
"Já no ca tá nos sô! Janela agora tem túnel, Janela agora ta esticá mon e ta dá Porto Novo monzada"
Palavras de um morador de Janela às antenas da RCV no dia da inauguração da estrada
Fotos: aqui

Ao que parece a chuva resolveu dar uma trégua lá pelas bandas do Norte de Sintadés e, logo, as pontes despontaram-se. Passados dois anos após ter escrito este post sobre essa estrada, eis-me aqui de novo, agora com outro desejo que não aquele de voltar a ser criancinha, bla, bla, bla. Quero mais é chegar à ilha, pô pé ne kémim e dá um giro estrada-fora a contemplar as falésias, os recifes e a vista panorâmica sobre o Atlântico.
Afinal, a ténue luz que durante loooooongos anos permaneceu no fundo do túnel, transformou-se agora em várias luzes que se espalham por dois túneis. E quero contemplá-los, hehehehe.
*Não sei quem fez as fotos. O meu amigo também não


Frénk de Pi, Senhor Ontôn, Nha Lolita... são alguns dos nomes hilariantes por que ficou também conhecido esta figura carismática da ilha de Santo Antão. O actor ganhou este ano o prémio Mérito Teatral da Associação Mindelact e recebeu a distinção, ontem, Dia Mundial do Teatro.
A este vulto da ilha, uma das figuras santantonenses mais populares de todos os tempos, Sinta10 faz um tchintchin: à sua saúde e à saúde das nossas gargalhadas.
Tenacidade da mulher de Santo Antão petrificada em estátua

A Associação dos Amigos de Ribeirão/Campo de Cão (AMI-RIBEIRÃO) Homenageia hoje, 27 de Março, a mulher santantonense com a inauguração de uma estátua na localidade.
Ribeirão, outrora uma localidade árida e extremamente carente, ganhou na última década, uma dinâmica que a tem transformado numa região bastante próspera. Tudo, graças ao associativismo. Muitas famílias que antes dependiam quase que exclusivamente das estafadas FAIMO, têm hoje a sua própria fonte de rendimento com base, sobretudo, na agricultura com o sistema de rega gota-a-gota.
O presidente da Assembleia Nacional, Aristides Lima, vai marcar presença no acto de inauguração da estátua, com 2,5 metros. O empreendimento homenageia a tenacidade da mulher da ilha. Uma mulher que sobe ladeiras, desce covoadas, atravessa kilómetros de caminhos vicinais de carga à cabeça; uma mulher que foi à São Tomé e regressou agastada, mas permaneceu tenaz; uma mulher "sem anel nem colar, prata e ôr, de lenço mórrod, sem véidéd nem méldéd; de cachimbo à boca, estrrachada"...

Fotos: BCN
Topo de Miranda (ou Tôp d'Mranda no vernáculo) é a emblemática torre que se ergue no meio da Ribeira da Torre. Aliás o nome do vale deve-se precisamente ao monte.O vale é conhecidpelas suas inúmeras maravilhas que vão desde as extensas plantações de bananeira e cana de açúcar, passando pelos seus recantos imponentes como é o caso de Xoxô, que, como um dia comentou Paulino Dias "é, sem dúvida, um dos lugares mais belos deste país (...) pela semi-circularidade das montanhas ao redor, a frescura, a harmonia, a idéia de "fechadura" que se desenha desde à entrada do Canto, passando pela borracha, até chegar no viradouro embaixo dos pés de manga..." 
Na ressaca das chuvas de Outubro e Novembro passados, as meradas, seladas e ladeiras de Santo Antão vão produzindo o que podem. Não se pode dizer que estejamos a reviver os tempos de dçapá bóbra fezê bécia, mas que bobra ti tá dá até n'altura, lá isso ninguém pode negar.
Fotos: BCN
O Natal está à porta. Eu vou p'ro meu Sintadez, estou ansioso! Este ano a ilha virou uma autêntica "Europinha". Os meses de setembro e, sobretudo, outubro bafejaram a ilha com muita chuva. "Dizem que o campo se cobriu de verde, da cor mais linda que é a cor da esperança". Quero ver e sentir o bafo da terra-minha. Quero recordar Cabral e acreditar em Nunes: "sonho que um dia..."Pedra em Estritin
Gosto muito deste lugarejo. É uma das muitas zonas encravadas do concelho da Ribeira Grande. Os carros não chegam lá, mas há telefone e energia eléctrica 24 horas por dia. Corvo sofre muito com o êxodo rural e hoje o lugar é maioritariamente habitado por pessoas velhas ou de meia idade. A maioria dos nativos migraram-se principalmente para Ponta do Sol, que é a vila mais próxima.foto: fonte aqui
Esta notícia fez-me recuar alguns anitos (cerca de seis) e recordar a altura em que percorríamos diariamente a pé o trajecto Ribeira da Torre - Vila da Ribeira Grande, para assitir às aulas no liceu Suzete Delgado. Bem, no meu caso, nem eram grandes distâncias. Da minha Ribeirinha de Jorge até ao centro da vila são menos de 3 kilómetros, percurso esse que fazíamos em 25/30 minutos. Mas tinha colegas de turma que, por morarem mais acima, galgavam a pé cerca de 5 ou mais kilómetros até chegarem ao liceu.
Bem, hoje há viaturas de aluguer a cobrar 20, 30, 50 escudos, conforme a distância, para quem quiser e tiver possibilidades de ir de carro. Há também o autocarro escolar para aqueles que moram um pouco mais distante - o "Bagdad" - conforme os rapazes trocistas do vale o apelidaram por causa da sua cor que mais parece uma máquina das Forças Armadas. Neste momento está parado por causa das péssimas condições da "estrada" de penetração do vale. A "estrada" que corre para o mar sempre que uma chuvinha mais intensa origina um ribeiro.
Enfim... momentos desses são raros neste país de música. Está de parabéns quem teve a ideia de voltar a trazer o Grande para o Auditório, desta vez não para interpretar apenas 4 músicas, felizmente. O concerto de ontem mostrou que o público, seja ele da Praia, de Soncnet, Sintanton, Fogo, Brava... está sedente de mais eventos culturais.
Parece que o Auditório Nacional - até bem pouco tempo tido como um autêntico Elefante Branco, começa a ganhar alguns pigmentos diferentes... digamos mais naturais. Que venham agora outros artistas: Cesária Évora, Tito Paris e a sua Orquestra (o tal sonho), Tcheca, Princezito, Teatro, dança... pelo menos tud fim-de-seman um evento, hehehehe (sonhar é bom)
Hah, em jeito de basofaria: a última música da noite, a tal consolança, foi Fitche Fatche na Tracolança. Música que relata um "fitche fatche" na Ponta do Sol, vila sintadezense.
Sinta10, como é óbvio, não poderia ficar indiferente a este post. Pode ser que tenha sido realmente um delírio. É que vem de uma Ala que está muito à margem, logo dá para desconfiar. Mas, de todo o modo... vou embarcar também neste "delírio".
As últimas cheias em Santo Antão não só levaram muita coisa para o mar, como também trouxeram outras para a ribalta. Que o diga a população da vila da Ribeira Grande que está agora a sofrer com os efeitos do cheiro de "derivados de óleos queimados e gasóleo", vindos à superfície depois das enxurradas de 6 e 7 de Outubro.