
Aprecio muito, muito mesmo, a mão de obra dos antigos anónimos da minha ilha: Aqueles que, como costumo dizer, não tiveram (nem terão) direito a bustos nem covas compradas nos cemitérios.
Fotos: BCN

Enfim... momentos desses são raros neste país de música. Está de parabéns quem teve a ideia de voltar a trazer o Grande para o Auditório, desta vez não para interpretar apenas 4 músicas, felizmente. O concerto de ontem mostrou que o público, seja ele da Praia, de Soncnet, Sintanton, Fogo, Brava... está sedente de mais eventos culturais.
Parece que o Auditório Nacional - até bem pouco tempo tido como um autêntico Elefante Branco, começa a ganhar alguns pigmentos diferentes... digamos mais naturais. Que venham agora outros artistas: Cesária Évora, Tito Paris e a sua Orquestra (o tal sonho), Tcheca, Princezito, Teatro, dança... pelo menos tud fim-de-seman um evento, hehehehe (sonhar é bom)
Hah, em jeito de basofaria: a última música da noite, a tal consolança, foi Fitche Fatche na Tracolança. Música que relata um "fitche fatche" na Ponta do Sol, vila sintadezense.
Sinta10, como é óbvio, não poderia ficar indiferente a este post. Pode ser que tenha sido realmente um delírio. É que vem de uma Ala que está muito à margem, logo dá para desconfiar. Mas, de todo o modo... vou embarcar também neste "delírio".
As últimas cheias em Santo Antão não só levaram muita coisa para o mar, como também trouxeram outras para a ribalta. Que o diga a população da vila da Ribeira Grande que está agora a sofrer com os efeitos do cheiro de "derivados de óleos queimados e gasóleo", vindos à superfície depois das enxurradas de 6 e 7 de Outubro.
Depois da tempestade...
Costumo ser um indivíduo um bocado céptico, ou então um espécie de São Tomé que para crer precisa de ver, com os seus (próprios) olhos, naturalmente!
construir por Portaria Régia de 2 de Abril de 1884, para indicar a entrada do canal de Sao Vicente pelo Norte, iniciou a sua actividade a 15 de Maio de 1886, conforme AVISO DOS NAVEGANTES publicado no Boletim Oficial n17, de 17 de Abril desse longinquo ano”.
Vejamos: passam hoje 16 anos após este texto ter sido escrito e a situação mentém-se inalterável. Ou seja, nada foi feito para recuperar/preservar essa construção centenária e hoje o monumento está a cair de podre. O máximo que conseguiu foi ver as lentes da sua lanterna desactivadas e substituídas por modernas lentes à energia solar, instaladas ali mesmo nas imediações.
dia vier). Mas... há agora uma réstia de esperança e esta quem ma traz é a estrada Porto Novo / Janela que passa bem pertinho do farol. Aliás, foi na sequência de uma visita às obras dessa estrada que o ministro Manuel Inocêncio falou na intenção de se vir a fazer alguma coisa para recuperar o que ainda pode sobreviver do farol.
Este é o post nº 100 do Sinta10. Há cerca de dois meses de completar 3 anos, uma centena de postagens não constitui, certamente, motivo de celebrações. Com um ritmo bastante irregular e descomprometido, este canto vai esgrovetando como pode a sua ilha querida. Uma missão que, decididamente, não pensamos abandonar tão cedo, pese embora algumas hibernações sazonais. 













Fotos: BCN
Acabo de regressar da ilha. A chuva disse lovód nome Déus, os campos estão pintados de verde, a terra tem agora outra cheiro e outra pinta. Vi cascatas, cachoeiras, aga na rbêra. Ah, minha ilha é linda, lindíssima. Sintanton, como te quero! quero-te tanto... assim como o Abrão quer Santiago! Ahhh, e és linda, muito linda, lindíssima.
O burro sempre fez parte do quotidiano do camponês caboverdiano. De uma utilidade extrema, este animal revelou ser, ao longo dos tempos, um grande aliado dos habitantes das ilhas mais rurais de Cabo Verde, sobretudo como meio de trasnporte (de cargas como pasto, géneros alimentícios, cimento, areia, água, pessoas etc.)
Luis Romano
Ao referir, no post anterior, à "casca" de queijo lembrei-me das farras que fazíamos na ilha: queijo com pão, comprado lá na casa de Nha Guida. As quartas-feiras aguardávamos ansiosos a chegada da senhora que ia à Lagoa abastecer de queijo fresquinho para depois comprarmos a 120 escudos unidade.
Sinta10 começa hoje uma nova rubrica que pretende (apenas) lembrar os grandes homens que se brotaram da ilha. Este primeiro post é dedicado ao poeta Januário Leite (este nome foi muito evocado nas últimas semanas por causa do caso que se estoirou no liceu que tem seu nome). Mas aqui a nossa música é outra. E a escola também... já agora! Merci, Djédjin
Na sua missão de tentá esgrovetá Sintédez de lés a lés, hoje Sinta10 desenterra (literalmente) um leão que jaze algures na Vila das Pombas, Paul. Esta imagem que conta já décadas de existência, foi resgatada da saudosa Ekhos do Paul, revista trimestral editada em Santo Antão nos inícios dos anos 90.Eis o texto que acompanha a fotografia:
"A natureza tem coisas curiosas. Pena é que nem sempre se lhes da o devido valor. Este leão (ver foto), petrificado, em posição de guarda e de vigilia perene do ancoradouro do Paço e que sobreviveu a séculos de fustigante mar bravio e do vento de nordeste, foi soterrado, em 1990, com os trabalhos de terraplanagem do novo campo de futebol na zona de -Antonio Soare, no Paul. Fica, no entanto, a
imagem para a posteridade. Ou será que ainda é possivel a sua recuperação? E se os jovens fossem lá tirar a prova, com o apoio, é claro, do Município?"
In Revista Ekhos do Paul, nº 2, Abr/Mai/Jun 1992, pág 46
Foto: Rosendo Pires Ferreira (RPF)
Hoje, Sinta10 contorna um pouco a sua linha editorial, assente em esgrovetá Santo Antão de lés a lés, para escrever duas linhas sobre a Cidade da Praia, que completa 150 anos. A Sova (contingências de um castigo precoce, entretanto, não consumado)
Ontem era dia dos monumentos e sítios. Há dois anos, por esta ocasião, lançava um olhar sobre Alcatraz. Este ano fui até o meu sinta10 escolher a estrada Porto Novo-Ribeira Grande. Para mim a obra é um autêntico monumento edificado por dezenas de herois anónimos que, de cordas amarradas à cintura iam escrepando rochas, pondo a vida em risco. Até ainda custa-me entender como esses herois, que não tiveram direito à bustos, conseguiram abrir o Delguédin
A desventura do Paulino em ter pago em Assomada 700 paus para meia dúzia de bananas dá que pensar. Tentando compreender como foi possível chegar à simpática soma, fiz muitos cálculos mas fiquei QO. Então, dei duas voltas à cabeça e fui vasculhar as minhas vivências em Santo Antão, marcadas por uma relação muito próxima com a banana, desde o plantio, a rega, a limpeza, o corte (colheita), o transporte e, claro a devoração do fruto.
Os textos do Boltchôr aqui no seu blog me têm feito lembrar algumas peripécias de personagens castiças da ilha. Hoje, lembrei-me do Ménel Bróc, lá de Selada de Ribeirinha de Jorge. Cuitód, el e'mrrê vítima de atropelamento, em circunstâncias muito estranhas e nunca clarificadas (Déus te dél um descónse ne sê alma)