
q
u
r
t
Cresci ouvindo hitórias sobre o naufrágio do "John", um navio americano que na década de 40 naufragara nas costas da ilha de Santo Antão, carregado de milho. O tempo era de crise, a fome grassava a ilha e a população morria a míngua. O naufrágio terá sido então um mal que veio por bem, porquanto a população, de todos os cantos da ilha, forjou uma famigerada romaria ao local, em busca de gãos de milho para "encher o papo"Dizia-me que há alguns anos um jovem das Figueiras – uma das localidades mais encravadas do concelho da Ribeira Grande - lhe contara das dificuldades que ele e sua família tiveram que enfrentar em mais um ano de seca na ilha. A chuva não veio, os campos permaneciam ressequidos e o pouco pasto que ainda se podia encontrar estava tão tostado que as cabras negavam a comê-lo. Por mais que as alimárias tivessem fome não se mostravam dispostas a meter a focinheira no pasto, isto num claro desafio à máxima local segundo a qual “burro que tem fome ta cmê até córd”
Todo aquele que, na localidade, tivesse uma cabrinha estava desanimado porque nenhuma das criaturas dava sinais de querer suspender a “greve de fome”. Nem um pingo de leite para enganar o café preto as famílias conseguiam, já que as cabras, outrora leiteiras, estavam moribundas. Então, desesperado, que resolve fazer um dos moradores?
Arranja um punhado de garrafas verdes (daquelas que trazem vinho Tinto), corta-as em forma circular e com ares de arame fabrica alguns pares de óculos, bem especiais. Colocou um par nos olhos de cada cabra e não é que os bichos começam a devorar o pasto? Pois é, as cabras, coitadas, levadas pela ilusão de óptica, pensavam que a palha estava verde e devoravam tudo que lhes aparecessem pela frente. A partir daí começaram a restabelecer as parcas forças e até ressurgiu aquele pinguinho de leite para enganar o café.
Afinal, as cabras não só nos ensinaram a comer pedras como também nos obrigaram a fabricar óculos… especiais.
Pois, é o hábito tipicamente crioulo de brincar com a própria desgraça.
São, seguramente, a espécie de ave mais pequena que existe em Cabo Verde. Acarinhado por uns, amaldiçoado por outros, os pardais (alminhas de porra como lhes chamaram os Cordas do sol) sempre fizeram parte da vivência do homem rural cabo-verdiano. Dzusperóds que nem “menino nascido na fraqueza de lua” como dizia Baltasar Lopes em Chiquinho, os pardais formam bandos e ficam a esvoaçar de propriedade em propriedade a cata de alimentos. Frutos, legumes, ervas, larvas, pequenos insectos, flores... tudo lhes serve de petisco.
que montávamos depois de os caçar nas sorças feitas com latas de atum e laçadas de linha de nervo.
Aleluia, aleluia! O suspiro deve ter saído em uníssono e ecoado por todas as ribeiras, ladeiras seladas e cabeços da ilha. Os agricultores de Santo Antão vão poder, finalmente, comercializar seus produtos nas ilhas do Sal e Boa Vista, pondo fim a mais de vinte anos de quarentena por causa dos malditinhos milpés. Ahh, malditinhos não, são malditões! Imaginem, então, um bicho que resistiu mais de duas décadas à tudo e todos! Nem governos, nem governantes, nem presidentes, enfim nenhuma autoridade pôde, ao longo de todo esse tempo, arranjar forma de dominar o pirralho para assim poder levantar o embargo. Nem as antigas Milícias, nem as FARP, nem a POP e nem a PN conseguiu, ao longo de todos esses anos, barrar a passagem desses bichinhos na fronteira? Que força, hein!Agora que somos PDM vamos, finalmente, conseguir criar um centro de expurgo para a PDM. Não se assuste, este 2º PDM refere-se à Praga Dos Milpés.
Terminou as curtas férias de Natal e fim-de-ano na ilha. Como é doloroso o momento em que se entra no hiace para galgar as colinas rumo a Porto Novo - a agora única porta da ilha (porta por onde diariamente saem e entram centenas de pessoas)!
possam parecer.
Ao reparar nesta foto me veio à memória a Grande Muralha da China. É certo que por esse caminho não chego a nenhuma muralha. Antes, esta vereda, que até parece transportar-nos para o além, leva-nos até algures em Santa Isabel, no concelho do Paul.
Não sei porquê, mas não consigo deixar de associar esta imagem à majestosa Grande Muralha. Salvaguardando, claro, as proporções.
E, já agora...
que dizer deste exemplo de interculturalidade?
O autor da 1ª fotografia é a personagem que agora aparece nesta 2ª. De nacionalidade chinesa, Kayo esteve em missão no Paul durante cerca de 5 meses, ao serviço do Corpo da Paz. Mas não vou falar dela. Falo da foto, da riqueza expressiva que a mesma encerra.
A cobertura da casa, as paredes em pedra seca, a porta e a sua fechadura, a escada de pau e o sôrron faz-nos mergulhar num Santo Antão profundo. Ainda, num primeiro olhar este mergulho no profundo poderá ser bruscamente interrompido pelo “elemento estranho” – o chinês. Mas, um olhar mais demorado desvenda, em vez de um “ruído”, um exemplo de perfeita comunhão de povos, de integração onde eu te dou e tu me dás. Os chinelos que aparecem em cima da escada são um produto chinês, trazido pelos comerciantes. O nativo comprou-os usa-os no dia-a-dia. De tanto utilizá-los, teve que aplicá-los alguns pontos para aumentar a sua durabilidade. E é provável que tenha usado linha de cisal preparada a partir da planta que cresce nos cumes das montanhas da ilha.
Já, o sorron nas costas da chinesa é bem nosso. Só não sei se nessas costas o mesmo terá seguido viagem até ao oriente. Quem sabe!?
Mas estou revoltado: é que já estive bem melhor. A minha piscina, meu ex libris, está feinha, meus canteiros já não têm ervas verdejantes. Porque será que estão e destratar-me desta forma, eu que já servi tanta gente, sem olhar a quem!!!" Don't forget me, please! I'm (was) so nice!
Continuo a reivindicar o direito de Santo Antão ser (também) considerada a ilha do dragoeiro. Quero ver os folhetos turísticos sobre a ilha dizendo que é (também) ilha que alberga essa planta milenar e endémica de Cabo Verde
Ainda espero ver na capa de uma revista tipo FRAGATA, numa edição sobre Santo Antão, uma grande fotografia do dragoeiro santantonese, essa planta tão simbólica... que, inclusive, dá nome a um tipo de condecoração, das mais prestigiantes de Cabo Verde.
Dragoeiros no Vale do Paul
Á semelhança da ilha do Fogo, Santo Antão produz o seu quinhão de café. Embora sem a expressividade da ilha do vulcão, Santo Antão pode gabar-se de poder beber café produzido no seu próprio torrão; gabar-se de também poder cultivar um dos produtos mais apetecidos em todo o mundo. As regiões altas de Lombo Branco, Pinhão, Monte Joana, Matinho de Leste (concelho da Ribeira Grande) e outras tantas no concelho do Paúl foram outrora locais de grande produção do café, sendo que ainda hoje se cultiva este produto, embora de forma menos intensa. Quem caminhar pelas entranhas de Monte Joana, Ribeirão
Grande, Cidereira e outros locais do Planalto Leste encontrará ainda os famosos lédris (grandes espaços cercados por altos muros de pedra seca, onde se fazia a secagem do café). Hoje, muitos desses espaços encontram-se abandonados em ruínas ou então são usados como estábulos para animais. Mas quem ainda hoje quiser conhecer uma extensa plantação de café na ilha, aconselho-o a caminhar até Róiód, um pequeno vale, muito interessante, situado na parte mais alta de Pinhão (no cabeço). Com uma orografia que faz lembrar a famosa Cova, Róiód ainda conserva milhares de pés de café, e alguns casebres em ruinas. Vale a pena visitar o lugarejo, sobretudo se for na época das chuvas. Mas atenção, a que ter canela pa escanelá à pé. 
"Crú doce, czid morgozo" (adivinha popular alusiva ao café)
Cafeeiros em Santo Antão
Cabo de Ribeira, Paúl
Fotos: BCN (Set. 2007)

Muito se falou sobre a participação de Sinta10 no torneio Inter-Ilhas que decorreu em São Vicente, de 9 a 18 de Agosto. Não obstante muita fala, muita perpexidade, pouco se disse e menos ainda se escreveu. A excelente campanha começou com uma vitória dos "verdes" sobre a ilha de Santiago. Quem diria? - há quem tivesse (pre)dito, garanto.
Topo de Miranda (ou Top de M'randa num bom vernáculo) é a designação desta emblemática torre. A elevação, que originou o nome do vale da Ribeira da Torre, inspirou também um grupo de jovens das comunidades de Longueira a Chã de Arroz, que há pouco mais de um ano fundaram uma associação - a Associação "Top d'Miranda" - para encontrar parcerias para intervir em diferentes áreas como educação, cultura, desporto, saúde, habitação social e ambiente... e assim promoverem o desenvolvimento do vale.
cuva bem, pa que nos vale fica sempre verde...
O festival Nacional de Violino voltou à ilha. Tal como haviam anunciado os organizadores, o evento não ficou pela primeira edição que aconteceu no ano passado. A segunda concretizou-se no passado fim de semana. Ocasião para se reunir violinistas de todas as ilhas e da diáspora (Foram 25) numa confraternização excepcional, porém rara nestas ilhas onde "em cada 10 habitantes 11 toca um instrumento" (alguém escreveu isso algures, já não me lembro onde o li)
Ê Dvera sim! desta vez ê dvera, a estrada Porto Novo-Janela vai ter 3 túneis, uma das quais chega a atingir os 300 metros.
A imagem mostra o extremo mais à Norte de Santo Antão. É nesta pontinha que se situa a vila da Ponta do Sol (antiga Maria Pia). Vila piscatória, muito limpa, conhecida pelos seus edifícios históricos, dentre os quais sobressai a magestosa Câmara Municipal da Ribeira Grande.
Um comentário de um leitor sobre a situação actual da mandioca em Santo Antão fez-me viajar no tempo e recordar os tempos em que este produto abundava por todas as ribeiras, encostas e cabeços da ilha. Hoje, apenas sobrevive alguns pezinhos que vão travando uma luta impossível com a tão famigerada mosquinha branca. O mesmo caminho parece estar a seguir o coqueiro que vai caindo todas as folhas, ficando apenas o tronco erecto fitando os céus como que a praguejar.
A que realidade esta foto se refere? Quem se atreve a avançar com uma hipótese? Está sendo difícil? Uma dica: é no nosso país, é na ilha de Santiago, é no concelho da Praia, aliás é na "barba-cara" da Cidade da Praia. Bem, é no Monte Vermelho!
Este é o farol Fontes Pereira de Mello, ou popularmente Farol de Boi. Esta magestosa obra foi edificada no sec. XIX. Está lá (ainda), ali na Pontinha de Janela, suplicando aos deuses que lhe estendem uma mãozinha, que cuidem dele porque nos homens já não acredita. Está lá, perscrutando o Atlântico, esse oceano que tanto iluminou para que
os navios não conhecessem contratempos enquanto sulcavam os mares rumo às sete partidas. Está lá, degradado, a cair de podre, porque... já passou a história. (foto BCN - feito em 2002, por isso já lá vão mais 4 anos de degradação) _______________________________________
_______________________________________
Ilhéu dos Bois

Mesmo abaixo do Farol de Boi está este pequeno ilhéu, que também é de Boi. São dois símbolos da ilha que, bem pertinho um do outro, partilham de tudo: testemunham histórias de uma comunidade sofrida (Janela), as lendas, a maresia, enfim partilham até o Boi que lhes serve de alcunha. Companheiro inseparável do farol, o Ilhéu dos Bois confere outra beleza à vista que, à partir do farol, se tem da costa norte da ilha.
Acontece, como é o caso, no espaço rural, pois caso esta foto fosse o retracto de uma situação no meio citadino seria um oasis "urbano". Cá está a prova de que o rudimentar e o moderno se pode conviver, numa concorrência leal. Por mais tecnologia que o carro dispõe, não pode neste caso concreto superar a competência do animal que, ainda, vai lá onde as rodas e os cartões de crédito não chegam. Foto: BCN

Este é um dos produtos que a ilha exibe toda vaidosa. Trata-se da Fruta-pão e, ao que parece, em Cabo Verde a árvore que a produz só existe em Santo Antão. Nesta ilha a árvore abunda e só no vale da Ribeira da Torre deve haver milhares.
mais velhos, a árvore foi trazida de Las Palmas por um proprietário da ilha que passara por aquelas paragens. Começou-se a plantá-la primeiramente em Ribeira da Torre e depois foi-se espalhando um pouco por toda a ilha. Mas também há quem defenda que foi trazida de São Tomé, país onde abunda a fruta-pão 
Chama-se Maria Conceição Fontes da Graça de Barros. Filha de pais descendentes da ilha Brava, esta crioula nasceu no Senegal, cresceu na Mauritânia e vive actualmente nos EUA - mim nascê na bo berço ó Senegal, um brincá na bos areia ó Mauritânia, ma nha coraçon ta na bo ó Cabo Verde - revela a cantora numa das faixas do seu primeiro álbum "Nha Mundo".Obs: a temperatura é insuportável
Um beijo do teu amor
Então já sabe, tenha cuidado com os e-mails que escreve. Como disse o David Borges, se esta história não for verdadeira é, pelo menos, bem inventada
Há momentos inesquecíveis e certamente que este burrinho, natural e residente no Berço da cabo-verdianidade (cancarã da cabo-verdianidade como diria Nedil Rosa) jamais esquecerá este instante da sua vida. Estava-se numa manhã do mês de Abril quando este famoso jumento teve o privilegio de levar um beijinho da Sua Magestade rainha Sofia de Espanha. Este ilustre filho da novel Cidade de Santiago de Cabo Verde bem se pode gabar de ter conseguido algo que muitos por este mundo sonham um dia conseguir.
Quem chega à Santo Antão e precisa viajar até ao norte da ilha não deixará certamente de contemplar uma das paisagens mais belas de Cabo Verde. Sai do Porto Novo e ao chegar ao cume da montanha, na localidade de Água da Caldeiras, a paisagem fa-lo-á interrogar se se está realmente em Cabo Verde. É que o verde dos pinheiros e cedros, juntamente com a neblina e consequente clima frio, fazem-no acreditar na justeza do nome deste país.
Sabedor, simples, afável e bonita é a tua gente
Quando os carrapatos e a palha tinguinha ainda eram uma riqueza