12 maio 2009

Metáfora


"Já no ca tá nos sô! Janela agora tem túnel, Janela agora ta esticá mon e ta dá Porto Novo monzada"

Palavras de um morador de Janela às antenas da RCV no dia da inauguração da estrada

09 maio 2009

Para lá do asfalto

A partir de agora, quem chegar à Santo Antão e tiver que rumar à região norte da ilha terá duas alternativas. Estando em Porto Novo (a única porta de entrada da ilha) e tendo como destino Ribeira Grande, a opção mais natural será curvar-se para direita e tomar a direcção da novíssima estrada inaugurada hoje, 09 de Maio.
Esta opção é a mais natural por diversas razões. Primeiro, porque a infra-estrutura é moderna, asfaltada e sem grandes declives, o que faz diminuir consideravelmente o tempo de viagem. Alia-se à tudo isso o facto de uma estrada em superfície mais ou menos plana representar menos gastos para as viaturas do que uma via de montanha, com muitas inclinações, como é o caso da estrada que passa pelo Planalto Leste.

Mas em matéria de ganhos, os habitantes do concelho do Paul têm muitas razões para estarem radiantes. Por exemplo, um morador de Janela, que antes estivesse em Porto Novo era obrigado a galgar cerca de 49 kilómetros para chegar ao seu destino. Ora, pela nova estrada, esse mesmo habitante precisará apenas de 23 kilómentros, ou seja, menos de metade daquilo que antes era obrigado a fazer.
Já em relação a um ribeira-grandense, o percurso ficará praticamente igual em termos de distância (cerca de 36 kms), mas com a vantagem de o percurso ser feito em muito menos tempo.

Por conseguinte, é previsível que a (velhinha) estrada que passa pelo planalto leste venha a sofrer de forma drástica uma diminuição do seu tráfego, o que não significa que venha a deixar de ter importância. Construída na década de sessenta, essa estrada foi desde então, e até dias atrás, a única via de ligação entre os eixos sul e norte da ilha. Tida como uma das melhores, senão mesmo a melhor, infra-estrutura construída na ilha no século XX, a estrada continua a ser um dos ex-líbris de Santo Antão, sobretudo devido à forma engenhosa como foi construída por entre montanhas abruptas e serpenteantes, aliada à diversidade da paisagem que a envolve.

De facto, um visitante nunca ficará indiferente perante cenários paradisíacos como o da zona de Água das Caldeiras envolta num manto verde de pinheiros e cedros e que se estende até a zona da corda. Igualmente, é de se cortar a respiração partes como o troço que atravessa a zona do Delgadin, com o profundo vale da Ribeira da Torre ao fundo, e outros recortes, autênticos miradouros que fornecem vistas panorâmicas para falésias e vales profundos.

Enfim, embora ainda não disponha de um anel rodoviário que satisfaça todas as necessidades da ilha, Santo Antão pode já orgulhar-se da peculiaridade das estradas que tem. Por exemplo, a antiga que liga Porto Novo à Ribeira Grande, ou vice-versa, é uma autêntica obra de arte, rasgada sobre montanhas que atingem o céu, e a recém-inaugurada Porto Novo-Janela, é peculiar pelos seus dois túneis, únicos até agora em Cabo Verde. Poderíamos falar ainda dos pormenores de outras rodovias da ilha como a de penetração do vale da Ribeira Grande, ou ainda, a via (o caminho, talvez) que liga Ponta do Sol às Fontainhas.

Para terminar... as vantagens da estrada Porto Novo - Janela afiguram-se múltiplas. Mas, por agora, quero apenas pensar num pormenor: o Farol de Boi. Vítima de longos anos de abandono, é de se esperar que venha a ter outra sorte nos próximos tempos. É que, se antes ficava isolado, agora a nova estrada passa aí mesmo ao lado.
Já não faz sentido, pois, cantar Janela na bo cantin bossô. Como disse um morador, no dia da inauguração, Janela já tem túnel, Janela agora te esticá mom e ta dá Porto Novo monzada.
Fotos: aqui

07 maio 2009

Depois da tempestade...


Ao que parece a chuva resolveu dar uma trégua lá pelas bandas do Norte de Sintadés e, logo, as pontes despontaram-se.
Os meses de Outubro e Novembro últimos não foram nada complacentes com os donos das obras (ver este post) e mostrou que embora visite com raridade estas ilhas, a sua vinda deve ser sempre tida em conta.
Na altura, tratou-se apenas de uma chamadinha de atenção por parte da chuva amiga. Afinal, nunca devemos esquecer que Outubro é mês de escorroço.
Fotos: aqui

17 abril 2009

Tê Qu'Enfim... Realidade

Recebi anteontem de um amigo (que por sinal nem é de Sintadés) estas fotografias* da estrada Janela - Porto Novo, com a indicação expressa: "pa po na Sinta10".
Acostumado que estava/estávamos a ouvir falar do projecto dessa estrada, desde tempo de cniquinha, agora cá estão as fotos para que os apologistas de São Tomé (eu inclusive) possamos descansar. Vimos, gostámos e... cremos (ufff, tê qu'emfim!)
A infra-estrutura, a ser inaugurada no próximo dia 9 de Maio, vai, de certeza, trazer outra dinâmica à ilha de Santo Antão, a começar pela melhoria consideravel do contacto/ comunicação entre os eixos Norte - SUL

Passados dois anos após ter escrito este post sobre essa estrada, eis-me aqui de novo, agora com outro desejo que não aquele de voltar a ser criancinha, bla, bla, bla. Quero mais é chegar à ilha, pô pé ne kémim e dá um giro estrada-fora a contemplar as falésias, os recifes e a vista panorâmica sobre o Atlântico.
Afinal, a ténue luz que durante loooooongos anos permaneceu no fundo do túnel, transformou-se agora em várias luzes que se espalham por dois túneis. E quero contemplá-los, hehehehe.

*Não sei quem fez as fotos. O meu amigo também não

08 abril 2009

E se Estritin fosse "canyonado"?



Até a chegada da notícia de que Santo Antão iria acolher de 5 a 12 deste mês a 8ª reunião de Canyoning, eu conhecia muito pouco sobre a modalidade. Fui então pesquisar e vi imagens impressionantes desta modalidade desportiva radical. Logo lembrei-me de Estritin, uma ribeireta situada nas entranhas de Caibros, concelho da Ribeira Grande.
Só o facto de estarmos nesse esconderijo, por entre montanhas selvagens, já faz aumentar a adrenalina. Por isso imaginei uma etapa desta prova a passar pela cascata de Estritin. Não conheço o itinerário, não sei se foi uma das 16 ribeiras contempladas pela prova. Mas, seria deveras uma experiência única ver o canyonistas a traspor a cascata de águas cristalinas que flui por entre a estreita ribeira ladeada por montanhas arrepiantes.

Cascata de Estritin
Foto: BCN

Canyoning chega em Santo Antão


A ilha de Santo Antão é, desde o passado dia 5 de Abril ,centro mundial do Canyonning, uma modalidade desportiva radical que consiste na exploração progressiva de um rio, com os praticantes a tentarem trasnpor todos os obstáculos que vão encontrando.

Santo Antão é o primeiro território em África a acolher esta reunião. As anteriores já aconteceram em países como Itália, México, Espanha e França.

A ilha não tem rios, é certo, mas tem vales e ribeiras imponentes, com caudais de água permanentes. É a "descoberta" de uma ilha que esconde inúmeras potencialidades em diversas áreas. Quem sabe esta 8ª reunião de canyonning venha a dar o mote para que Santo Antão definitivamente possa estar a afigurar-se no mapa de eventos/modalidades relacionadas com montanhas, Ribeiras, caminhos vicinais...

Participam nessa prova aproximadamente 90 atletas internacionais em representação de 11 países, incluindo Cabo Verde. Estes irão escalar, ao longo de uma semana, cerca de 16 ribeiras.

29 março 2009

Vultos da Ilha

César Lélis
Frénk de Pi, Senhor Ontôn, Nha Lolita... são alguns dos nomes hilariantes por que ficou também conhecido esta figura carismática da ilha de Santo Antão. O actor ganhou este ano o prémio Mérito Teatral da Associação Mindelact e recebeu a distinção, ontem, Dia Mundial do Teatro.

A este vulto da ilha, uma das figuras santantonenses mais populares de todos os tempos, Sinta10 faz um tchintchin: à sua saúde e à saúde das nossas gargalhadas.

27 março 2009

Palmas pr'AMI-RIBEIRÃO

Tenacidade da mulher de Santo Antão petrificada em estátua

A Associação dos Amigos de Ribeirão/Campo de Cão (AMI-RIBEIRÃO) Homenageia hoje, 27 de Março, a mulher santantonense com a inauguração de uma estátua na localidade.


Ribeirão, outrora uma localidade árida e extremamente carente, ganhou na última década, uma dinâmica que a tem transformado numa região bastante próspera. Tudo, graças ao associativismo. Muitas famílias que antes dependiam quase que exclusivamente das estafadas FAIMO, têm hoje a sua própria fonte de rendimento com base, sobretudo, na agricultura com o sistema de rega gota-a-gota.

O presidente da Assembleia Nacional, Aristides Lima, vai marcar presença no acto de inauguração da estátua, com 2,5 metros. O empreendimento homenageia a tenacidade da mulher da ilha. Uma mulher que sobe ladeiras, desce covoadas, atravessa kilómetros de caminhos vicinais de carga à cabeça; uma mulher que foi à São Tomé e regressou agastada, mas permaneceu tenaz; uma mulher "sem anel nem colar, prata e ôr, de lenço mórrod, sem véidéd nem méldéd; de cachimbo à boca, estrrachada"...

25 fevereiro 2009

Momentos

No dia de cinzas, p'ra não variar, fomos ao interior de Santiago. Mas não apreciámos apenas a comida típica. Nessa tarde, a partir de Assomada, deliciámo-nos com a imagem do Vulcão do Fogo a exibir toda a sua grandeza e imponência.

Mesmo em Santiago Ele é balenti, mesmo em Santiago, pá ...


Fotos: BCN

18 janeiro 2009

17 de Janeiro - Ribeira Grande né festa

Não, ess e'n nê um boca te gritá dia de liberdéd quês te dzê ma é dia 13 de Jêner.
Ess é um pormenor de uma das esculturas do edifício da Câmara Municipal da Ribeira Grande.
O concelho festejou ontem o seu dia com Ferro Gaita, Vadu, Nhô Kzick, corrida de cavalos, futebol, discursos, TCV (!), feira de produtos agroalimentares...
Bem, nos boca ca tava lá

Foto: mindelinfo.com

11 janeiro 2009

Uma escalada ao Topo de Miranda

Topo de Miranda (ou Tôp d'Mranda no vernáculo) é a emblemática torre que se ergue no meio da Ribeira da Torre. Aliás o nome do vale deve-se precisamente ao monte.O vale é conhecidpelas suas inúmeras maravilhas que vão desde as extensas plantações de bananeira e cana de açúcar, passando pelos seus recantos imponentes como é o caso de Xoxô, que, como um dia comentou Paulino Dias "é, sem dúvida, um dos lugares mais belos deste país (...) pela semi-circularidade das montanhas ao redor, a frescura, a harmonia, a idéia de "fechadura" que se desenha desde à entrada do Canto, passando pela borracha, até chegar no viradouro embaixo dos pés de manga..."
Não obstante tudo isso, é justo dizer que não se pode aludir ao vale sem se fazer referência à sua Imagem de marca - O Topo de Miranda - plantado no meio da ribeira qual Torre Eiffel na Cidade das Luzes.
Pois é, Topo de Miranda está lá de plantão e perscruta o vale de ponta a ponta, como que em defesa da sua gente. Cresci no sopé do monte, sempre sob o seu olhar protector, via-o como uma entidade intocável. Da infância guardo as imagens das biafas e passarinhas a dirigirem-se de imediato ao "gargolin" do monte onde iam devorar os pintainhos que maldosamente conseguiam roubar às galinhas da redondeza. Mas também as lembranças das estórias de seres incontód que diziam habitar as suas supostas grutaas, onde faziam diabo e 4.

As criações fantásticas em torno do Top de Miranda que povoavam o nosso imaginário de menino perderam-se com o tempo e hoje a postura perante a Torre mudou-se de timidez para a ousadia.

Foi então sem os inocentes receios de outrora, que no passado dia 4 de Janeiro um grupo de 13 rapazes da Ribeirinha de Jorge resolveram escalar o monte, assim, do nada. Reunímos e lá fomos nós, de repente. Levamos verduras, uns quantos quilos de cavala, alguns litros de vinho... e num dos seus "ombros" inventamos uma caldeirada. Lela era o cozinheiro de serviço. Na frente da cata da lenha estavam o Gil (neto do Ti Beto, dono de uma tirrinha onde ficamos acampados), o Biôco e o Zazá. Lorenço de ti Lela Ménquin era o tocador de violão, Rui de Dada, meu irmão, animava a malta com as suas pirraças, Djedjê de Mri Sofia, Antão de Silvino, Tóia e Chico distribuíam quel cóc, Cleidi e Nany - os codês - observavam tudo serenamente, enquanto eu era o fotógrafo de serviço.
O tempo estava meio abafado, havia um friozinho que vinha do mar de Puvoçon, mas a malta estava aquecida com bebida, bafa, cantigas, pirraças e gargalhadas.
Lá no fundo do vale víamos a vida a desenrolar-se: de um lado Cabouco de Peringuerina, do outro Ribeirinha de Jorge e, no meio, Lugar de Guene e Cabouco de Cosco. Controlávamos tudo, sentíamos poderosos no alto da imponente torre. Para muitos de nós, a grande maioria, era a primeira vez que subíamos o monte. E as surpresas foram muitas. Fiquei encantado com a pequena nascente que alimenta a hortinha do Ti Beto. E foi dessa hortinha de extraímos batata doce, coentro e couve para completar a nossa caldeirada. E que caldeirada! Devorámos tudo, os cófótches de bananeira, que serviam de pratos, ficaram limpinhos.
Depois da ceia, os cânticos. Do alto do nosso palco, víamos a plateia lá em baixo que certamente estaria intrigada: "Estarão loucos?" - devem ter pensado. Mas não estávamos, estávamos mais era séb pô fronta! Na ressaca das festas de Natal e fim de ano, haveria coisa melhor do que tmá um vento ne cocuruta de cabeça, do alto do Topo de Miranda?
Ali tão perto (e ao mesmo tempo tão longe) foi preciso esperar tanto tempo para se aventurar pela primeira vez monte acima?!! Uma experiência singular. A malta gostou tanto que já pensa voltar ao lugar, num dia desses.






07 janeiro 2009

Bonança ou bobrança?

Na ressaca das chuvas de Outubro e Novembro passados, as meradas, seladas e ladeiras de Santo Antão vão produzindo o que podem. Não se pode dizer que estejamos a reviver os tempos de dçapá bóbra fezê bécia, mas que bobra ti tá dá até n'altura, lá isso ninguém pode negar.
E de repente passa a não ser assim tão bizarra aquela estória do fulano que tinha o braço partido por ter caído, imagine, de um pê de bôbral.

Fotos: BCN

13 dezembro 2008

Reencontro

O Natal está à porta. Eu vou p'ro meu Sintadez, estou ansioso! Este ano a ilha virou uma autêntica "Europinha". Os meses de setembro e, sobretudo, outubro bafejaram a ilha com muita chuva. "Dizem que o campo se cobriu de verde, da cor mais linda que é a cor da esperança". Quero ver e sentir o bafo da terra-minha. Quero recordar Cabral e acreditar em Nunes: "sonho que um dia..."
Enfim, apetece-me dizer que vou para o meu planetinha, o meu planetinha verde, que tanto estimo!
Pedra em Estritin
(foto: BCN)

27 novembro 2008

Corvo

Gosto muito deste lugarejo. É uma das muitas zonas encravadas do concelho da Ribeira Grande. Os carros não chegam lá, mas há telefone e energia eléctrica 24 horas por dia. Corvo sofre muito com o êxodo rural e hoje o lugar é maioritariamente habitado por pessoas velhas ou de meia idade. A maioria dos nativos migraram-se principalmente para Ponta do Sol, que é a vila mais próxima.
Mas Corvo é um esconderijo que proporciona ao visitante momentos únicos: na comunidade pratica-se agricultura de regadio (cultivo de inhame, cana de açúcar, banana...) e de sequeiro (milho, feijões...). Há um vale bem estreito e mais ou menos comprido que se penetra pelas montanhas adentro; há água límpida a correr pela ribeira onde ainda se pode encontrar agriões e hortelãs; há patos a nadarem nos pequenos pântanos... e o mar está há poucas centenas de metros.
Tirando a falta de estrada, corvo tem de tudo um pouco, é um encanto! O próprio trajecto, em caminho vicinal, acaba por ser um prazer: as dezenas de curvas em declive, a fresca brisa que vem do mar que fica lá em baixo, a vista panorâmica sobre o oceano, enfim... belezas escondidas da minha ilha!

foto: fonte aqui

15 novembro 2008

"BAGDAD" paralisado

Esta notícia fez-me recuar alguns anitos (cerca de seis) e recordar a altura em que percorríamos diariamente a pé o trajecto Ribeira da Torre - Vila da Ribeira Grande, para assitir às aulas no liceu Suzete Delgado. Bem, no meu caso, nem eram grandes distâncias. Da minha Ribeirinha de Jorge até ao centro da vila são menos de 3 kilómetros, percurso esse que fazíamos em 25/30 minutos. Mas tinha colegas de turma que, por morarem mais acima, galgavam a pé cerca de 5 ou mais kilómetros até chegarem ao liceu.

Ainda não havia autocarros e estávamos tão acostumados! A nossa maior inimiga era, sem dúvidas, a fumaça levantada pelos carros e pelas esporádicas ventanias. Éramos obrigados a lavar o nosso uniforme duas ou três vezes por semana, porque senão, a gola que era verde-clara ficava castanha. Mas não era só a roupa. Os nossos sapatos também sofriam. As solas gastavam-se facilmente e, (in)felizmente, ainda as lojas chinesas eram insignificantes.
À entrada da vila, lá na K'Beça de Vaca como diz minha avó, montávamos uma autêntica estação de lavagem e recauchutagem das nossas "rodas", para que elas não parecessem castanhas em vez de pretas.
Bem, hoje há viaturas de aluguer a cobrar 20, 30, 50 escudos, conforme a distância, para quem quiser e tiver possibilidades de ir de carro. Há também o autocarro escolar para aqueles que moram um pouco mais distante - o "Bagdad" - conforme os rapazes trocistas do vale o apelidaram por causa da sua cor que mais parece uma máquina das Forças Armadas. Neste momento está parado por causa das péssimas condições da "estrada" de penetração do vale. A "estrada" que corre para o mar sempre que uma chuvinha mais intensa origina um ribeiro.
Fotos: asemanaonline

13 novembro 2008

No (vo)AR

Um aeroporto é uma necessidade para a ilha de Santo Antão”(...) Esse aeroporto tanto pode ser em Porto Novo como em qualquer dos outros municípios da ilha. O fundamental é que ele seja construído”
Amadeu Cruz, Presidente CM Porto Novo, in Liberal

08 novembro 2008

"Grétas" da minha ilha




Aprecio muito, muito mesmo, a mão de obra dos antigos anónimos da minha ilha: Aqueles que, como costumo dizer, não tiveram (nem terão) direito a bustos nem covas compradas nos cemitérios.

Fotos: BCN

03 novembro 2008

A magia do Bana no Auditório Nacional

Afinal, o talentoso é também um busód
Quem há alguns meses lia as notícias sobre o estado de saúde do Bana em Lisboa, certamente não pensou que, hoje, passado pouco tempo, o artista pudesse estar de volta aos palcos com tanto fulgor, talento e, acima de tudo, boa disposição.
Pois é, o Auditório Nacional Jorge Barbosa, na Praia, recebeu ontem um memorável concerto. Bana, ao seu grande estilo, empolgou uma assistência que ao longo de mais de uma hora aplaudiu sem parar este colosso da nossa música.
Era a primeira vez que assistia a um concerto desse gigante da música nacional, ao vivo. Um grande privilégio!

Cantar é, sem dúvida, aquilo que melhor sabe o GIGANTE fazer. Isso não constitui novidade para ninguém. Só não sabia que, para além de encantar a cantar, Bana encanta com a sua forma de estar no palco. Ontem ele revelou ser uma pessoa muito comunicativa e bastante busód. Com um sentido de humor apurado, Bana fazia o público soltar umas boas gargalhadas cada vez que a ele se dirigisse.

O ínício foi emocionante: entrou no palco a interpretar a eterna "Lena" e quando terminou, pediu desculpas por "ca ter cumprimentód antes". De seguida lembrou os momentos difíceis por que passara meses antes e agradeceu "aos médicos, ao povo cabo-verdiano e ao governo de Cabo Verde." Por essa altura, comovido, quase deixou verter algumas lágrimas. O público aplaudiu com emoção e Bana retribuiu com mais uma morna imortal.

Numa noite de grandes mornas e coladeiras, Bana recebeu o carinho de um público maravilhoso que cantava junto com o mestre, apaludia sempre e, de vez em quando, uma ou outra voz se ecoava no meio da noite a pronunciar frases de admiração e estima. Por exemplo, a uma dada altura, na ligação de uma música a outra Bana, ao expressar algumas palavras, fez umas reticências "mim é.... ". Logo um grito soltou "... bo é um Património". Bana completou "é verdade, um património."

Mas foram muitos os momentos sublimes (aliás assim foi todo o concerto). Eis mais alguns momentos que resgitámos:
  • Na morna Lora Bana chamou uma jovem e fizeram dueto. A menina foi corajosa, mas passou no teste;
  • Na coladeira mexê mexê Bana esboçou um pé de dança e o auditório entrou em delírio. Que ovação!;

  • Antes de interpretar Maria Bárbara Bana dedicou essa morna a uma criança desconhecida que através de um terceiro lhe tinha enviado um recado: "iria ao concerto só para o ouvir cantar Maria Bárbara";

  • Na parte final, Bana diz: "ja'm ti te bem dá más só 2 muzca: um é pa cabá, ot é pa consolá"(...) e'm tem 5 minuto pa'm pensá que música ti te bem ftchá bsot ess not". Esta foi mais uma tirada de humor que deixou a plateia dodu;

  • E para acabar mesmo, Bana despediu desta forma: "bsot é maravilhoso, bsot é estrondoso... mas... mim também e'm ca ta fcá pa trás"

Enfim... momentos desses são raros neste país de música. Está de parabéns quem teve a ideia de voltar a trazer o Grande para o Auditório, desta vez não para interpretar apenas 4 músicas, felizmente. O concerto de ontem mostrou que o público, seja ele da Praia, de Soncnet, Sintanton, Fogo, Brava... está sedente de mais eventos culturais.

Parece que o Auditório Nacional - até bem pouco tempo tido como um autêntico Elefante Branco, começa a ganhar alguns pigmentos diferentes... digamos mais naturais. Que venham agora outros artistas: Cesária Évora, Tito Paris e a sua Orquestra (o tal sonho), Tcheca, Princezito, Teatro, dança... pelo menos tud fim-de-seman um evento, hehehehe (sonhar é bom)

Hah, em jeito de basofaria: a última música da noite, a tal consolança, foi Fitche Fatche na Tracolança. Música que relata um "fitche fatche" na Ponta do Sol, vila sintadezense.

25 outubro 2008

A propósito de Santo Antão Património Nacional

Sinta10, como é óbvio, não poderia ficar indiferente a este post. Pode ser que tenha sido realmente um delírio. É que vem de uma Ala que está muito à margem, logo dá para desconfiar. Mas, de todo o modo... vou embarcar também neste "delírio".
Os caboverdianos, por "amor à terra" deveriam procurar conhecer melhor esta parcela do seu território. Conhecer a fundo os seus atractivos naturais, os seus costumes, as suas tradições, enfim... procurar mergulhar um pouco mais no seu quotidiano mais profundo (sem esteriótipos, sem PRÉ-conceitos)

Santo Antão é...
  • riqueza;
  • encanto;
  • um Património Nacional, logo... um DELÍRIO
    Pena que eu seja um suspeito, mas ...
Fotografia: fonte aqui (desfrute!)

22 outubro 2008

Levá ma trêzê

As últimas cheias em Santo Antão não só levaram muita coisa para o mar, como também trouxeram outras para a ribalta. Que o diga a população da vila da Ribeira Grande que está agora a sofrer com os efeitos do cheiro de "derivados de óleos queimados e gasóleo", vindos à superfície depois das enxurradas de 6 e 7 de Outubro.

O facto está a desencadear uma interessante discussão aqui.
De repente, a população se desperta para o problema da poluição ambiental que há anos afecta o concelho. O caso da lixeira em Barbasco é, talvez, o caso mais gritante, com a população de Monte Joana e zonas limítrofes a inalarem o fumo que diariamente sai dessa ligeira rumo ao planalto. Estas cheias podem ter dado o mote para que venham a aparecer soluções para os problemas de poluição no concelho. Sobre a localização da central electrica, há muito que se fala no projecto da central única. Quanto à lixeira...

20 outubro 2008

Sete Sóis Sete Luas

A versão cabo-verdiana do festival Sete Sóis, Sete Luas, que acontece anualmente na Vila da Ribeira Grande, já tem data marcada. 14 e 15 de Novembro são os dias em que Puvoçon vai estar movimentada com artistas cabo-verdianos, portugueses e italianos. Segundo a Inforpress já estão confirmados as presenças do grupo português "Navegantes" e do italiano "Terra Mata". A organização - CMRG - promete melhorias para este ano e já tem programado como uma das actividades paralelas "uma acção de formação destinada aos estudantes que frequentam as escolas do ensino secundário no concelho da Ribeira Grande."
Como as actividades culturais na vila não abundam (aliás são mesmo raras) Sinta10 espera que a população da ilha venha a desfrutar do certame e que os sóis e as luas das sete partidas iluminem a vila durante esses dois dias.

Por falar em escassês de actividades culturais, agora lembrei-me que o Festival Nacional de Violino, que se pretende(ia) institucionalizar no concelho, não se realizou este ano. Ahh, sim... foi por causa da campanha! Em ano elitoral as baterias apontam para uma única direcção, pelo menos por cá. Enfim!!!

Hipótese

O ceu da minha ilha é estreito e tem montanhas. Será por isso que por lá (já) não passam aviões?!!!
Foto: Estritin (BCN)

12 outubro 2008

E tudo Outubro levou

Recebi um e-mail com fotos das últimas chuvas caídas no dia 5 de Outubro em Santo Antão. Não sei quem as fez mas publico-as neste espaço.

Há quem diga que chuva igual em Santo Antão há mais de 30 anos não se via. De uns anos para cá o mês de Outubro tem sido pródigo em matéria de escorroço na ilha. Este ano as comportas abriram com veemência, o presidente da República interrompeu a visita que havia começado pela ilha; as festas de Nossa Senhora do Rosário tiveram que ser adiadas; as barracas já montadas foram-se por água abaixo. Abaixo também foram as obras das duas pontes sobre as ribeiras que circundam a vila, pontes que irão ligar Povoação à Ponta do Sol e Paul.
Muitos, sobretudo aqueles sem estudo nem canudo mas com experiência adquirida na escola da vida, já tinham previsto esta situação. Custaria esperar o dito mês de escorroço passsar para só depois começar as escavações? E lá se foram alguns troquitos (preciosos porque raros por aquelas bandas)