18 setembro 2009

Floresta do Planalto Leste revitalizada

"A ilha de Santo Antão vai ter 30 mil plantas na Floresta do Planalto Leste após a queda das últimas chuvas. Recuperar a devastação do perímetro provocada pelas secas e os incêndios, assim como reconquistar o antigo brilho da floresta são os objectivos pretendidos." in Asemana, aqui

Há coisa de 2 meses, após uma breve visita à ilha, publicava este post com uma certa dose de nostalgia. Hoje, com algum alívio, respiro fundo, acreditando que aquele cenário que vira tempos atrás está a desaparecer.

Aproveitando as minhas últimas férias na ilha, fui visitar a floresta num dia calmo e ensolarado. Apanhei o carro até a localidade de Corda e, a partir dali, caminhei à pé até à Cova, contemplando as belas paisagens que tal caminhada me proposrcionava.

Cedo pude me aperceber de que o perímetro florestal estava mais alegre do que meses antes. É certo que ainda não tinham caído as primeiras chuvas, mas dava para notar que, pelo menos, havia mais cuidado, mais zelo para com aquela coqueluche de Santo Antão. Vi dezenas de trabalhadores (homens e mulheres contratados pelo MADRRM) empenhados na limpeza da floresta. E eu, cheio de entusiasmo, comecei a registar algumas imagens (filmagens e fotografias) daquela azáfama que fazia lembrar as antigas FAIMO. Nisto, uma das senhoras que integrava um dos grupos de trabalho, olha para mim com ar de reprovação e exclama: "ógora bo te terbalhá bô sô... e nôs nô te marrá môn. Dpôs bô te recebê... bo te bem trêzên's."

Qual menino tímido, recolhi a minha câmara e prossegui a jornada, agora fotografando paisagens, convencido de que estas, as paisagens, nunca iriam resmungar à medida que fazia clique no disparador.

Tenho dito sempre que a estrada Porto Novo - Janela, não obstante a sua incontestável importância, significou um revés para os moradores do planalto Leste, já que o trâfego se desviou para o litoral. Mas, por outro lado, agora quando se passa pela floresta a sensação de descoberta é maior. E se estiver bem tratada e com mais árvores...
Que as águas deste Setembro chuvoso sejam tão abençoadas a ponto de fazerem garantir as tais 30 mil plantas. E, claro, que não haja incêndios!




3 meses atrás e agora

Fotos: BCN

14 setembro 2009

Nha ilha que txuva (II)

Mal despontaram as pontes vieram as cheias para as inaugurar. A "cerimónia", pelos vistos, rompeu o protocolo e foi suave: sem descerramento de placa e consequente rebuliço dos aplausos; sem discursos de ocasião; sem placas a indicar o "inaugurador"... mas também, e isso é que vale, sem lamentações.








Obs: não sei quem fez as fotos. recebi-as by mail

11 setembro 2009

Nha ilha que txuva

A chuva tardou em visitar a ilha, mas veio esta semana... copiosamente!



fotos de Alberto Pascal Neves Silva (aqui)

10 setembro 2009

Taça Independência em Porto Novo

Um evento que marcou a Ilha
A última edição da Taça Independência, realizada em Santo Antão, vai ficar na história. Foi uma semana ímpar vivida em Porto Novo. A população deu um show de Fair play. Jogadores, dirigentes e treinadores estavam rendidos e eram unânimes em dizer que nunca tinham visto coisa igual. Por exemplo, quando, no jogo da final, Santo Antão já perdia por 3-0, nas bancadas colava-se SonJon com um estusiasmo que chegava a ser intrigante. Que coisa bonita!

Ah, nha ilha é séb pa cagá (isso mesmo, séb com é... diferente de "sab")

A seguir, alguns momentos da festa, com os bastidores da TCV que transmitiu todos os jogos em directo de Porto Novo.






Fotos: BCN

20 agosto 2009

Férias

Sinta10 te regresá em Setembro k'um bokód d'nevdéd

29 julho 2009

koraja sempre, Manuela!


A Cadeia Regional da Ponta do Sol tem, desde a semana passada, o seu próprio director, neste caso uma directora. Manuela Neves Pires foi ontem empossada no cargo e tornou-se na primeira mulher a dirigir uma cadeia em Cabo Verde, conforme a Inforpress.

Dizem que a cadeia é fixe, que os presos que lá estão vivem na deskontra. A jovem Manuela, natural de Janela, certamente que não terá grandes dores de cabeça no exercício da sua função, lá pelas bandas da tranquila Maria Pia. Ahh, e que não deixes faltar nunca kel m'tar d'injú.

27 julho 2009

Visões

1. Visão Global - Na útltima edição (26 jul) do programa Visão Global, da TCV, Corsino Tolentino nas suas notas finais, propôs a realização de uma edição do programa na ilha de Santo Antão. Dizia ele que há muita coisa para falar sobre a ilha, desde logo a começar pela questão da descentralização.

Fiquei feliz! É muito bom ver pessoas do gabarito de CT fazer propostas como estas, desde logo porque a ilha de Santo Antão tem sido bastante esquecida ao longo dos anos (não, não se trata de um clichê, até porque tenho pouco jeito para alimentá-los. Trata-se, antes, de uma constatação)

Por exemplo, desde inícios dos anos 80 que os produtos agrícolas da ilha são embargados por causa dos milpés, sem que ninguém, ao longo de loooooogas duas décadas e meia, se tenha manifestado. Aliás o problema passa mesmo à leste dos círculos in da (alta) sociedade (b)verdiana. Outros há que desconhecem por completo o problema que tem deixado a ilha isolada e abandonada à sua sorte (à seu azar, queria dizer)

Agora, surge a notícia de que dentro de 10 meses, a ilha poderá exportar seus produtos para todas as ilhas, e para o estrangeiro, graças ao Centro de Pós-Colheita, Conservação e Inspecção, a ser construído em Porto Novo. Espero que o projecto venha a se concretizar no prazo estabelecido, quanto mais não seja para que possamos vangloriar de um dia terms conseguido fintar a PDM (nada de confusões! Para não estrapolar, clique aqui)

2 Visão sólgód - Há dias via no Jornal da Noite da TCV, uma reportagem na qual os moradores de Porto Mosquito, localidade do concelho da Ribeira Grande de Santiago, reivindicavam o facto de há já alguns meses não terem acesso aos sinais da TV pública nacional. Voltando as antenas para a outra Ribeira Grande (a de Sintadés), pus-me então a pensar: - coitado dos moradores da Freguesia de Santo Crucifixo, Santo Antão. Os pobres diabos já levam mais de 2 anos a ver (apenas) areia saltitar freneticamente no ecrã das suas TV's, quando, involuntariamente, pressionam o botão onde deveria estar programado o tal canal.

A população da freguesia, por razões óbvias (???) não tem uma câmara para a qual poderia fazer biocos e dirigir choros do género: nu mesti odja notícia, novela... a nos é koitadu, nu ka teni nada fozi, inda nu ta paga... Humms, estou a ver, sim, o rosto de um homem de meia-idade, ar sério, de boné à cabeça, a dizer para um microfone de cone alaranjado: nôs é eskcid, no te fká p'rei ness ku de mund, no'n d'oiá um nutiça, nos têmbê no m'stê oiá Valdmar Pires, novela, e otrôskosa k (e'n) t''intressóns. Afnal no te pagá um taxa de kués 500 melrrês...


Pois, a população local, paga a sua taxa mensalmente e em troca recebe areia nos olhos. Poxa, 2 anos te salgá uns gent oi, convenhamos, é muita méldéde! Um verdadeiro atentado aos Direitos Humanos, pá!

Soube agora que a RTC já prometeu resolver o problema nos próximos tempos. Bem...

24 julho 2009

Juventude em Marcha na Praia

No ranká no bé oiá més um sucesso de plateia desse grupo de Sintadés

15 julho 2009

O vale, o verde e a (falta de) estrada (II)

Há três anos (sim, Sinta10 já tem uns dôs dia), publicava neste espaço um post a reivindicar uma estrada decente para Ribeira da Torre.
Ao que parece, o vale vai ter finalmente uma estrada. Quando ficar pronta, kel pov de nhe R'bera agradece.
Foto: BCN

08 julho 2009

Ele não morreu

Também nós por cá fomos na "f'ninha", triste fninha!, que proclamava a morte de Luis Romano.
O nosso "Vulto da Ilha" não morreu (ês goré'l e'mrrê)

Obrigado, "Boltchôr", pelo telefonema!

03 julho 2009

Aconteceu este fim de semana...

... Festival Nacional de Violino, na Ponta do Sol

Dizem que foi um sucesso.
Acho que sim. Senti ontem um cheirinho na TCV.

02 julho 2009

Mar brób

Historicamente o homem destas ilhas sempre travou uma luta com a Natureza, a ponto de ter aprendido "a comer pedras para não perecer". Essa luta assume contornos diferenciados, dependendo, como é óbvio, das características do próprio meio envolvente. Uns trepam íngremes montanhas a procura de um pão, outros desafiam o mar bravio, enfim...
Nas ilhas essencialmente rurais, moda sintadés, o grau de dureza da batalha é determinado grandemente pela vinda ou não da chuva. Se esta vem, os campos estão fartos, ninguém se lembra do governo (ia dizer FAIMO, mas...); o cinto desaperta, os municípios podem "fechar os cordõees à bolsa" ou pelo menos desmérrés menos vezes (claro, se bolsas houver)

Mas a coisa não é exclusiva do meio campestre. Em localidades piscatórias como Cruzinha de Graça, por exemplo, quando o mar está revolto (Janeiro, Feveriro) a população local ta passá um bocód à bróxa uma vez que os pescadores não podem lançar-se, com tanta frequência, ao mar.

Em Lagoa (ah pois, era aqui que eu queria chegar!) quando vem a chuva há fartura: há centenas de cabras a pastarem campo afora, há feijão verde e há também o famoso queijinho em abundância. O produto vende sem problemas, apesar dos nomes que os blasfemadores, sebérbes quando fartos, inventam para os denominar (one póssod de cima, havia muito queijo na ilha e passaram a chamá-los CD)

Em 2008 o ano agrícola não foi famoso por aquelas bandas. Os moradores do Planalto Leste começaram a vender as cabeças do seu gado a preços irrisórios para poderem sobreviver. Tentar sobreviver vendendo a (única) garantia do seu sustento! Ah, pobreza é parv, como diria a malta lá de R'birinha de Jorge!
E este ano? A coisa mudou/vai mudar de figura, e para pior, bem pior!!! Porquê?
A resposta é simples: Estrada Porto Novo - Janela.
Pois bem, com a construção da nova estrada, o fluxo de passageiros mudou de direcção. Agora ninguém anda na antiga estrada de montanha. A população do Planalto Leste não tem como vender seus produtos. Antes bastava levar o balaio de feijão, de maçã, de queijo para a berma da estrada, esperar pela passagem dos viajantes e... tá vendido. E agora? o que irá fazer essa população, tradicionalmente já bastante sofrida? Dizem que alguns têm vindo a descer para a vila da Ribeira Grande, onde tentam vender seus produtos, e não raras vezes regressam à casa à pé.

Não há dúvidas de que a nova estrada Porto Novo - Janela veio trazer outra dinâmica à região Norte da ilha. Mas, também é verdade que foi um grande revés para as comunidades que habitam o Planalto Leste. Mar ta brób lá pa ques banda.

Mar Mónse ne Cais de Porto Novo

Foto: BCN

30 junho 2009

Viagens na minha ilha

Tenho escrito muito sobre o vale da Ribeira da Torre, aqui no Sinta10. Desta vez, o olhar e a pena são de fora, logo insuspeitos. Eis o texto:

Ribeira da Torre

" Uma das ribeiras mais sinuosas de Santo Antão, a Ribeira da Torre é um convite à descoberta de pequenas plantações de banana, ao longo das encostas e propriedades agrícolas familiares ricas e exuberantes. A estrada, de terra batida, ladeia um grupo de coqueiros que balança ao sabor do vento, como num acto de boas-vindas ao visitante.
Da origem da designação Torre pouco se sabe, mas tudo indica que a imponente torre de pedra que se ergue logo na primeira curva, no lugar de Longueira, não passou despercebida aos primeiros povoadores do local. Longueira é, também, o nome de uma das maiores propriedades agícolas da região. Cana-de-açúcar, banana, mandioca, papaia, bata-doce, são produtos que se podem encontrar aqui, ao lado de árvores de fruta-pão e um dos mais antigos trapiches de aguardente da região.
Atravessada por cursos de água de regadio que desce das encostas, a estrada penetra a ribeira, onde serpenteiam levadas que trazem a água fresca das fontes no alto das rochas e dos reservatórios. Das casas das encostas chegam-nos os acordes dos últimos êxitos dos artistas locais radicados na Holanda; janelas e portas abertas, pátios solarengos convidativos à contemplação e ao lazer. O clima é mais fresco, húmido, porque os raios de Sol apenas aqui e ali se fazem sentir e durante poucas horas do dia.
Ao longo de mais de uma hora de marcha plantações e povoações sucedem-se e a ribeira estreita-se, entre duas vertentes agudas na rocha, para tornar a abrir-se num pequeno e curto vale, antes da próxima e misteriosa curva.
No final do nosso passeio, chegamos a Xô Xô onde se encontra a antiga propriedade da família Rocheteau: a velha casa cor-de-rosa de batentes de portas e janelas azuis, isolada, à sombra da vertente da montanha que se ergue várias dezenas de metros acima. A família há muito que deixou Santo Antão rumo a Portugal. A propriedade pertence agora ao Estado. Mas todos na região se recordam e falam do senhor Rocheteau como se fosse um parente...
Depois de Xo Xo a estrada – agora calcetada – faz uma curva para a direita e inicia uma subida íngreme, torneando a encosta, para ir ao encontro da estrada principal que liga Ribeira Grande a Porto Novo. O caminho é lento e depois de se ter percorrido toda a Ribeira da Torre, é preciso muito fôlego para continuar, mas vale a pena. Grupos de turistas e visitantes costumam combinar o encontro com a carrinha de transporte no final da caminhada. "


Texto: JA (extraído aqui)


Foto: BCN

26 junho 2009

Decadência II


Santo Antão quase já não produz côcos. Aliás, na ilha, praticamente já não há coqueiros. Uma famigerada praga assaltou essa especie e fez cair todas as folhas. Só ficaram os troncos erectos, apontados de forma lasciva para o céu.

kasta de destin ê esse?

18 junho 2009

Decadência

Há algumas semans a OADISA (Organização das Associações para o Desenvolvimento Integrado de Santo Antão) veio à público mostrar-se preocupada com o "estado degradante" em que se encontra a floresta do Planalto Leste, em Santo Antão.

Da última vez que estive na ilha (há coisa de um mês) não pude testemunhar o estado dessa parcela, por causa da nova estrada (pois é, agora todos os caminhos vão dar à Janela, os moradores de Corda ou Lagoa, coitados, já mal conseguem vender um queijinho ou um litro de feijão verde)
Em janeiro último já tinha passado pela floresta e fiquei triste com o estado deprimente daquele pulmão da ilha. Até fiz algumas fotografias mais para alimentar a minha nostalgia do que, propriamente, para deleite.

Na minha infância, cheguei a conhecer na ilha lugares que eram regadios, com hortas bem animadas, e que hoje estão ressequidos. Entretanto, já ouvia os mais velhos dizer que outros locais eram outrora pantanosos, o que me custava acreditar.

Agora penso: o que será que irei dizer aos meus filhos ou netos? Será que terei de explicá-los que no Planalto Leste havia uma densa floresta de pinheiros?

Caso para perguntar: Para onde vamos, hein?

11 junho 2009

Festival Nacional de Violino está de volta

Travadinha é o homenageado
Eleições? A próxima, (in)felizmente só acontece daqui a 2 anos. Por isso, está de regresso à vila da Ponta do Sol, o Festival Nacional de Violino que, no ano passado, não se realizou por causa das eleições autárquicas (má ukiê kum kosa teria a ver k'ot, ein?!!)

Este ano o certame, que deverá acontecer no próximo mês, homenageia o Grande violinista que foi Travadinha, natural de Santo Antão (Janela).

Ai, o grande Antunin Travadinha, de quem muito pouco se fala! Sempre que oiço as melodias deste saudoso filho de Sintadés, fico impressionado com as tchoradinhas de um violino singular.

Como diria Silva Roque, quem nunca ouviu a morna Bulimundo a ser interpretada de forma sublime pelo grande Travadinha?

Nota Biográfica de Travadinha:
António Vicente Lopes, Antoninho Travadinha, foi um músico autodidacta, que nasceu em Santo Antão. Com apenas 9 anos, começou a tocar nos bailes populares, mas só viria a alcançar a fama já nos seus quarenta anos, quando empreendeu uma tournée por Portugal.
Para além do violino, Travadinha tocava também viola (guitarra de 12 cordas), cavaquinho e violão.
Faleceu em 1987, no auge da popularidade.

09 junho 2009

Juventude em Marcha na Net

Já está disponível na Internet o Site do grupo teatral Juventude em Marcha, do Porto Novo. Com muita informação sobre o grupo, a página ainda disponibiliza um importante acervo fotográfico sobre os diferentes momentos de actuação do mais antigo agrupamento teatral de Cabo Verde, em actividade.
Consulte o site aqui

Foto: arquivo do grupo(no site)

12 maio 2009

Metáfora


"Já no ca tá nos sô! Janela agora tem túnel, Janela agora ta esticá mon e ta dá Porto Novo monzada"

Palavras de um morador de Janela às antenas da RCV no dia da inauguração da estrada

09 maio 2009

Para lá do asfalto

A partir de agora, quem chegar à Santo Antão e tiver que rumar à região norte da ilha terá duas alternativas. Estando em Porto Novo (a única porta de entrada da ilha) e tendo como destino Ribeira Grande, a opção mais natural será curvar-se para direita e tomar a direcção da novíssima estrada inaugurada hoje, 09 de Maio.
Esta opção é a mais natural por diversas razões. Primeiro, porque a infra-estrutura é moderna, asfaltada e sem grandes declives, o que faz diminuir consideravelmente o tempo de viagem. Alia-se à tudo isso o facto de uma estrada em superfície mais ou menos plana representar menos gastos para as viaturas do que uma via de montanha, com muitas inclinações, como é o caso da estrada que passa pelo Planalto Leste.

Mas em matéria de ganhos, os habitantes do concelho do Paul têm muitas razões para estarem radiantes. Por exemplo, um morador de Janela, que antes estivesse em Porto Novo era obrigado a galgar cerca de 49 kilómetros para chegar ao seu destino. Ora, pela nova estrada, esse mesmo habitante precisará apenas de 23 kilómentros, ou seja, menos de metade daquilo que antes era obrigado a fazer.
Já em relação a um ribeira-grandense, o percurso ficará praticamente igual em termos de distância (cerca de 36 kms), mas com a vantagem de o percurso ser feito em muito menos tempo.

Por conseguinte, é previsível que a (velhinha) estrada que passa pelo planalto leste venha a sofrer de forma drástica uma diminuição do seu tráfego, o que não significa que venha a deixar de ter importância. Construída na década de sessenta, essa estrada foi desde então, e até dias atrás, a única via de ligação entre os eixos sul e norte da ilha. Tida como uma das melhores, senão mesmo a melhor, infra-estrutura construída na ilha no século XX, a estrada continua a ser um dos ex-líbris de Santo Antão, sobretudo devido à forma engenhosa como foi construída por entre montanhas abruptas e serpenteantes, aliada à diversidade da paisagem que a envolve.

De facto, um visitante nunca ficará indiferente perante cenários paradisíacos como o da zona de Água das Caldeiras envolta num manto verde de pinheiros e cedros e que se estende até a zona da corda. Igualmente, é de se cortar a respiração partes como o troço que atravessa a zona do Delgadin, com o profundo vale da Ribeira da Torre ao fundo, e outros recortes, autênticos miradouros que fornecem vistas panorâmicas para falésias e vales profundos.

Enfim, embora ainda não disponha de um anel rodoviário que satisfaça todas as necessidades da ilha, Santo Antão pode já orgulhar-se da peculiaridade das estradas que tem. Por exemplo, a antiga que liga Porto Novo à Ribeira Grande, ou vice-versa, é uma autêntica obra de arte, rasgada sobre montanhas que atingem o céu, e a recém-inaugurada Porto Novo-Janela, é peculiar pelos seus dois túneis, únicos até agora em Cabo Verde. Poderíamos falar ainda dos pormenores de outras rodovias da ilha como a de penetração do vale da Ribeira Grande, ou ainda, a via (o caminho, talvez) que liga Ponta do Sol às Fontainhas.

Para terminar... as vantagens da estrada Porto Novo - Janela afiguram-se múltiplas. Mas, por agora, quero apenas pensar num pormenor: o Farol de Boi. Vítima de longos anos de abandono, é de se esperar que venha a ter outra sorte nos próximos tempos. É que, se antes ficava isolado, agora a nova estrada passa aí mesmo ao lado.
Já não faz sentido, pois, cantar Janela na bo cantin bossô. Como disse um morador, no dia da inauguração, Janela já tem túnel, Janela agora te esticá mom e ta dá Porto Novo monzada.
Fotos: aqui

07 maio 2009

Depois da tempestade...


Ao que parece a chuva resolveu dar uma trégua lá pelas bandas do Norte de Sintadés e, logo, as pontes despontaram-se.
Os meses de Outubro e Novembro últimos não foram nada complacentes com os donos das obras (ver este post) e mostrou que embora visite com raridade estas ilhas, a sua vinda deve ser sempre tida em conta.
Na altura, tratou-se apenas de uma chamadinha de atenção por parte da chuva amiga. Afinal, nunca devemos esquecer que Outubro é mês de escorroço.
Fotos: aqui

17 abril 2009

Tê Qu'Enfim... Realidade

Recebi anteontem de um amigo (que por sinal nem é de Sintadés) estas fotografias* da estrada Janela - Porto Novo, com a indicação expressa: "pa po na Sinta10".
Acostumado que estava/estávamos a ouvir falar do projecto dessa estrada, desde tempo de cniquinha, agora cá estão as fotos para que os apologistas de São Tomé (eu inclusive) possamos descansar. Vimos, gostámos e... cremos (ufff, tê qu'emfim!)
A infra-estrutura, a ser inaugurada no próximo dia 9 de Maio, vai, de certeza, trazer outra dinâmica à ilha de Santo Antão, a começar pela melhoria consideravel do contacto/ comunicação entre os eixos Norte - SUL

Passados dois anos após ter escrito este post sobre essa estrada, eis-me aqui de novo, agora com outro desejo que não aquele de voltar a ser criancinha, bla, bla, bla. Quero mais é chegar à ilha, pô pé ne kémim e dá um giro estrada-fora a contemplar as falésias, os recifes e a vista panorâmica sobre o Atlântico.
Afinal, a ténue luz que durante loooooongos anos permaneceu no fundo do túnel, transformou-se agora em várias luzes que se espalham por dois túneis. E quero contemplá-los, hehehehe.

*Não sei quem fez as fotos. O meu amigo também não

08 abril 2009

E se Estritin fosse "canyonado"?



Até a chegada da notícia de que Santo Antão iria acolher de 5 a 12 deste mês a 8ª reunião de Canyoning, eu conhecia muito pouco sobre a modalidade. Fui então pesquisar e vi imagens impressionantes desta modalidade desportiva radical. Logo lembrei-me de Estritin, uma ribeireta situada nas entranhas de Caibros, concelho da Ribeira Grande.
Só o facto de estarmos nesse esconderijo, por entre montanhas selvagens, já faz aumentar a adrenalina. Por isso imaginei uma etapa desta prova a passar pela cascata de Estritin. Não conheço o itinerário, não sei se foi uma das 16 ribeiras contempladas pela prova. Mas, seria deveras uma experiência única ver o canyonistas a traspor a cascata de águas cristalinas que flui por entre a estreita ribeira ladeada por montanhas arrepiantes.

Cascata de Estritin
Foto: BCN

Canyoning chega em Santo Antão


A ilha de Santo Antão é, desde o passado dia 5 de Abril ,centro mundial do Canyonning, uma modalidade desportiva radical que consiste na exploração progressiva de um rio, com os praticantes a tentarem trasnpor todos os obstáculos que vão encontrando.

Santo Antão é o primeiro território em África a acolher esta reunião. As anteriores já aconteceram em países como Itália, México, Espanha e França.

A ilha não tem rios, é certo, mas tem vales e ribeiras imponentes, com caudais de água permanentes. É a "descoberta" de uma ilha que esconde inúmeras potencialidades em diversas áreas. Quem sabe esta 8ª reunião de canyonning venha a dar o mote para que Santo Antão definitivamente possa estar a afigurar-se no mapa de eventos/modalidades relacionadas com montanhas, Ribeiras, caminhos vicinais...

Participam nessa prova aproximadamente 90 atletas internacionais em representação de 11 países, incluindo Cabo Verde. Estes irão escalar, ao longo de uma semana, cerca de 16 ribeiras.

29 março 2009

Vultos da Ilha

César Lélis
Frénk de Pi, Senhor Ontôn, Nha Lolita... são alguns dos nomes hilariantes por que ficou também conhecido esta figura carismática da ilha de Santo Antão. O actor ganhou este ano o prémio Mérito Teatral da Associação Mindelact e recebeu a distinção, ontem, Dia Mundial do Teatro.

A este vulto da ilha, uma das figuras santantonenses mais populares de todos os tempos, Sinta10 faz um tchintchin: à sua saúde e à saúde das nossas gargalhadas.

27 março 2009

Palmas pr'AMI-RIBEIRÃO

Tenacidade da mulher de Santo Antão petrificada em estátua

A Associação dos Amigos de Ribeirão/Campo de Cão (AMI-RIBEIRÃO) Homenageia hoje, 27 de Março, a mulher santantonense com a inauguração de uma estátua na localidade.


Ribeirão, outrora uma localidade árida e extremamente carente, ganhou na última década, uma dinâmica que a tem transformado numa região bastante próspera. Tudo, graças ao associativismo. Muitas famílias que antes dependiam quase que exclusivamente das estafadas FAIMO, têm hoje a sua própria fonte de rendimento com base, sobretudo, na agricultura com o sistema de rega gota-a-gota.

O presidente da Assembleia Nacional, Aristides Lima, vai marcar presença no acto de inauguração da estátua, com 2,5 metros. O empreendimento homenageia a tenacidade da mulher da ilha. Uma mulher que sobe ladeiras, desce covoadas, atravessa kilómetros de caminhos vicinais de carga à cabeça; uma mulher que foi à São Tomé e regressou agastada, mas permaneceu tenaz; uma mulher "sem anel nem colar, prata e ôr, de lenço mórrod, sem véidéd nem méldéd; de cachimbo à boca, estrrachada"...