29 dezembro 2009

Memórias (com espinhos)



Este é uma das espécies de cactos mais conhecidas entre nós. É a opuntia, pertencente à família cactaceae. Mas chega desses nomes esquisitos. Na ilha, esta planta recebe um nome bem mais simpático: Tóbói. 
O Tóbói  faz-me viajar pela minha infância em Sintadés. Ainda relativamente abundante na ilha, nasce espontaneamente e invade encostas e ladeiras, lá onde o agricultor não cultiva espécies comestíveis. Espera aí, e quem foi que disse que esta planta não é comestível? Bem, bem, quer dizer, o seu fruto é que é.

Pois bem, na minha infância fartei-me de comer o fruto de tóbói ainda que para o fazer tivéssemos que passar por uns maus bocados. Tal como a planta, o fruto é infestado de espinhos em toda a sua dimensão, o que nos obrigava a meter as mãos em sacos, apanhá-los e esfregá-los em terra para podermos livrar dos espinhos e abrir o fruto. De quanto em vez, um malditinho espinho conseguia engarnar-nos e invadir o banquete. Ai ai!! aí que era problema!!!

Uma das minhas irmãs mais velhas era especialista em "limpar" o fruto. E nós, os mais pequenos, aguardavamos ansiosos para depois podermos devorar o conteúdo.

Hoje em dia já não vejo muitos frutos de tóbói na ilha, kóntémés crianças a comê-los. E hoje, elas têm outros paladares e se calhar nem sabem que os comíamos.

foto: aqui

4 comentários:

Anónimo disse...

Oi Benvindo..as coisas que tu sabes moço!!! Te desejo uma Ano Novo cheiinho de novas ideias e ideais e principlamente muita saúde!
Aquele abraço da Serra.
F.C.

Benvindo Neves disse...

Obrigado, Fatinha.
Tudo de bom pra ti também em 2010.

Vamos ver se 2010 me traga um pouco mais de disposição para continuar a postar neste cantinho sintadésense

Abraço e boas entradas

Manél de Pipinha disse...

O nosso “tóbói”, conhecido no México por “Nopal” , é uma delicadeza na gastronomia desse país.

Geralmente, quando passo na bordeira, debaixo da casa do tio Lela Martins em Lugar-Guene, vou sempre matutando com os meus botões ao ver aquela comida desperdiçada. Particularmente naquele e noutros lugares de Santo Antão a planta sempre existiu de forma selvagem.

Possivelmente ela muito bem poderia nos ajudar a debelar a crise alimentícia e com muito pouco custo. Pelas informações que eu tenho, o nosso clima é propício para o seu cultivo. Aliás, prova é que enfrenta sem grandes dificuldades os anos consecutivos de estiágem.

Agora, o problema que se põe é como convencer um dos nossos conterrâneos, como por exemplo o meu amigo de criação, o Paxanha, a “espancar nas costas uma pratada de tóbói” como faz com uma de feijão com carne-de-porco. No dia que o conseguirmos o problema da quase-monocultura do milho estará resolvido.

E, já assim, que tal a ideia de organizar uma paródia cujo manjar seria a base de “tóbói” ?

Para mais informações, consulte : http://www.labuenaonda.com.br/el_nopal.htm

Manuel Freitas

Benvindo Neves disse...

Olá Manuel Freitas, tudo bem?

Realmente, na nossa terra as vezes desperdiçámos dádivas que noutras paragens são autênticas riquezas, como é o caso do "tóbói".

Ai Paxanha. Estou a imaginar o nosso caríssimo a devorar um prato de tóboi, com aquela voracidade toda que lhe é característico, hehehe. chegou a ler o post sobre pachanha neste mesmo blog?

Uma paródia com "tóbói" como manjar? Que ideia tão gira e exótica! Já estou inscrito.

obrigado pela dica.
Um abraço, volte sempre.