir sua tarefa veio ter connosco. Convidou-nos a entrar e fomos para o espaço, que é também onde se faz o culto. Espaço agradével, artisticamente coberta de palha, em estilo cónico (bonito sem dúvida).
Enquanto esperávamos a pessoa que o Butcha, meu colega, foi visitar, fomos apreciando a decoração do espaço, em grande parte embelezado por passagens do Livro Maior (belas caligrafias, eh!) Ainda, circundando os caminhos que dão pelas diversas tendas estão pedras cuidadosamente enfeitadas e cobertas de mensagens e versículos bíblicos. "A virtude não está em nunca nos termos caído, mas sim em se levantar cada vez que cairmos" - lê-se numa enorme pedra caiada que jaze defronte a entrada da tenda maior. Esta nos chamou a atenção e exclamei: "poxa então temos aqui muitos virtuosos". Sim, porque é só ver os olhos dos que se estão a levantar após queda. Pele sentadinha, olhares vivificados e penetrantes, contrastando com a sua postura moribunda e errante quando ainda estão quedados pelas ruas a deambular.
É só ver o empenho com que cada um se dedica à sua tarefa, consonte a ocupação do dia ditada pelo calendário de actividades.
Já quase a pensar na partida eis que ouvimos ao fundo um grito - "Rapaaaaz... bzot pra li??" Volto e vejo um velho amigo, um (outrora) guia turístico de São Vicente que por contingências do seu ofício, conhecêmo-nos nas Ribeiras de Santo Antão no decurso dos já idos anos de 95 ou 96, eu ainda tchota. Num misto de várias sensações, onde era notório a alegria de ter encontrado dois amigos que há muito não vira (eu e meu irmão) e um mal estar por nos ter encontrado naquele local, o rapaz nos abraçava, recordava episódios dos tempos que nos conhecemos, perguntáva-nos pelos familiares, faláva-nos desta sua experiência no El Shadai. Sem ser interrogado sobre isso, o jovem vai respondendo: "decidi vir p'ra cá porque não queria mais levar a vida que ia levando, entrei no barco e vim, ninguem me obriga a estar cá, basta verem que aqui é um espaço aberto, quem quiser fugir pode, niguém lhe impede, mas estou bem aqui...
Ah, como espero encontrar o rapaz fora desse submundo, como o conheci há anos de tenda às costas, guiando um francês que se aventurava pelas encostas, vales e montes da minha ilha.
Impsessionante como todos se entregam nas lides da vida lá na tenda, impressionante como os olhos brilham, como estão de moral em alta. Todos que por lá passam recuperam ao fim de tempos. Infelizmente, muitos quando saem não encontram uma política de (re)integração social que possa mantê-los longe da tentação. Logo, muitos, muitos mesmo, acabam por se recair, deitando por terra todo o trabalho de recuperação. Nestes casos, tristemente se diz: OMNIS PERIT LABOR

24 março 2006

Sinta10...com o encanto de uma ilha

Não há cidadão neste planeta que não fica extasiado quando visita a ilha de Santo Antão. A diversidade da paisagem, dominada pelas montanhas abruptas são de cortar a respiração. Ilha espantosa em todas as suas vertentes (cultural, histórica, geografica, humana...), a ilha de Santo Antão encanta. Ilha de gente simpática, bonita, acolhedora; ilha de brandos costumes; ilha verde, doce, alegre... ilha diferente.
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Sabedor, simples, afável e bonita é a tua gente
Agradável clima, sempre fresquinha e temperada
Narcotiza qualquer visitante
Transporta a vida para o Éden
Opulento em belezas naturais

Alteroso em manifestações culturais
Nô bé colá Son Jôn, Son Jôn reveltiód
Terra de mil maravilhas, mil esperanças
Aventura-se pela ilha
Onde dirás - Ó que terra sabe nha gente
Djédjim Neves

23 março 2006

CABO VERDE ilha a ilha

Este é o espaço da caboverdianidade
Dez ilhas, dez realidades, varios costumes, uma cultura


Santo Antão - sempre primer (ma mi'n den culpa)
Etê gozói inda ê trediçon e el te incontród ne tud nhe dimenson. Se bo bem né mim nunca més bo te escsê: se bô bem c'fom bo te bé fórt; se bo bem triste bo te bé content.

São Vicente - Mim é vizin de sintanton ma nem por isso...
mut cosa no tem semelhante.
Li no tem Porto Grande e sê
baía espantosa, orgulho de tud nôs. Mindelo, cidad alegre, paraiso pa m
undano. E-m tem
festival de Baía, e-m tem mas alguns cosa...

Santa Luzia - mim em ca tem gent por isso em te falá nha criol ê um bocadin de cada ilha que quês pescodor de sintanton, sonpcent e sniclau insino-m. Ma cuitód de mim, es diab te bem dess ot ilha bem sujé-m nhes praia e panho-m nhas cagarra. Ma em te content que Palacio de Varzea porque ultimamente es tem pensód tcheu na mim. Inclusive tud ques ministro bem visita-m. Em fcá content. Ma ja-m dzês quê e-m crê gente tembem.

São Nicolau
Haahahaha, bi, jo-m bem fale tembem. Li e-m te dob atum, e-m te dob farinha de pau... e-m tem rotcha Scribida, e-m tem seminario, e-m tem Chiquinho, e-m tem Paulino Vieira. e-m tem tcheu intelectual ma infelizment mut dez sta patchi par loa.
Sal - ont mi era terra de gent queztigód, ohe mim e terra de gent be pentiód. Quem bem na mim ca ta largó-m. nha aeroport e sala de visita de Cabo Verde. Nhas praia e... (sem palavra). Praquê maz...

Boa Vista - mim tem Santa Monica, Chaves, Curralinho... Dunas, Praias, tâmara, agora ê aeroport internacional. Ó Deus Maior e Deus, Ó Deus Calamidade, Bubista já manchê..

Maio - a mim ê piquinoti ma nha curaçon ê grandi. Na mim bu t'incontra madjôr área florestada di Cabo Verdi. ma tambê mim tem sal, mim tem Praia, mim tem Betu

Santiago - Aaaavemaria! pakê pâpia di mim. mim ê mas grandi qui tudu alguem.Ê mim ki teni capital. Ê mim ki teni mas tcheu alguem. Mim ta recebi guentis de tudu cou. Di santanton ti Brava. Mim ta ra~pica funaná sem manha.

Fogo - Dixan fra di mim tooommbê. Aaali an tene tcheu qui frâ. Uva, vinho, cafe ê cu mim. Nha vulcon gó, ta po nhôs tuuudo cu meeedo di mim. Ma mim e fixe. Nha poovu ê dreetu. Du ta fervi qui nem vulcon. ma du ca ta ofendi cumpanheeeru. Sicrê a bo ê Djuzê, Bicenti, Anrique, Salumon, Manel, du ta da fixe.
Brava - mim sta chatiado por isso em ca crê fra tcheu. Nha Djenti ê dretu ma isolaadu. Nu ta crê ê teni transporti regular pa no podi fica mas contenti. Ê na mim qui nasce Eugenio Tavares, Morna... ê di mim qui djentis começa ta ambarca pá merca. Um flôr pa nhos tuudo.