











Fotos: BCN












Fotos: BCN
Acabo de regressar da ilha. A chuva disse lovód nome Déus, os campos estão pintados de verde, a terra tem agora outra cheiro e outra pinta. Vi cascatas, cachoeiras, aga na rbêra. Ah, minha ilha é linda, lindíssima. Sintanton, como te quero! quero-te tanto... assim como o Abrão quer Santiago! Ahhh, e és linda, muito linda, lindíssima.
O burro sempre fez parte do quotidiano do camponês caboverdiano. De uma utilidade extrema, este animal revelou ser, ao longo dos tempos, um grande aliado dos habitantes das ilhas mais rurais de Cabo Verde, sobretudo como meio de trasnporte (de cargas como pasto, géneros alimentícios, cimento, areia, água, pessoas etc.)
Luis Romano
Ao referir, no post anterior, à "casca" de queijo lembrei-me das farras que fazíamos na ilha: queijo com pão, comprado lá na casa de Nha Guida. As quartas-feiras aguardávamos ansiosos a chegada da senhora que ia à Lagoa abastecer de queijo fresquinho para depois comprarmos a 120 escudos unidade.
Sinta10 começa hoje uma nova rubrica que pretende (apenas) lembrar os grandes homens que se brotaram da ilha. Este primeiro post é dedicado ao poeta Januário Leite (este nome foi muito evocado nas últimas semanas por causa do caso que se estoirou no liceu que tem seu nome). Mas aqui a nossa música é outra. E a escola também... já agora! Merci, Djédjin
Na sua missão de tentá esgrovetá Sintédez de lés a lés, hoje Sinta10 desenterra (literalmente) um leão que jaze algures na Vila das Pombas, Paul. Esta imagem que conta já décadas de existência, foi resgatada da saudosa Ekhos do Paul, revista trimestral editada em Santo Antão nos inícios dos anos 90.Eis o texto que acompanha a fotografia:
"A natureza tem coisas curiosas. Pena é que nem sempre se lhes da o devido valor. Este leão (ver foto), petrificado, em posição de guarda e de vigilia perene do ancoradouro do Paço e que sobreviveu a séculos de fustigante mar bravio e do vento de nordeste, foi soterrado, em 1990, com os trabalhos de terraplanagem do novo campo de futebol na zona de -Antonio Soare, no Paul. Fica, no entanto, a
imagem para a posteridade. Ou será que ainda é possivel a sua recuperação? E se os jovens fossem lá tirar a prova, com o apoio, é claro, do Município?"
In Revista Ekhos do Paul, nº 2, Abr/Mai/Jun 1992, pág 46
Foto: Rosendo Pires Ferreira (RPF)
Hoje, Sinta10 contorna um pouco a sua linha editorial, assente em esgrovetá Santo Antão de lés a lés, para escrever duas linhas sobre a Cidade da Praia, que completa 150 anos. A Sova (contingências de um castigo precoce, entretanto, não consumado)
Ontem era dia dos monumentos e sítios. Há dois anos, por esta ocasião, lançava um olhar sobre Alcatraz. Este ano fui até o meu sinta10 escolher a estrada Porto Novo-Ribeira Grande. Para mim a obra é um autêntico monumento edificado por dezenas de herois anónimos que, de cordas amarradas à cintura iam escrepando rochas, pondo a vida em risco. Até ainda custa-me entender como esses herois, que não tiveram direito à bustos, conseguiram abrir o Delguédin
A desventura do Paulino em ter pago em Assomada 700 paus para meia dúzia de bananas dá que pensar. Tentando compreender como foi possível chegar à simpática soma, fiz muitos cálculos mas fiquei QO. Então, dei duas voltas à cabeça e fui vasculhar as minhas vivências em Santo Antão, marcadas por uma relação muito próxima com a banana, desde o plantio, a rega, a limpeza, o corte (colheita), o transporte e, claro a devoração do fruto.
Os textos do Boltchôr aqui no seu blog me têm feito lembrar algumas peripécias de personagens castiças da ilha. Hoje, lembrei-me do Ménel Bróc, lá de Selada de Ribeirinha de Jorge. Cuitód, el e'mrrê vítima de atropelamento, em circunstâncias muito estranhas e nunca clarificadas (Déus te dél um descónse ne sê alma)
Nha Antónia d'Aninha acaba de dar à estampa o Cd "Boxon", um trabalho que vem resgatar uma das tradições da ilha, infelizmente em queda livre: o "b'tá saude", outrora indispensável em algumas cerimónias, sobretudo casamentos. Com 76 anos, esta mulher é ainda das poucas que existem na ilha e que mantém acesa esta tradição. Nha Da Cruz Naça, lá da Ribeirinha de Jorge, era outro vulto nesta prática, mas infelizmente faleceu há dois anos. Para a posteridade apenas ficaram memórias. Felizmente, no caso de Nha Antónia, há agora este registo para as gerações vindouras! Ó saúd pe Déninha.. oooolélélélééé
Também estou com aqueles que reconhecem muita dificuldade em fazer a escolha de 2 blogs daquel bom made in CV. Em cada blog CV encontro posts que me interessam bastante, sendo que alguns me prendem.

Na madrugada do passado dia 21 de Fevereiro registei estas imagens do eclipse da lua. Era por volta da 01: 45 quando, com três colegas, estava eu deitado no terraço da casa, de olhos para o ceu a captar estas imagens. No meio de um silêncio profundo, só se se ouvia de quanto em vez o latir de um cão que soava fundo. Foi uma experiência indescritível, assistir a uma das maravilhas da Natureza. Enfim, uma das coisas boas da vida, aprentemente insignificante que, só assistindo se poderá sentir quão impressionante é este mundo!!!
O incidente que envolveu Jorge Santos e José Maria Neves, por altura da inauguração do Santantão Art Resort terá surgido tendo como pano de fundo a questão do possível novo aeroporto para Santo Antão. A ilha, que já não se recorda da forma de um aviunzin como certo dia escrevemos aqui, em materia de aeroportos por enquanto apenas serve de palco para incidente. Agora, não seria bonito que esse quiproquo fosse ultrapassado no dia da inauguração de um aeroporto em Santo Antão? Estou a imaginar o JMN e o JS no vôo inaugural sentados lado a lado em amena cavaqueira, momentos antes da aterragem do avião:
Em 1984 nascia em Porto Novo o grupo teatral "Juventude em Marcha". O agrupamento depressa se tornou popular devido à qualidade das suas peças, prenhes de humor, criatividade e muito trabalho de campo.Há dias o Djoy Amado surgiu com uma ideia interessante, tendo-a expressado aqui no seu blog. Gostei da ideia e pus-me a pensar.
Desde que estou na Praia conheci muita gente, vinda de todos os cantos, descobri outros costumes, outras realidades, mas, acima de tudo, comecei a conviver com pessoas de todas as ilhas. É aqui que reside o meu maior encanto por esta cidade.
Na Praia, pude conviver (e convivo) com pessoas oriundas de todas as ilhas de Cabo Verde, algo muito difícil de conseguir se se estiver numa outra ilha.
Uma cidade tão cosmopolita como a Praia deveria aproveitar muito mais desta condição e ser uma autêntica caldeira a efervescer manifestações culturais de todos os gostos, com criatividade a emanar dos poros de cada residente.
A ideia lançada pelo Djoy de ter um mês de cada ilha, nesta cidade é de facto muito bem vinda. Por mim, já bastava uma semana.
O Sinta10, de antena virada para Santo Antão, propõe aqui a semana da sua ilha na Praia:
Musica, dança, gastronomia, récitas, teatro, exposições, enfim um pouco de tudo made in Santo Antão, para não só dar a conhecer um pouco mais da ilha, como também proporcionar aos filhos e aos demais residente uma oportunidade de se sentirem dentro da ilha.
Imagino o Auditório Nacional lotado para assistir ao Juventude em Marcha; uma noite suave no Quintal da Música com os sons do Mix Cutura; o Centro cultural Francês a expôr a arte de Bento d’Oliveira, ou dos irmãos Levi; os Cordas do Sol a cantar linga de Sintonton numa rua do Plateau; um grupo qualquer das Fontainhas ou Figueiras ta ratchá uma contradança ou uma masurca; Leão Lopes a liderar uma conferência tipo “pensar Santo Antão; Paulino dias no Palácio da Cultura a contar as estórias de Fajâ Domingas Bentas; uma exposição/venda de doces, licores, pontche, queijos e outros produtos da ilha na Biblioteca Nacional, enfim…
Como seria bonito uma semana de cada ilha na Praia.
Sinta10 já fazê sê proposta, que venham mais 10!
Em Santo Antão também há carnaval. A vila da Ponta do Sol ê bom nel, e já houve dias melhores, quando o carnaval da vila competia com o da Penha de França, vila da Ribeira Grande. Era sempre renhida a disputa entre Maravilhas do Oceano e Sol Real.
Cresci ouvindo hitórias sobre o naufrágio do "John", um navio americano que na década de 40 naufragara nas costas da ilha de Santo Antão, carregado de milho. O tempo era de crise, a fome grassava a ilha e a população morria a míngua. O naufrágio terá sido então um mal que veio por bem, porquanto a população, de todos os cantos da ilha, forjou uma famigerada romaria ao local, em busca de gãos de milho para "encher o papo"Dizia-me que há alguns anos um jovem das Figueiras – uma das localidades mais encravadas do concelho da Ribeira Grande - lhe contara das dificuldades que ele e sua família tiveram que enfrentar em mais um ano de seca na ilha. A chuva não veio, os campos permaneciam ressequidos e o pouco pasto que ainda se podia encontrar estava tão tostado que as cabras negavam a comê-lo. Por mais que as alimárias tivessem fome não se mostravam dispostas a meter a focinheira no pasto, isto num claro desafio à máxima local segundo a qual “burro que tem fome ta cmê até córd”
Todo aquele que, na localidade, tivesse uma cabrinha estava desanimado porque nenhuma das criaturas dava sinais de querer suspender a “greve de fome”. Nem um pingo de leite para enganar o café preto as famílias conseguiam, já que as cabras, outrora leiteiras, estavam moribundas. Então, desesperado, que resolve fazer um dos moradores?
Arranja um punhado de garrafas verdes (daquelas que trazem vinho Tinto), corta-as em forma circular e com ares de arame fabrica alguns pares de óculos, bem especiais. Colocou um par nos olhos de cada cabra e não é que os bichos começam a devorar o pasto? Pois é, as cabras, coitadas, levadas pela ilusão de óptica, pensavam que a palha estava verde e devoravam tudo que lhes aparecessem pela frente. A partir daí começaram a restabelecer as parcas forças e até ressurgiu aquele pinguinho de leite para enganar o café.
Afinal, as cabras não só nos ensinaram a comer pedras como também nos obrigaram a fabricar óculos… especiais.
Pois, é o hábito tipicamente crioulo de brincar com a própria desgraça.
São, seguramente, a espécie de ave mais pequena que existe em Cabo Verde. Acarinhado por uns, amaldiçoado por outros, os pardais (alminhas de porra como lhes chamaram os Cordas do sol) sempre fizeram parte da vivência do homem rural cabo-verdiano. Dzusperóds que nem “menino nascido na fraqueza de lua” como dizia Baltasar Lopes em Chiquinho, os pardais formam bandos e ficam a esvoaçar de propriedade em propriedade a cata de alimentos. Frutos, legumes, ervas, larvas, pequenos insectos, flores... tudo lhes serve de petisco.
que montávamos depois de os caçar nas sorças feitas com latas de atum e laçadas de linha de nervo.
Aleluia, aleluia! O suspiro deve ter saído em uníssono e ecoado por todas as ribeiras, ladeiras seladas e cabeços da ilha. Os agricultores de Santo Antão vão poder, finalmente, comercializar seus produtos nas ilhas do Sal e Boa Vista, pondo fim a mais de vinte anos de quarentena por causa dos malditinhos milpés. Ahh, malditinhos não, são malditões! Imaginem, então, um bicho que resistiu mais de duas décadas à tudo e todos! Nem governos, nem governantes, nem presidentes, enfim nenhuma autoridade pôde, ao longo de todo esse tempo, arranjar forma de dominar o pirralho para assim poder levantar o embargo. Nem as antigas Milícias, nem as FARP, nem a POP e nem a PN conseguiu, ao longo de todos esses anos, barrar a passagem desses bichinhos na fronteira? Que força, hein!Agora que somos PDM vamos, finalmente, conseguir criar um centro de expurgo para a PDM. Não se assuste, este 2º PDM refere-se à Praga Dos Milpés.
Terminou as curtas férias de Natal e fim-de-ano na ilha. Como é doloroso o momento em que se entra no hiace para galgar as colinas rumo a Porto Novo - a agora única porta da ilha (porta por onde diariamente saem e entram centenas de pessoas)!
possam parecer.