18 julho 2006

RIBEIRA DA TORRE - o vale, o verde e a (falta de) estrada

Quem chega à Santo Antão e precisa viajar até ao norte da ilha não deixará certamente de contemplar uma das paisagens mais belas de Cabo Verde. Sai do Porto Novo e ao chegar ao cume da montanha, na localidade de Água da Caldeiras, a paisagem fa-lo-á interrogar se se está realmente em Cabo Verde. É que o verde dos pinheiros e cedros, juntamente com a neblina e consequente clima frio, fazem-no acreditar na justeza do nome deste país.
Passados breves minutos, e ainda sem concluir o seu primeiro momento de espanto, o visitante é obrigado a confrontar-se com nova maravilha: dois vales profundos lhe circundam a estrada. À sua esquerda o vale da Ribeira Grande e do lado direito o da Ribeira da Torre. É deste que vou falar agora.
Estando à muitos metros de altitude, o visitante penetra o olhar nas entranhas do vale e já não quer desviar esse olhar. O alcance da vista é impressionte. Quintais de bananeiras, canas de açucar (donde sai boa parte do grogue produzido na ilha), árvores diversas, sobressaindo as famosas árvores de fruta-pão raras em Cabo Verde mas abundantes no vale, são algumas das atracções que o nosso visitante vê e que lhe desperta a vontade de meter-se vale adentro. Mas não se pode falar da Ribeira da Torre sem se aludir ao magestoso Topo de Miranda, um monte que se ergue mesmo no meio do vale e que dá nome à ribeira (foto). Este acaba por consolidar a vontade do visitante que fica ansioso por aventura-se pelas entranhas do vale.
A sua beleza foi contemplada de longe, do alto da estrada. Ao chegar à vila da Ribeira Grande, o viajante vai querer conhecer agora de perto aquele vale que tantas sensações lhe causara ao transpor a estrada Porto Novo- Ribeira Grande.
Já in loco as descobertas sucedem-se, agora ao pormenor. Vai ver água a correr as ribeiras e tanques de águas cristalinas, inhames verdejantes que vão dançando ao sabor da água que lhes toca o caule, gente acolhedora que o convida para deliciar uma banana ou uma manga, enfim...
No final da sua aventura pelo vale, que muitos já classificaram como dos mais belos de Cabo Verde, a satisfação é plena e o orgulho de ser-se cabo-verdiano é, de certeza, reforçado. Apenas uma tristeza ficará – e esta não é por culpa ou falta de vontade da sua gente: a estrada para o vale (ou a falta dela)
De facto as gentes do vale clamam por uma estrada decente, uma rodovia que resista às cheias, porque aquela que há não passa de uma abertura feita pelos caterpilares. Esta é levada ao mar cada vez que corre as cheias. Mas a penúria não reside apenas no facto de esta “estrada” ser anti-chuvas/cheias. Ela é o itinerário de centenas de estudantes que sob o sol ardente demandam diariamente os bancos da escola na vila da Ribeira Grande. São obrigados a suportarem a fumaça deixada pelas viaturas que vão passando e do vento que não tem piedade de ninguém.
Costuma o povo dizer que uma estrada é o principal motor de desenvolvimento de qualquer zona. Ora, se se levar em conta a importância desempenhada pelo vale da Ribeira da Torre na economia de Santo Antão (e não só) visto ser um dos celeiros da ilha, então é facil perceber a ansiedade dos seus filhos em ter uma estrada condigna que lhes possa facilitar a vida à todos os niveis.
Não é facil aceitar que, por época das chuvas, haja produtos a perderem-se porque as cheias levaram a única via de escoamento dos mesmos. Por exemplo, constantes são as ocasiões em que dezenas de cachos de banana ficam amontoados nas margens da ribeira, e não há forma de os tirar dali porque a estrada desapareceu com um simples ribeiro provocado por uma chuvada. Também, frequente é um agricultor ter que pagar a alguns trabalhadores para que, com enxadas e pás, abram um pequeno traçado suficiente para uma viatura chegar até ao ponto onde estão os produtos, impacientes a aguardarem a sua viagem até ao ponto de venda (Porto Novo e São Vicente, principalmente)
Enfim, são várias as dificuldades por que passam os muitos habitantes do vale, causadas pela falta de uma estrada em condições. Tais dificuldades poderão ser debeladas com a construção de uma ESTRADA de penetração que, ao contrário daquela via que temos, resista às cheias e poupe os torreenses de esforços suplementares.
Com esta infraestrutura nós, os filhos do vale, vamos poder ver a nossa ribeira caminhar sob a estrada segura do desenvolvimento. E o nosso visitante já não terá motivos para torcer o nariz. E quererá voltar, sempre.

4 comentários:

Paulino Dias disse...

Excelente, Benvindo!! Ribeira da Torre precisa do envolvimento de todos os seus filhos para não deixarmos esmorecer a chama e lutarmos conjuntamente para a tão esperada estrada.

Abraços

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Anónimo disse...

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DN disse...

Efectivamente! Pela importancia que o vale tem para a economia de Santo Sntao e para Cabo Verde, uma estrada condigna e que facilita o escoamento dos seus produtos faz imensa falta. Espremos que tal aconteça!

um abraço ribeiradatorremente.