06 março 2006

ESS QUÊ NHA TERRA

Os ponteiros do meu relógio já haviam transposto o ponto que marca as doze badaladas. Desço de uma viatura Hiace e o ar que envolve meu rosto denuncia um ambiente diferente. Estou em Pedra Badejo, interior de Santiago, e vou ao encontro de um amigo que conheci há quase quatro anos, quando cheguei na cidade da Praia. O Objectivo é passar um dia agradável, não fosse uma quarta-feira de cinzas, ocasião para muita festa e fartura em Santiago, sobretudo no interior. A acompanhar-me, o meu irmão Jair mais um colega das lides académicas na Jean Piaget.
Antes de dobrar a esquina que dá para a casa do amigo, eis que deparo com ele na soleira de uma casa a jogar oro com um ancião. Hum, há quanto tempo não vejo esta imagem! Por instantes dou algumas voltas à cachola e recordo a minha infancia lá na pacata Ribeirinha de Jorge, zona do espantoso vale da Ribeira da Torre, Santo Antão. E lembro-me das joguinhas de uril (assim dizemos lá na ilha) que, de forma apaixonante fazíamos eu, meu irmão Jair e o Dêc, este último um craque que hoje se encontra lá nos States. Os nossos tabuleiros, imagine, eram doze buracos perfurados no chão. Escolhíamos um lugar onde a terra era dura e nivelada e então desenhávamos geometricamente os buracos, seis de cada lado. Como bolas de uril usávamos semestes de algumas árvores, mas também pedrinhas redondas e até bnic de cabra.
Ponho um stop na minha divagação e “desço” para a realidade que me circunda. Após fecharem uma ronda o meu amigo levanta-se e dirigimos à casa dele. À nossa espera uma mesa recheada, onde não poderia faltar o famoso cuscus com mel. Momentos depois o estômago de cada um de nós estava bem regalado e saímos em passeio pelos arredores da vila.
Cerca de uma hora depois regressámos à casa do anfitrião. A mesa está novamente reposta. Agora é almoço. Huf, quanta comida: couve, mandioca, peixe seco, arroz, xerem, enfim comida da ocasião. Volto para os meus botões e exclamo: - esta que é tradiçon di terra. E digo aos meus confrades que me acompanhavam: "Rapazes, não enchem o saco todo, porque vamos ter que visitar mais três ou quatro amigos. E olhem que eles não nos perdoarão se recusarmos as suas cozinhadas de cinza." Ê tradiçon di nha país.

5 comentários:

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