23 janeiro 2012

A Outra Face da Lei em imagens... e 2 plévrinha

Cenas d'A Outra Face da Lei (Fotos: BCN)

Não cheguei a encontrar os célebres tribunais populares, ou de zona, mas cresci a ouvir falar deles, e as vezes quando se referem à esses tribunais até fico com a sensação de ter convivido com eles. Histórias famosas ficaram associadas aos tribunais de zona, muitas com uma boa dose de anedotas, é certo. Desde aquele burro que, por devorar as plantações de uma horta de um fulano, foi condenado à prisão (quer dizer à estábulo) perpétua; passando por aquele cão que por ter mijado numa rua "proíbida" foi-lhe dado a sentença de não passar naquelas redondezas durante uns três meses. (aliás o juiz do tribunal popular da peça A Outra Face da Lei vangloria-se disso mesmo como tendo sido um dos seus feitos que mostram que ele não atura desaforos).

A Outra Face da Lei fez-me viajar pela minha ilha adentro (é impossível não fazer este exercício, inconsciente até, sempre que assisto á uma peça do Juventude em Marcha). Com o julgamento de Aníbal, por exemplo, lembrei-me daquele fulano lá de Lugar de Guene (contemporâneo dos meus irmãos mais velhos) que foi condenado lá no tribunal de nho Iszê M'guêl a uns dezenas de palmatórias por ter tród Nhô Móne um vento méf que ninguém tava podê suportá. (um buf, entende-se).

A peça apresentada este sábado (21 Janeiro) na Assembleia Nacional revela mais um trabalho de intensa pesquisa por parte do Juventude Em Marcha  De todo o modo, penso que na parte final, os largos minutos de "terror" poderiam ser amainados. É certo que a intenção é boa, castigar duro para que depois haja redenção, mas para quem tem medo de gongon...

... ainda por cima  agora que se volta a falar dos outrora famosos e temíveis "Monçongos"! Afinal, os "Monçongos", que já estavam em vias de extinção, parece que ressuscitaram (é, pelo menos, o que tem sugerido alguns jornais ca do burgo)

OBS: Há dias, numa entrevista à RCV Jorge Martins disse que o Juventude em Marcha deve ser chamado de Juventude em Marcha de Cabo Verde e não apenas de Santo Antão porque, segundo o actor, lá onde estiver, o grupo representa o país inteiro. Já bsót séb!

6 comentários:

Megs disse...

Não vi a peça, e dos primeiros comentários que ouvi fiquei desinteressada em apreciá-la. Mas depois dessa sua descrição, voltou a vontade de ver a peça. Fica para próxima apresentação. Bom Texto BCN.

Benvindo Chantre Neves disse...

Pois Magui, nessas coisas nada melhor do que ser como São Tomé. Há que "ouvir com os próprios olhos e ver com os próprios ouvidos" (como aliás diz uma das testemunhas da peça)para se poder fazer uma avaliação própria. Hehehehe

Abraço

Valdevino Bronze disse...

Pois eh Benvass..
Girolde tem rezon...Como aquela Celebre frase nos CVMA do ano passado que teima em fazer eco na minha Cabeça: "De Santo Antao para Cabo Verde e de CV para o mundo" ... De-me kel mosse la um Sôk ne kók de kebessa de fovor, da... pel po Juize!!! Brassa Grotxode.. VB

Benvindo Chantre Neves disse...

Hahahha, Vavá bo tem memória de elefént.Inda bo ti te lenbrá de kel gafe? hahahah, kel soco ja'n non vale a pena. Papa ja esfriá, hahaha

Bitim disse...

Quem conhece e assiste regularmente os trabalhos do grupo JuvMar, não fica em duvida sobre a sua qualidade.
Eu não pude ir ao teatro, porque janeiro é mes de quebra, mas também tive a oportunidade de ler o livro, o qual gostei imenso por causa do seu carácter humorístico constante, principalmente sobre aquele português criolizado. É rir pra doer. Muito bom mesmo.

Anónimo disse...

O que um bom post. Eu realmente gosto de ler esses tipos ou artigos. Eu não posso esperar para ver o que os outros têm a dizer.