26 janeiro 2010

Cordas do Sol na Praia

Lume de Lenha e kentura no Auditório Nacional


Os 3 últimos posts publicados aqui no Sinta10 foram macabros. Mas este não é, definitivamente, o tom deste blogue, a nossa música é outra. E por falar em música, vamos lá dar um safanão no tom fúnebre dos últimos textos e falar do espectáculo do Cordas do Sol no último fim-de-semana, na Praia.

Antes de mais, o espectáculo estava marcado para as 22 horas, começou exactamente a hora marcada e já com sala cheia! Isso tem alguma coisa de especial? Sim, claro que tem, se se levarmos em conta o nosso hábito, bem cabo-verdiano, de começar a chegar aos eventos uma hora depois...


Vamos agora ao que interessa: o espectáculo foi maravilhoso, houve muita interacção entre o público e o grupo, muita descontracção, sobretudo devido ao grande sentido de humor de um dos elementos do grupo, o Arlindo Évora. O show fez-nos viajar pelo Santo Antão profundo, revisitar o quotidiano da ilha,  entranhar em cada vale ou selada e sentir o "rumor das coisas simples da minha terra", parafraseando o grande poeta Jorge Barbosa.


Cada música, cada melodia  nos transportava para uma ponta da ilha: com Zéka Brônke senti o gosto de um Lovód Nome de Deus; vi o rosto intrigado das nossas avozinhas a soltar um Kréde n'Mstér para depois sentenciar que Mund ta um perd'mênt; mas também deliciei-me com a imagem de uma panela de catxupa te rolá férva, sob as ordens de um lume dzefnód de lenha de mangueira. 

Mas, o reportório revistou também os "clássicos" do grupo. Marijoana disse presente ke sê Cónhót tervessód nó boca; É Boi fez rodar os trapiches e fez grogue para o tal Kzemênte de R'bera Riba, embora com queda d'Riba próboxe; as FAIMO voltaram às ribeiras da ilha, com txmada no ponto e tud e Mnininha fêma voltou a não ir pó bói (pelo menos ficou o conselho).


Tudo isso fez com que o Auditório Nacional Jorge Barbosa se transformasse, na noite de sábado, num autêntico enclave de Santo Antão na Praia. Depois de alguma água gelada na fervura, Cordas do Sol voltou com muita lenha na fogueira, o que quer dizer que para os próximos tempos o fumo vai continuar r'bokóde.O CD é bom, diversificado nos assuntos e nos estilos. A voz bela e forte da Seuzany trouxe outro timbre às melodias, sem dúvida. Só que, na minha opinião, o modo como se apresentou não se encaixou bem ao estilo do grupo. Ou foi mesmo propositado, uma preocupação em aliar a tradição à modernidade? Bem, está na moda!


Por último, não resisto em comparar este Lume de lenha com os trabalhos anteriores. Sente-se que Cordas do Sol procurou inovar bastante. Saiu do "folclore" estritamente santantonense e projectou um olhar mais global. Pensou nos meninos de rua, no flagelo da droga, na necessidade de libertar a Mamãe África... "suavizou" mais o dialecto santantonense e isso fez com que o grupo tenha aproximado mais do buçê.

Portanto, acho que os dois primeiros trabalhos foram mais genuínos, mais terra-terra, enquanto este tem pretensões mais globais. Nada de errado, tudo depende da estratégia ou visão que o grupo tiver traçado. Mas isto não mexe com a qualidade do trabalho. Gostei muito!



Fotos: BCN

10 comentários:

Anónimo disse...

Olá Benvindo,
Ainda não conheco "lume de lenha" mas gostava de ter o cd, aqui na zona onde vivo é muito dificil encontrar boa musica de Cabo Verde.
Fico a aguardar noticial tuas. E do Luis Morais não divulgas aqui nada no blog?
Beijo
F.C.

Butcha disse...

Nha primo gente te tra boca de morto é k um bom grog la de Sintadez, mas na falta de grog no te ovi um bom musica de Cordas de Sol pe espanta esse onda de tristeza que tem assolod Cabo Verde. E jam te curioso pe ovi esse "Lume de Lenha". Abraços broo

Valdevino Bronze disse...

Repezin,
M passa prei pe mata soded... diaza eh bom!
Bo blog te kuntinua um must como sempre...
Kel braça grrotxode... chei de vontede de posta tembe ma koza téme pertod!

Val

Benvindo Neves disse...

Ó Bóltxas, nhé fi!!! ukiê fet de bo? Sodéd de bos fnina, répez.

kel braça, ma sem mut gorrôtxe.

jorge disse...

bava ka ta pa bo passa nem um musiquinha dekes li na esse blog?
ahhhhh...mim e jorge,uvi,(alto,klore,um pkedim bnite, de la de tenque)bo k tlemra?
xau...t log

Benvindo Neves disse...

Adé répés, claro kun te lembrá de bo. Jorge, de Lombo de Fôxoca. Ma mim um te txmób é Trovon de Vaca (e'n ne pe fká vermei percósa disso, hahah)

Rapaz, manera bo tá? Inda tud lá pe terras de Kremlin????

Ya, tem possibilidade de po um ou ot muzka li, sim. Mas, so se Cordas do Sol autorizém, boi.

Abraço

Anónimo disse...

realmente a cantora dos Cordas do Sol podia se ter apresentado com outra indumentária em palco...de tanto corpo mostrar chegar a raiar a vulgaridade, nada a ver com a cultura caboverdeana!!!!

jorge disse...

Rapaz, bo ka tem vergonha na pele de cara,k tonte cunclut k'm tebe dode,ainda bo k po nome na tchom?li pa esse terra de krelin,e vodka cosa ta td t dret,ta bai cul....jam ti ta prepera mala pa ranka pa terra.mandam bo numero de telf.f'ka ma Deus.tchau

Benvindo Neves disse...

Fatinha, eu sei, estou em dívida contigo. Oportunamente vou preparar uma coisinha bem fixe sobre Luis Morais,especialmente pra ti

Abraço

Menina Mulher disse...

Olá

Eu sou fã dos Corda d´Sol e fico com uam pontinha de inveja (isso sim saudavel) de ñ poder assistir a estes eventos.
Gostei da tua descrição do espectáculo e é de se louvar mesmo a pontualidade eheheh, ainda mais na Praia.
E concordo contigo quanto a indumentária da vocalista (reparei nisso mesmo antes de ler o texto), ela bem q podia escolher algo que estivesse mais em harmonia com as caracteristicas do grupo.

E fico ansiosa a espera que te autirizem a nos disponibilizar aqui algumas faixas do CD deles.

Beijão e força