Retomando aqui as memórias que vieram à tona através dos comentários de alguns leitores (Mnininha de Puvoçon, Boltchor, Vera...) sobre o saudoso "viva quel vim"... ´
Era a meta que todos auguravam alcançar: transitar de classe para poder integrar a comitiva que no dia x sairia de porta em porta à cata de quel bolo, quel pipoca, quel torresma. Por isso era imperativo estudar e aprender a lição porque, caso contrário,
bo'n dava passá, logo bo'n dav dá viva, logo bo tava fcá sem quel fétin novo. O empenho era (quase) total. Todos queriam estar na mesa do exame a encarar os dois professores. E aqueles que fossem "cabeça dura" eram-lhes pedidido que sentassem em casa semanas antes do exame (coitados, ficavam retidos no crivo da sebatina: tabuada (8 X 7 = ???), gramática, Meio Físico e Social...
Aqueles que ficassem "apurados" morriam de ansiedade e a conversa era outra:
quem que ti te bé inzemnób? É Dona Joana. uhau, ela é ménsinha! E'n ne nada, é senhor Antão, onhémén, el é mau!
No dia do exame:
cólê texto que bo dá? mim e'm escolhê "A chuva amiga" e bo? Mim foi professora que escolhe'm nhe texto, e'm dá "Maravilhas do Mar. E bô? mim e'm escolhê "O cabritinho Obediente". Uahh, quel texto lá é sébim, mim e'm te elel etê de cor: (...) conta-se que um dia a mamâ cabra antes de sair da casa disse ao cabritinho: - fecha a porta com a tranca e não abra a ninguém! Djon, cuitód, ele reprová ne mesa de exame. Quel lá gora é triste.
Ninguém queria ter, em Julho, um desfecho tão trágico. Por isso, a preparação começava desde Outubro do ano anterior e todos os detalhes eram levados em conta. Outros, desconfiados e supersticiosos, apostavam em plantinhas com tendências visionárias: pegavam nas folhinhas de uma planta, que agora me escapa o nome, e colocavam no meio do caderno. Se esta murchasse, hum, mau sinal! Mas, se ao contrário, permanecesse viva, hey... bons ventos.!!
Mas também era expressamente proíbido comer "casca" de queixo porque, de um potencial triunfador, poderíamos ir para o banco dos "cabeça dura". Afinal, as vitórias conquistam-se com muito trabalho e as vezes um pormenor é importante, hehehe. Não fôssemos transformar no fim do ano numa "raposa" devido a uma simples manhenteza como uma raspa de queijo, Deus defendê!
Tive a sorte de Dá viva ao longo dos quatro anos de escola primária. Assim que terminei a 4ª classe, em 1994, extinguiu-se, com a Reforma, o Viva quel vim. E morreu parte do encanto que envolvia todo o ensino primário. E nunca mais se ouviu cantar: manzinha dzê, quem fcá roposa, ali ca ta entrá! purrli? purrlá, 4ª classe ca brincadêra.