04 outubro 2008

Um património com nome de boi, mas... sem força

Depois da tempestade...
Bem não sei se digo que vem a bonança. Prefiro apenas pensar que a Meteorologia esteja a prever dias menos zióg.
Não estou a falar de furacões, daqueles que nos chegam, felizmente só pela televisão, e vezes sem conta arrasam sobretudo países das Caraíbas e costa dos Estados Unidos. Refiro-me à tempestade de insensilidade que tem afectado o Farol Fontes Pereira de Melo, vulgo Farol de Boi, sito no Nordeste de Santo Antão. Costumo ser um indivíduo um bocado céptico, ou então um espécie de São Tomé que para crer precisa de ver, com os seus (próprios) olhos, naturalmente!
Por isso mantive sem euforias quando, na semana passada, via e ouvia o ministro das Infraestruturas e Transportes, Manuel Inocêncio, a anunciar na TCV que já existe, ou vão conceber (já não me recordo) um projecto para recuperar o já tão definhado Farol de Boi. E para dar corpo ao meu cepticismo fui revolver os meus arquivos e reler um apontamento sobre esse farol, da autoria de Rosendo Pires Ferreira, publicado na antiga revista Ekhos do Paul, ediçao nº 2, segundo trimestre de 1992.
O autor começa por fazer uma breve incursão pela história e escreve que o farol “foi mandado construir por Portaria Régia de 2 de Abril de 1884, para indicar a entrada do canal de Sao Vicente pelo Norte, iniciou a sua actividade a 15 de Maio de 1886, conforme AVISO DOS NAVEGANTES publicado no Boletim Oficial n17, de 17 de Abril desse longinquo ano”.

Note-se que em 1992, altura em que foi produzido o artigo, o farol já completava 106 anos de “ininterrupto funcionamento”, facto, aliás, assinalado pelo articulista.


O artigo prosegue a indicar o papel de “importância transcendente” que o farol “desempenhou na rota dos navios que cruzavam o Atlântico medio e particularmente nas rotas dos Sul e para as Américas”; lança um olhar sobre as características que fazem do Farol de Boi um “bem histórico-patrimonial” para, já na parte final, abordar o futuro dessa magnífica obra.
Ah, pois... é aqui onde eu queria chegar! Segundo Pires Ferreira, em Novembro de 1991, a AMIPAUL, em carta dirigida ao então Ministro da Educação, que também na altura tutelava a pasta da Cultura (...) “chamou a atenção do governo para esse Património Histórico Nacional (...) e solicitou o reconhecimento formal dessa qualidade”. Entretanto, fazia notar o autor, “mais de seis meses depois (...) nenhuma reacção oficial foi tornada pública a esse respeito”
Posteriormente, ao que parece, soube-se que a então Direcção-Geral da Marinha Mercante teria a pretensão de “transformara essas instalações num museu”, ideia que seria prontamente acarinhada pela AMIPAUL conforme faz notar Ferreira ao escrever que aquela Associação declarava “apoiar sem reservas a ideia”, ou então que “ela [a AMIPAUL] se prontificou a dar o seu apoio na busca de fontes de financiamento para a concretização dessa ideia.”
Vejamos: passam hoje 16 anos após este texto ter sido escrito e a situação mentém-se inalterável. Ou seja, nada foi feito para recuperar/preservar essa construção centenária e hoje o monumento está a cair de podre. O máximo que conseguiu foi ver as lentes da sua lanterna desactivadas e substituídas por modernas lentes à energia solar, instaladas ali mesmo nas imediações.
A última vez que lá estive foi em Agosto de 2007 e era triste constatar que já não se pode, com firmeza, subir as escadas metálicas da torre do farol porque há o perigo de haver uma derrocada. Igualmente triste é ver o estado em que se encontra a casa dos faroleiros, edifício contíguo ao farol, outrora com 8 divisões, hoje quase que não tem paredes interiores, nem cobertura.

Por tudo isso, tenho todos os motivos para manter a minha atitude céptica e esperar até o dia em que meus olhos me forçarem a acreditar que alguma coisa foi feita para recuperar o farol (se esse dia vier). Mas... há agora uma réstia de esperança e esta quem ma traz é a estrada Porto Novo / Janela que passa bem pertinho do farol. Aliás, foi na sequência de uma visita às obras dessa estrada que o ministro Manuel Inocêncio falou na intenção de se vir a fazer alguma coisa para recuperar o que ainda pode sobreviver do farol.
E todos sabem que, rentabilizando aquele espaço, pode-se aproveitar aquela fantástica vista que se tem sobre toda a costa Norte de Santo Antão, com o ilhéu dos Bois logo ali no sopé. (logo aqui ao lado, também)

Características gerais do Farol
Nome:
Farol Fontes Pereira de Melo
Localização: Pontinha de Janela, Noerdeste Santo Antão
Início Construção: 1884 (começou a funcionar em 15/05/1886
Torre: 10,7 m
Lanterna: 4,5 m, assente numa base metálica com 3 m de diâmetro
Alcance: 27 milhas

Fonte: FERREIRA, R.P, in Ekhos do Paul, Abril/Mai/Jun, pp 36,37,38

Há dois anos escrevia aqui o meu primeiro post sobre o farol. E se daqui há dois anos tivesse que publicar outro post a dar conta das obras de recuperaçã0?!! Mas prefiro deixar accionado o meu desconfiómetro até meus olhos ordenarem o contrário.

3 comentários:

lucy disse...

sabes que nunca estive no farol? tens k me fazer uma visita guiada por la! kd estiver tudo reformado!!!!claro! beijao

Benvindo Neves disse...

Ca tem problema. cosa mas difícil é no incontrá ne Santo Antão. Mas assim k for possível no té bé.
beijos

Anónimo disse...

ohhhhh. pk? vamos encontrar la sim. vá de ferias px ano k tb vou.bjs